Carnaval já não freia contratações: só 16% das empresas desaceleram no período

Mercado de trabalho Negócios

Tradicionalmente tratado como um período de desaceleração no mercado de trabalho, o pré-Carnaval sempre carregou a expectativa de pausa nas decisões de contratação. Essa lógica, no entanto, vem perdendo força. Pesquisa do Pandapé, software de recrutamento mais utilizado da América Latina, com profissionais de RH de 205 empresas de todo o país, indica que o período passou a ser incorporado ao planejamento de pessoas de forma mais estratégica, e menos automática.

O levantamento mostra que 43,9% das empresas consideram o período pré-Carnaval estratégico para contratações, enquanto 40% utilizam o intervalo para organização interna e preparação de processos. O dado indica uma mudança relevante na forma como o RH lida com o início do ano: em vez de suspender decisões, as empresas passam a usar o período para estruturar melhor suas estratégias de atração e gestão de talentos.

Essa lógica se reflete também na percepção sobre o próprio Carnaval. Para quase metade dos respondentes (48,3%), o evento é visto como neutro em relação às contratações. Outros 32,7% enxergam o período como uma etapa de preparação para contratar de forma mais qualificada na sequência, enquanto apenas 19% ainda associam o Carnaval a um freio direto nas admissões.

Na prática, o comportamento predominante das empresas é o da estabilidade. Mais da metade das organizações (53,7%) afirma manter no início do ano o mesmo ritmo de contratações do período anterior. Uma parcela menor planeja acelerar admissões antes do Carnaval (24,9%), enquanto 21,5% optam por concentrar contratações após a data.

Essa tendência se confirma quando se observa o comparativo entre os períodos. Para 45,8% das empresas, o volume de contratações tende a crescer após o Carnaval, enquanto 45,5% indicam estabilidade. Apenas 6,3% percebem uma redução significativa, reforçando a ideia de que a festa deixou de ser um divisor rígido no planejamento de RH.

Quando questionadas sobre o impacto direto do Carnaval no ritmo de contratações, a maioria relativiza sua influência. Para 43,4% das empresas, o impacto é pequeno, enquanto 35,1% afirmam que ele simplesmente não existe. Apenas uma minoria atribui ao período um efeito relevante sobre as decisões de admissão.

O perfil das empresas participantes ajuda a contextualizar os resultados. A amostra é composta majoritariamente por organizações dos setores de varejo (28,3%), serviços (19%) e indústria (16,5%) — segmentos tradicionalmente mais expostos a oscilações de demanda e de força de trabalho. Ainda assim, os dados apontam para um movimento consistente de amadurecimento do RH, com decisões cada vez mais previsíveis e menos condicionadas a fatores culturais.

Na prática, os dados mostram uma mudança clara de comportamento. O Carnaval continua sendo um marco cultural, mas deixou de ser o fator decisivo nas contratações. Hoje, as empresas olham primeiro para a necessidade do negócio, o histórico de admissões e o planejamento de demanda antes de definir o ritmo de contratações.

Para as empresas, a lógica se torna cada vez mais objetiva. Antecipar ou postergar contratações deixou de ser uma decisão baseada em “antes ou depois do Carnaval” e passou a depender, sobretudo, da capacidade do RH de ler dados, reduzir riscos e alinhar pessoas ao momento real do negócio.