Construir pontes não é um gesto bonito. É uma conta que você precisa saber fazer.
Resumo: Vivemos um momento histórico que deixou o país dividido, e a mesma lógica se repete a cada discordância no trabalho, com um chefe, um cliente, um sócio, um colega. O cérebro trata quem pensa diferente como ameaça, e empurra para o corte automático. A diferença entre reagir e decidir bem está em medir, com critério, o que cada corte realmente custa antes de fazer essa escolha.
Vivemos um momento histórico, e ele deixa, nesta manhã, um país dividido. Não vou falar de política aqui. Vou falar do que esse tipo de momento revela sobre como lidamos com qualquer discordância, inclusive as que você enfrenta todos os dias no trabalho.
A lógica é a mesma. Alguém discorda de você (um chefe, um cliente, um sócio, um colega) e o primeiro impulso é separar quem está do seu lado de quem não está. A pessoa que discordou vira, num segundo, alguém mais difícil de ouvir, mais difícil de ajudar, mais fácil de cortar.
Às vezes cortar é, de fato, a decisão certa. O problema é fazer essa conta no calor da discordância, sem medir o que ela custa de verdade. Carreira se constrói com rede, indicação, parceria, cliente recorrente, e cada corte tem um preço, às vezes pequeno, às vezes alto demais para ter sido decidido por impulso. Já vi indicação de anos se encerrar numa reunião por causa de uma opinião diferente, sem que ninguém parasse para avaliar se aquilo valia o que custava.
Tem uma razão para esse impulso ser tão automático, e ela mora no cérebro. Pesquisas em neurociência mostram que, quando você enxerga alguém como “do outro lado” (em qualquer disputa, não só política), se ativam as mesmas regiões ligadas à detecção de perigo. E quanto mais diferente esse alguém parece de você, mais a região que ajuda a imaginar o que se passa na cabeça do outro perde força, exatamente na hora em que ela seria mais necessária para resolver a divergência, não para alimentá-la.
Isso muda a forma como você deveria pensar em “construir pontes, não muros.” Não é um traço de personalidade, nem um conselho bonito, mas vazio. É remar contra a correnteza do próprio cérebro, que empurra para o lado do corte por padrão. Ninguém constrói ponte por acidente. Constrói porque fez a conta e decidiu, de forma deliberada, que aquela relação ainda vale o esforço.
Antes de cortar alguém por pensar diferente, três perguntas ajudam a tirar a decisão do impulso:
- O que essa relação ainda constrói para você?
- O que ela custa mantê-la hoje?
- O que custaria substituí-la?
Quando essas respostas estão claras, a escolha deixa de ser reação e passa a ser mais objetiva, e é essa racionalidade, não a raiva do momento, que deveria te direcionar.
Comenta aqui embaixo com quem você já precisou construir uma ponte dessas, e me segue para não perder o próximo texto.
Vai cuidar da sua carreira.
@mariburattog
Envie seu comentário para: mariana.buratto@blivy.com.br ou contato@blivy.com.br
Autora: Mariana Buratto é economista e atua no mercado corporativo há mais de 20 anos, os últimos 13 como headhunter. É fundadora da Blivy, consultoria especializada em decisões de talento e recrutamento para empresas e profissionais. Aplica neurociência comportamental à tomada de decisão, unindo evidência científica e prática de mercado para embasar resultados de negócio.
Leia mais:
O que ainda existe de criança no adulto que você se tornou?
Pensamento positivo é ciência da comunicação
Você procrastina o que realmente importa?
O preço invisível do sucesso. Você está disposto a pagar?
Vulnerabilidade no trabalho: até onde você deve se abrir com o seu gestor?
Você já conquistou a independência de pensar por si mesmo?
Grana Smart é solução para organização financeira do orçamento pessoal ou familiar
Aplicativo Grana Capital: a solução para o Imposto de Renda de investimentos na bolsa de valores – Use o cupom 0349825 e ganhe R$ 90 de desconto no Plano Mais Grana Anual.