Segurança alimentar não se mede apenas pelo que um país produz, alerta Mary Robinson

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No GAFFFF, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos relacionou clima, alimentação e direitos humanos, enquanto Plínio Nastari defendeu que o Brasil use sua capacidade de produção de alimentos como instrumento de cooperação internacional 

São Paulo, SP, 1º de outubro de 2026 – “Quando você olha por trás dos números, não somos seguros em termos de alimentos.” A afirmação da ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, durante o GAFFFF, colocou em xeque a ideia de que volumes robustos de produção e segurança alimentar são necessariamente sinônimos. Ao citar a dependência irlandesa de alimentos importados, Robinson defendeu uma abordagem que conecte segurança alimentar, crise climática, direitos humanos e responsabilidade das comunidades.  

Para Mary Robinson, a resposta à crise climática não pode depender apenas de governos e grandes instituições (Imagem: Divulgação GAFFFF / DATAGRO)

Robinson citou o próprio país como exemplo. Embora a Irlanda tenha uma forte produção de carne bovina e laticínios e exporte cerca de 90% dessa produção, o país depende fortemente de importações em outras categorias de alimentos. Dados recentes do Climate Change Advisory Council mostram que aproximadamente 83% das frutas e hortaliças consumidas na Irlanda são importadas, o que aumenta a exposição do país a quebras de safra e interrupções nas cadeias globais provocadas por eventos climáticos. 

“Quando você olha por trás dos números, não somos seguros em termos de alimentos. Importamos 83% de tudo o que consumimos. E depois temos nossa maravilhosa carne bovina e laticínios, e exportamos 90%”, afirma Robinson, que participou do Painel Liderança Global e por Justiça Climática: Caminhos para um Futuro Sustentável, moderado Patrícia Ellen, sócia da Systemic LATAM, co-fundadora da AYA Earth Partners e ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo. 

Segurança alimentar também é uma questão de direitos humanos 

A ex-presidente irlandesa defendeu que a resposta à crise climática não pode depender apenas de governos e grandes instituições. Para Robinson, comunidades precisam assumir responsabilidade e transformar clima e natureza em prioridades locais. 

Ela relacionou essa visão ao artigo 29 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece deveres dos indivíduos para com a comunidade. Segundo Robinson, a participação comunitária não é apenas uma forma de contribuir para uma causa coletiva, mas também de ampliar o próprio desenvolvimento das pessoas. 

“Eu realmente acredito que não vamos resolver a crise climática e da natureza até que as comunidades assumam a responsabilidade e digam: ‘Esta é a prioridade máxima para nós’”, defende. 

Como exemplo, a comissária citou iniciativas irlandesas voltadas ao combate ao desperdício de alimentos, entre elas o FoodCloud, plataforma criada para conectar estabelecimentos com excedentes de alimentos a organizações que podem destiná-los a quem precisa. 

Robinson também discorre sobre o cenário do setor no Brasil. “A palavra é complementariedade. O Brasil exerce uma ação de complementaridade e, infelizmente, os países têm medo do Brasil pela força da indústria, pela competitividade, pela sustentabilidade. Nós temos que mostrar isso. Esse é o novo ambiente”, disse. 

Um novo multilateralismo para um mundo mais vulnerável 

A discussão também abordou as mudanças no sistema internacional. Para ela, o modelo de multilateralismo construído nas últimas décadas passa por uma transformação e deverá conviver cada vez mais com acordos regionais e novas formas de cooperação. 

“Não pode haver fronteiras dos alimentos”, ressalta, ao defender uma atuação cooperativa do setor para ampliar a segurança alimentar global. 

O evento 

Organizado pela DATAGRO, o GAFFFF reúne conteúdo, negócios, gastronomia e entretenimento com o objetivo de aproximar o agronegócio da população urbana e discutir temas estratégicos para o setor. A edição deste ano contará com 230 empresas apoiadoras e expositoras. Terá cerca de 330 palestrantes de mais de 20 países. Também há um espaço dedicado a esportes equestres e rodeio, além da Arena Fogo, com restaurantes com culinária ligada ao campo e produtores artesanais, e shows de Edson & Hudson, Rionegro & Solimões e Fiduma & Jeca. Outra novidade será a elaboração do Consenso do Agronegócio, documento pós-evento que reunirá as principais conclusões dos debates. 

Conheça os apoiadores do GAFFFF 2026 

Apresenta: XP e Corteva Agriscience; Master: FAESP/SENAR e Prefeitura Municipal de Sorriso; Diamante: Agri Connection, Baldan, Grupo Ceres, John Deere, RAM, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo e Timbro,Sebrae e APEX-BRASIL. 

Sobre a DATAGRO 

Com mais de 40 anos de mercado, a DATAGRO é uma consultoria agroindustrial independente com atuação global e referência no setor. 

A companhia produz análises, notícias e dados primários sobre agropecuária, soja, milho, algodão, cana, açúcar, etanol, biodiesel, café, citrus, pecuária, leite e outros mercados, orientando a tomada de decisão de clientes em mais de 50 países. São mais de 130 relatórios mensais sobre 18 commodities agrícolas, de energia e mercados. 

Ao todo, a DATAGRO reúne doze unidades de negócios: Alta Performance, Análise de Mercado, Consultoria Estratégica, Gestão, Markets, Financial, Governos, Benri, DataMaps, Deag, Geocane e Experience, área responsável pelos eventos, incluindo o Global Agribusiness Forum (GAF) e o Global Agribusiness Festival (GAFFFF). 

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