O aumento do chamado early turnover (desligamentos que acontecem antes de seis meses) têm chamado atenção de empresas de diferentes setores. Em um mercado marcado por maior mobilidade profissional e mais opções de escolha para os candidatos, atribuir esse movimento apenas à queda no desemprego ou à abundância de oportunidades pode ser uma leitura superficial.
Na prática, os principais gatilhos do desligamento precoce costumam surgir antes mesmo da contratação. Descrições de vagas pouco objetivas, falta de clareza sobre rotina, expectativas desalinhadas em relação à cultura organizacional e processos seletivos conduzidos com pressa criam um cenário propício para frustrações rápidas, tanto do lado do profissional quanto da empresa.
O impacto do early turnover vai muito além do custo financeiro direto. Cada saída prematura afeta a produtividade da equipe, o clima organizacional e, cada vez mais, a reputação da empresa como marca empregadora. Em um ambiente onde experiências de trabalho são compartilhadas de forma ampla, decisões mal estruturadas de contratação ganham visibilidade.
Dados da Society for Human Resource Management (SHRM) reforçam essa leitura ao indicar que uma contratação mal sucedida pode custar até 50% do salário anual da posição, considerando despesas com recrutamento, treinamento e perda de produtividade. Mas o número, por si só, não conta toda a história.
O problema também revela um desafio de alinhamento cultural. Competência técnica é importante, mas não sustenta uma relação de trabalho sozinha. Valores, comportamentos, expectativas de desenvolvimento e modelo de trabalho precisam estar claros desde o primeiro contato com o candidato. Quando isso não acontece, o risco de ruptura precoce aumenta significativamente.
Estruturação é fundamental
Relacionado a esse contexto, plataformas de emprego passam a ter um papel cada vez mais relevante na redução do early turnover. Ao oferecer uma usabilidade que permite maior clareza na descrição das vagas, filtros mais precisos de perfil e dados que apoiam decisões mais qualificadas, ferramentas como o Infojobs contribuem para que empresas contratem com mais critério e candidatos tenham uma compreensão mais realista da oportunidade desde o início.
Empresas que investem em processos seletivos mais transparentes, comunicação clara e programas de onboarding estruturados tendem a registrar índices menores de desligamento nos primeiros meses. Não se trata apenas de contratar mais rápido, mas de contratar melhor.Ainda que não seja positivo, o early turnover funciona, portanto, como um termômetro da maturidade das áreas de RH e da qualidade das decisões de contratação. Mais do que um indicador isolado, ele sinaliza a necessidade de revisitar processos, discursos e práticas para construir relações de trabalho mais consistentes e sustentáveis, desde a atração até a integração do talento.