Levantamento da Equifax BoaVista aponta quase 300 mil tentativas de fraude em setembro, alta de 5,1% em relação a agosto; valor médio das operações fraudulentas recuou 14,6%.
A poucas semanas da Black Friday, marcada para 27 de novembro, o comércio eletrônico brasileiro registra um novo aumento nas tentativas de fraude. Segundo levantamento da Equifax BoaVista, a taxa de fraude chegou a 1,42% em setembro, marcando o terceiro mês consecutivo de alta. O indicador havia encerrado junho em 1,08%, avançando para 1,21% em julho e 1,37% em agosto.
Em setembro, foram identificadas 299.936 tentativas de fraude, crescimento de 5,1% em relação às 285.339 registradas no mês anterior. Ao todo, a companhia submeteu aproximadamente 21,2 milhões de transações digitais à análise antifraude, volume 1,37% superior ao observado em agosto.
A sequência de altas ocorre justamente na aproximação das principais datas comerciais do segundo semestre, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Embora os números não permitam estabelecer uma relação direta entre o calendário promocional e o aumento das tentativas, o período exige atenção redobrada de consumidores e varejistas.
“Estamos entrando em um período especialmente relevante para o comércio eletrônico. Novembro e a Black Friday estão próximos e já observamos três meses consecutivos de aumento da taxa de fraude. Mais do que olhar apenas para o volume, é importante acompanhar como essas tentativas estão se comportando e reforçar os mecanismos de prevenção sem criar barreiras para as compras legítimas”, afirma Juliano Manrique, superintendente de Produtos de ID & Fraud da Equifax BoaVista.
Mais tentativas, mas com valores menores
Um dos principais movimentos identificados pelo levantamento é a redução do valor médio das tentativas de fraude, mesmo diante do aumento na quantidade de ocorrências.
Em setembro, as tentativas somaram R$ 240,8 milhões, queda de 10,2% em comparação aos R$ 268,2 milhões de agosto. Já o ticket médio recuou 14,6%, passando de R$ 940,07 para R$ 802,96.
A redução ocorreu pelo segundo mês consecutivo. Em julho, o valor médio das tentativas havia alcançado R$ 1.028,82.
Os dados indicam que as tentativas estão mais pulverizadas em termos financeiros, com um número maior de operações envolvendo valores menores. Isso, entretanto, não significa necessariamente que os criminosos estejam direcionando suas ações a consumidores de menor poder aquisitivo.
O ticket médio representa o valor das transações identificadas como tentativas de fraude, e não a renda dos consumidores envolvidos. Entre as possíveis explicações para o movimento está a diversificação das investidas, inclusive com operações de menor valor. O levantamento, porém, não permite determinar a motivação dos fraudadores.
Como funcionam as tentativas de fraude no comércio eletrônico?
Entre as modalidades conhecidas de fraude digital estão o uso indevido de cartões de crédito, a utilização de identidades falsas ou informações pessoais obtidas ilegalmente e a invasão de contas de consumidores em plataformas de compras.
Outra prática recorrente é a engenharia social, quando criminosos utilizam mensagens, anúncios, links ou páginas falsas para induzir as vítimas a fornecer senhas, dados bancários e informações pessoais.
Essas modalidades podem estar conectadas. Dados obtidos por meio de uma mensagem fraudulenta, por exemplo, podem ser utilizados posteriormente para realizar compras indevidas.
Para as empresas, o desafio é identificar comportamentos suspeitos sem prejudicar a experiência dos consumidores legítimos. Ferramentas que combinam dados, inteligência artificial e análise comportamental permitem avaliar sinais de risco durante a jornada de compra.
Sete cuidados para evitar golpes na Black Friday e no Natal
Com a proximidade do período de maior movimentação promocional do comércio eletrônico, consumidores podem adotar medidas simples para reduzir os riscos de fraude:
- Desconfie de descontos exagerados. Ofertas muito abaixo dos preços praticados pelo mercado podem indicar anúncios ou lojas falsas. Compare valores antes de comprar.
- Verifique o endereço do site. Prefira acessar lojas pelos aplicativos oficiais ou digitando diretamente o endereço no navegador. Criminosos podem criar páginas semelhantes às de empresas conhecidas.
- Tenha cuidado com links enviados por mensagens. Promoções recebidas por WhatsApp, SMS ou e-mail devem ser verificadas nos canais oficiais do varejista.
- Confira os dados antes de pagar por Pix. Verifique o nome do destinatário e interrompa a transação caso as informações não correspondam ao estabelecimento.
- Ative a autenticação em duas etapas. Utilize senhas diferentes para cada serviço e habilite mecanismos adicionais de proteção nas contas digitais.
- Monitore suas movimentações financeiras. Notificações de compras e transferências ajudam a identificar rapidamente operações desconhecidas. Cartões virtuais também podem oferecer uma camada adicional de controle.
- Evite decisões por impulso. Mensagens que exigem pagamentos imediatos ou solicitam códigos de autenticação devem ser tratadas com desconfiança.
Movimentação financeira também aumentou
O levantamento mostra que setembro registrou crescimento da movimentação financeira no universo analisado.
As transações aprovadas passaram de 20,6 milhões em agosto para aproximadamente 20,9 milhões em setembro, alta de 1,3%. Em valores, essas operações movimentaram R$ 11,9 bilhões, crescimento de 11,4% na comparação mensal.
Já o ticket médio das transações submetidas à análise aumentou 9,3%, passando de R$ 526,77 para R$ 575,57.
Assim, setembro apresentou movimentos simultâneos: maior movimentação financeira nas transações analisadas, crescimento da quantidade de tentativas de fraude e redução do valor médio dessas ocorrências.
Com a chegada de novembro, os indicadores reforçam a importância da prevenção tanto para empresas que se preparam para a Black Friday quanto para consumidores que pretendem aproveitar as promoções de fim de ano.