Pais também sofrem impactos em suas carreiras? Veja o que mostra a pesquisa do Infojobs

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Os pais também são impactados em suas carreiras? As empresas brasileiras oferecem apoio à paternidade ativa? Segundo uma nova pesquisa do Infojobs — o site de empregos mais acessado do país — em parceria com o influenciador de carreira Richard Uchoa, 46% dos profissionais que são pais afirmam que suas empresas não oferecem nenhuma política relevante de suporte à paternidade. O dado mostra um desafio ainda presente no mercado de trabalho: conciliar a rotina profissional com a presença ativa na criação dos filhos.

Embora o discurso sobre equilíbrio entre vida pessoal e carreira tenha se tornado comum, a prática ainda está distante da realidade de muitos pais. “Apesar dos avanços em equidade no mercado de trabalho, ainda há uma grande lacuna quando o assunto é paternidade ativa. O que se vê, muitas vezes, é um mercado que valoriza pais produtivos, mas não cria condições reais para que eles também sejam pais presentes”, comenta a Patrícia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

A pesquisa ouviu mais de 400 homens em todo o Brasil — 74% deles são pais, e, entre esses, 87% vivem com os filhos. Ainda assim, 76% relatam sentir culpa frequentemente ou às vezes por priorizarem o trabalho em detrimento da rotina familiar. Entre os principais obstáculos apontados estão a jornada de trabalho intensa (36%) e a baixa flexibilidade oferecida pelas empresas (30%), fatores que dificultam até mesmo ações cotidianas, como comparecer a uma reunião escolar ou acompanhar os filhos em uma consulta médica. No total, 39% dos pais afirmam ter dificuldade em participar desses momentos importantes.

Embora 70% dos pais reconheçam impactos positivos da paternidade em suas carreiras — com destaque para mais foco (30%) e prioridades mais claras (24%) —, a realidade das empresas ainda mostra resistência à prática da parentalidade ativa: apenas 38% afirmam trabalhar em empresas que incentivam a participação no cotidiano dos filhos para profissionais que são pais.

“O que a pesquisa mostra é que ainda faltam ações práticas que incentivem a qualidade de vida e a presença paterna na vida familiar. As empresas podem, e devem, olhar para a parentalidade como caminho para um mercado de trabalho com maior equidade, flexibilidade e acolhimento”, destaca Patrícia. “Medidas como horários flexíveis, licenças estendidas e ambientes que incentivem a participação ativa no dia a dia dos filhos são iniciativas que viabilizam maior participação ativa dos pais nos cuidados e educação dos filhos. s. As empresas que começarem esse movimento agora estarão mais preparadas para o futuro do trabalho, que tem profissionais que prezam cada vez mais pela qualidade de vida e flexibilidade”, finaliza.

Além de um parceiro de pesquisa, Richard Uchoa vive a paternidade na prática. Pai de duas filhas e à frente de uma HRTech, ele acredita que as empresas precisam romper com a neutralidade sobre o tema.

“Como pai, empresário e especialista em RH, vejo diariamente o quanto ainda é necessário ter coragem para falar em priorizar a família no ambiente de trabalho quando se é homem. Ainda se espera que sejamos super-humanos, entregando os mesmos resultados de antes. Mas eu não quero escolher entre ser um bom pai e um bom CEO — e nenhum profissional deveria ter que fazer isso.”

Para ele, o RH tem papel central nessa transformação:

“Se queremos ambientes mais saudáveis e sustentáveis, precisamos apoiar a paternidade com políticas claras, sensibilização e, principalmente, liderança pelo exemplo. Apoiar os pais é um passo essencial para construirmos uma sociedade mais equilibrada.”

Percepções conflitantes sobre pais que priorizam a família

Um dos dados mais reveladores do estudo é o descompasso entre como pais e não pais são percebidos pelas organizações. Entre os que têm filhos, 46% acreditam que priorizar a rotina familiar os faz parecer menos comprometidos com a carreira. Já entre os profissionais que ainda não têm filhos, 40% veem os pais como pessoas que equilibram melhor a vida profissional e pessoal.

Patricia reforça que “esse dado revela uma contradição silenciosa no ambiente corporativo: enquanto muitos pais sentem que cuidar da família compromete sua imagem profissional, quem está de fora enxerga justamente o contrário”.

Essa disparidade de percepção revela  que a mudança necessária não depende apenas de políticas — mas também de uma transformação na cultura organizacional. Enquanto benefícios como licença parental ampliada, suporte emocional e flexibilidade de jornada seguirem sendo exceções, muitos talentos seguirão sentindo-se frustrados  entre escolher suas obrigações familiares e suas ambições profissionais. “Estimular a presença paterna ativa é essencial para construirmos relações de trabalho mais humanas e uma sociedade mais equilibrada”, finaliza Patricia.