YouTube é a principal fonte dos investidores; emissora brasileira cresce 55% na plataforma

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O YouTube consolidou-se como a principal fonte de informação sobre produtos financeiros entre os investidores brasileiros, ao mesmo tempo que a televisão perdeu espaço nesse hábito de consumo. Pelo 5º ano consecutivo, a plataforma de vídeos liderou as menções, citada por 35% dos investidores, à frente do Instagram, com 27%, e da TV, com 21%. Em 5 anos, a participação da televisão recuou de 34% para 21%, uma diferença de 13 pontos percentuais. Uma pesquisa identificou que 60,6 milhões de brasileiros com dinheiro aplicado em produtos financeiros em 2025. O movimento não representa o abandono de uma tela por outra, mas uma mudança na jornada de informação: o investidor passou a alternar transmissões ao vivo, redes sociais, portais especializados e programação televisiva ao longo do dia.

É nesse ambiente fragmentado que a BM&C News amplia sua operação entre TV por assinatura, YouTube, portal digital, streaming e canais FAST, modelo gratuito sustentado por publicidade. A estratégia busca alcançar o investidor em momentos distintos, desde a abertura do mercado até a repercussão de decisões sobre juros, câmbio, empresas e política fiscal. “O investidor não espera mais o fechamento do dia para entender o que aconteceu. Ele quer contexto enquanto o mercado está se mexendo, quer ouvir a análise, comparar cenários e tomar decisões com mais segurança. A presença na TV amplia a força institucional da BM&C, enquanto o digital aumenta a velocidade e a capilaridade da informação. O ponto central é estar em diferentes momentos da rotina desse público”, afirma Paula Moraes, sócia-fundadora e âncora da BM&C News.

A expansão também aparece nos números da emissora. A BM&C informa ter 732 mil inscritos e cerca de 32 mil vídeos publicados no YouTube. Em 2023, quando iniciou sua entrada na TV paga, o canal reunia 472 mil inscritos. A diferença representa um crescimento de aproximadamente 55% na base em 3 anos. Atualmente, a programação é distribuída por operadoras de televisão e plataformas como Samsung TV Plus e Pluto TV, além do YouTube e do portal da BM&C News. A escala potencial do ambiente digital ajuda a explicar essa estratégia: dados compilados pelo DataReportal indicam que o YouTube alcançava uma audiência publicitária estimada em 150 milhões de pessoas no Brasil no fim de 2025. Paralelamente, a B3 encerrou o ano com quase 5,5 milhões de investidores em renda variável e R$ 635 bilhões sob custódia, valor 20% superior ao registrado ao final de 2024.

O aumento do acesso à informação, contudo, convive com uma lacuna de conhecimento financeiro. A pesquisa da Anbima mostra que 31% da população não possui reserva para imprevistos, 34% já enfrentaram algum golpe ou fraude financeira e somente 21% participaram de aulas, palestras ou treinamentos sobre o tema. O contraste ajuda a dimensionar o desafio dos veículos especializados: informar com velocidade sem transformar assuntos complexos em recomendações superficiais. “O papel do jornalismo financeiro não é dizer para a pessoa o que ela deve fazer, mas dar elementos para que ela decida melhor. Quando a informação chega com consistência, ela ajuda o público a separar ruído de fato e a enxergar o impacto das decisões econômicas antes que elas apareçam no bolso”, afirma Paula.