Construção e reformas devem manter ritmo moderado em 2026 com foco em eficiência e produtividade

Franquias Indústria Negócios

O setor de construção e reformas entra em 2026 com uma combinação de cautela e oportunidades. De um lado, o custo do dinheiro e a restrição de crédito seguem como fatores de pressão; de outro, há perspectiva de melhora gradual do financiamento e de continuidade de obras já contratadas, além de uma demanda estrutural por manutenção, retrofit e melhorias em imóveis.

No mercado imobiliário e de obras, a taxa de juros permanece como o principal freio do ritmo de lançamentos e de investimentos. A própria CBIC apontou a Selic como o maior obstáculo e destacou que o ciclo de juros altos limitou o avanço do setor em 2025, ao mesmo tempo em que abriu espaço para uma recuperação relativa em 2026, sobretudo se o crédito habitacional ganhar tração.

Pelo lado do financiamento, a CBIC sinaliza expectativa de incremento na atividade em 2026 com mudanças no SBPE, que podem injetar R$ 37 bilhões no crédito habitacional, além do efeito de lançamentos anteriores que começam a virar obras e devem sustentar o patamar de atividade ao longo de 2026 e 2027.

Os custos continuam no radar de quem constrói e de quem reforma. O SINAPI, do IBGE, fechou 2025 com alta acumulada de 5,63% no Índice Nacional da Construção Civil; em dezembro, o custo nacional por metro quadrado foi de R$ 1.891,63, com composição entre materiais e mão de obra.

Nesse cenário, as reformas tendem a permanecer fortes como alternativa mais “cirúrgica” ao consumidor e às empresas, priorizando melhoria de eficiência, manutenção e readequação de espaços. A lógica é clara: com crédito mais caro, cresce a busca por projetos com retorno mensurável, menos desperdício e execução mais previsível, do planejamento ao pós-obra.

O franchising também ajuda a explicar parte dessa dinâmica de serviços ligados ao lar. Em 2024, o setor de franquias faturou R$ 273,083 bilhões, com 197.709 operações e cerca de 3.300 marcas franqueadoras, segundo pesquisa da ABF.

Em 2025, a expansão continuou no acumulado dos últimos 12 meses até o 3º trimestre, com faturamento total de R$ 293,535 bilhões e crescimento nominal de 10,8%, além de 200.152 operações e 1,747 milhão de empregos diretos no período analisado, de acordo com a Pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF.

Dentro do franchising, o segmento de Casa e Construção avançou: no 3º trimestre de 2025, o faturamento do segmento cresceu para R$ 5,118 bilhões (alta de 6,4% ante o 3º tri de 2024) e, nos últimos 12 meses, alcançou R$ 20,689 bilhões (alta de 8,2%).

Para redes que atuam com soluções para obra e reforma, 2026 deve reforçar a importância de padronização, assistência e produtividade, especialmente em um contexto de pressão por custos e escassez de mão de obra qualificada. “A expectativa é de um ano em que o consumidor e o profissional vão buscar mais planejamento, segurança e eficiência na execução. Quando cada dia de obra custa mais, ganhar produtividade e reduzir retrabalho vira o diferencial”, afirma Altino Cristofoletti Junior, fundador da Casa do Construtor.

Na prática, esse movimento se traduz em tendências como industrialização e métodos construtivos mais rápidos (sistemas a seco, pré-fabricados e modularização), maior uso de tecnologia para planejamento e controle (BIM, medição digital, acompanhamento por aplicativos) e foco em desempenho do imóvel, com soluções de eficiência energética, conforto térmico e acústico e redução de desperdícios.

Outra frente que ganha relevância é a economia circular aplicada à obra: reaproveitamento e destinação correta de resíduos, escolha de materiais com menor impacto e projetos que facilitem manutenção e retrofit. Em paralelo, a locação de equipamentos tende a crescer como forma de diluir investimento e trazer a ferramenta certa para cada etapa, elevando produtividade e segurança no canteiro, especialmente para pequenos empreiteiros e obras residenciais. 

Por fim, 2026 deve ser um ano em que construção e reformas se aproximam ainda mais da lógica de “serviço”: prazos mais curtos, previsibilidade de custos, transparência de etapas e experiência do cliente. “O setor está amadurecendo rápido. Quem conseguir combinar orientação técnica, padronização de qualidade e soluções que reduzam custo total da obra vai capturar a demanda, mesmo num ambiente ainda desafiador de crédito”, Altino Cristofoletti Junior.