Painel do GAFFFF reuniu executivos da Corteva e da Scheffer para discutir como ciência, produtores e empresas podem transformar um cenário de maior complexidade em novas oportunidades para o agro
São Paulo, SP, 1º de outubro de 2026 – O próximo salto da agricultura brasileira não dependerá apenas da criação de novas tecnologias, mas da capacidade de conectar as pessoas que produzem conhecimento, desenvolvem soluções e tomam soluções no campo. A colaboração entre produtores, empresas, ciência e instituições passa a ser tão estratégica quanto a própria inovação em uma conjuntura marcada por mudanças climáticas, novas exigências de mercado, pressão por produtividade e maior complexidade geopolítica.
Essa foi uma das principais discussões do painel “Ecossistemas para a Prosperidade: Por que o Futuro da Agricultura Depende da Colaboração, Não Apenas da Inovação”, realizado nesta quinta-feira (1º), durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, que acontece no Nubank Parque. O debate foi moderado por Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, e contou com a participação de Brook Cunningham, vice-presidente sênior e presidente para a Ásia-Pacífico da Corteva Agriscience, e Guilherme Scheffer, sócio-diretor da Scheffer.
Para Cunningham, o momento atual deve ser encarado menos como uma crise e mais como um período de transformação. Na visão dela, a diferença está na capacidade de usar a complexidade de criar respostas. “Eu vejo o momento atual menos como uma crise e mais como um momento de transformações. A palavra crise, por si só, pode ser para criar. Podemos ficar presos dentro da crise ou podemos desafiá-la. Por isso, empresas como a Corteva buscam ajudar a agricultura brasileira a continuar avançando”, garante.
O “novo normal” da agricultura
A sucessão de desafios enfrentados pelo agronegócio, incluindo eventos climáticos extremos e mudanças nos mercados, custos de produção e exigências dos consumidores cria um ambiente em que soluções isoladas tendem a ter alcance limitado.
Para Cunningham, o chamado “novo normal” exigirá uma combinação de ciência, coragem, resiliência e colaboração. “Essa é a verdadeira promessa do chamado ‘novo normal’: transformar a complexidade em clareza. O mundo vai continuar com novos desafios. Ciência, coragem e resiliência mostram que o Brasil sempre enfrentou suas dificuldades”, defende.
A experiência brasileira, segundo ela, é justamente uma das razões para olhar para o futuro com perspectiva de transformação. O País já precisou superar barreiras que pareciam limitar sua capacidade de expansão agrícola e encontrou na combinação entre conhecimento científico, investimento e adaptação uma das respostas.
“Nosso cliente é tomador de decisão, por isso trabalhamos com ele em um sistema de colaboração. O novo momento é complexo demais porque você enfrenta uma série de dificuldades, mas o Brasil já fez isso. Já enfrentamos dificuldades maiores”, afirma.
A transformação que colocou o Cerrado no mapa agrícola
Plínio Nastari, presidente da Datagro, lembra que a própria história recente do agronegócio brasileiro oferece um exemplo de como ciência e colaboração podem mudar os limites da produção. Até a década de 1970, o Brasil ainda importava uma parcela significativa dos alimentos que consumia e tinha extensas áreas que não eram utilizadas pela agricultura.
A transformação do Cerrado alterou esse cenário. Com investimentos em pesquisa, adaptação de tecnologias e conhecimento sobre as características dos solos e do clima brasileiros, a região passou a ocupar posição central na produção agrícola nacional.
“Até a década de 1970, o Brasil importava 30% de sua produção de alimentos e tinha uma área enorme que não era usada pela agricultura. No governo Geisel, mandaram cientistas brasileiros da Embrapa estudarem no exterior, e eles voltaram com uma série de ideias que conseguiram conquistar o Cerrado”, diz Nastari.
A referência ajuda a dimensionar o que está em jogo no próximo ciclo da agricultura. Assim como a expansão para o Cerrado exigiu mais do que uma tecnologia específica, os desafios atuais também não devem ser resolvidos por uma única inovação.
Da inovação isolada aos ecossistemas
A discussão do GAFFFF apontou para uma mudança na própria lógica de inovação no campo. Tecnologias podem aumentar produtividade, reduzir custos ou melhorar o uso de recursos, mas sua adoção depende de conhecimento, financiamento, infraestrutura, assistência, confiança e capacidade de adaptação às diferentes realidades produtivas.
Nesse modelo, produtores deixam de ser apenas usuários de tecnologias e passam a integrar o processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento das soluções. Empresas, por sua vez, precisam compreender os desafios concretos enfrentados no campo para transformar pesquisa em ferramentas aplicáveis.
A experiência brasileira de ocupação agrícola do Cerrado mostra que grandes saltos de produtividade são resultado de ecossistemas de conhecimento, nos quais diferentes atores contribuem para superar limitações que nenhum deles conseguiria resolver isoladamente.
O debate do GAFFFF colocou, assim, uma questão central para o futuro do setor: se a inovação foi capaz de transformar o mapa agrícola do Brasil no passado, quais novos ecossistemas de colaboração serão necessários para transformar a agricultura brasileira novamente?
Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF reúne conteúdo, negócios, gastronomia e entretenimento com o objetivo de aproximar o agronegócio da população urbana e discutir temas estratégicos para o setor. A edição deste ano contará com 230 empresas apoiadoras e expositoras. Terá cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países. Também há um espaço dedicado a esportes equestres e rodeio, além da Arena Fogo, com restaurantes com culinária ligada ao campo e produtores artesanais, e shows de Edson & Hudson, Rionegro & Solimões e Fiduma & Jeca. Outra novidade será a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento pós-evento que reunirá as principais conclusões dos debates.
Conheça os apoiadores do GAFFFF 2026
Apresenta: XP e Corteva Agriscience; Master: FAESP/SENAR e Prefeitura Municipal de Sorriso; Diamante: Agri Connection, Baldan, Grupo Ceres, John Deere, RAM, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo e Timbro,Sebrae e APEX-BRASIL.
Sobre a DATAGRO
Com mais de 40 anos de mercado, a DATAGRO é uma consultoria agroindustrial independente com atuação global e referência no setor.
A companhia produz análises, notícias e dados primários sobre agropecuária, soja, milho, algodão, cana, açúcar, etanol, biodiesel, café, citrus, pecuária, leite e outros mercados, orientando a tomada de decisão de clientes em mais de 50 países. São mais de 130 relatórios mensais sobre 18 commodities agrícolas, de energia e mercados.
Ao todo, a DATAGRO reúne doze unidades de negócios: Alta Performance, Análise de Mercado, Consultoria Estratégica, Gestão, Markets, Financial, Governos, Benri, DataMaps, Deag, Geocane e Experience, área responsável pelos eventos, incluindo o Global Agribusiness Forum (GAF) e o Global Agribusiness Festival (GAFFFF).
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