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Falta de previsibilidade logística pressiona capital de giro e acelera busca por transporte ultraexpresso no B2B

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Com custos logísticos equivalentes a R$ 1,96 trilhão, infraestrutura rodoviária deficiente e escassez de motoristas, empresas buscam estratégias para equilibrar capital imobilizado. Veja o que diz o CCO da Prestex, Marcelo Zeferino, nesta entrevista

O cenário da logística no Brasil atravessa um momento de transformação acelerada, ao mesmo tempo em que lida com desafios operacionais de alto impacto. Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) no início de 2026, os custos logísticos no país atingiram R$ 1,96 trilhão em 2025, o equivalente a 15,5% do PIB nacional, impulsionados por um déficit histórico de infraestrutura que exige mais de R$ 2 trilhões em investimentos prioritários, conforme levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). 

Soma-se a isso o impacto de eventos climáticos extremos e instabilidades operacionais, que já causaram perdas financeiras a 70,6% das empresas transportadoras brasileiras nos últimos anos, segundo a CNT. Nesse cenário de margens apertadas e riscos constantes, as cadeias de suprimentos precisam ser cada vez mais dinâmicas para operar com agilidade absoluta.

Nesse contexto de busca por eficiência e proteção de margens, o especialista em Logística Marcelo Zeferino, Chief Commercial Officer (CCO) da Prestex, fala nesta entrevista sobre o papel estratégico que o transporte ultraexpresso vem assumindo nas operações B2B. 

Pergunta: No Brasil, o custo de manutenção de estoques pelas empresas chega a 5,3% do PIB, quase o triplo dos EUA. De que forma a falta de previsibilidade logística afeta essa conta e como a indústria pode reverter esse cenário?

Marcelo Zeferino: A falta de segurança sobre quando um insumo chegará força as empresas a manterem estoques maiores por precaução. Como aponta o ILOS, a infraestrutura inadequada faz com que o estoque acumulado funcione como a única proteção do gestor contra o desabastecimento. O problema é que isso imobiliza um capital gigantesco. Quando a indústria passa a contar com uma logística ultraexpressa previsível e garantida, ela ganha a confiança necessária para enxugar esses estoques de segurança, liberando caixa sem expor a operação a riscos. É uma lógica semelhante à do consumo diário: assim como ninguém mais estoca quilos de alimentos em casa, porque sabe que a entrega rápida funciona, a indústria não precisa imobilizar capital em grandes estoques de matéria-prima quando tem um braço logístico capaz de resÉ uma lógica semelhante à do consumo diário: assim como ninguém mais estoca quilos de alimentos em casa, porque sabe que a entrega rápida funciona, a indústria não precisa imobilizar capital em grandes estoques de matéria-prima quando tem um braço logístico capaz de responder na mesma velocidadeponder na mesma velocidade.

“O grande desafio de hoje é a falta de previsibilidade. As empresas dependem de fluxos contínuos, mas o mundo real é vulnerável a imprevistos climáticos, falhas de equipamentos e gargalos de infraestrutura.”

Marcelo Zeferino, CCO da Prestex

Pergunta: O setor logístico brasileiro lida também com gargalos de infraestrutura e custos que pesam no PIB. Qual é o principal desafio atual dos gestores para manter a produtividade?

Marcelo Zeferino: O grande desafio de hoje é a previsibilidade, ou melhor, a falta dela. As empresas dependem de fluxos contínuos, mas o mundo real é vulnerável a imprevistos climáticos, falhas de equipamentos e gargalos de infraestrutura. Quando uma linha de produção para por falta de uma peça, o custo por minuto inativo é altíssimo. O gestor atual precisa de inteligência logística e mecanismos ágeis que protejam o ritmo da empresa e impeçam paradas desnecessárias. Vale lembrar que além das falhas de infraestrutura, enfrentamos um gargalo crítico na formação e retenção de mão de obra qualificada, como a falta de motoristas. Sem pessoas preparadas e tecnologia integrada para tomar decisões em tempo real, a cadeia logística corre o risco de travar. 

Pergunta: Muitas vezes o transporte ultraexpresso é associado à gestão de crises, para “apagar incêndios”. De que maneira ele já é utilizado de forma estratégica e preventiva para aumentar a produtividade das indústrias?

Marcelo Zeferino: Essa é uma mudança fundamental de perspectiva que temos visto nas empresas mais maduras. O ultraexpresso deixou de ser apenas um recurso corretivo para se tornar uma estratégia de eficiência. Quando incorporado ao planejamento preventivo, ele permite às indústrias operarem com estoques mais enxutos, liberando capital de giro sem correr riscos. Além disso, possibilita planejar paradas de manutenção preventivas muito mais curtas e precisas, acelerar o lançamento de novos produtos no mercado e cumprir acordos de nível de serviço (SLAs) extremamente rigorosos. Em vez de apenas remediar, o ultraexpresso atua prevenindo gargalos e garantindo que a fábrica produza no seu nível máximo de capacidade.

Pergunta: O que define exatamente a logística ultraexpressa na prática da Prestex?

Marcelo Zeferino: Trata-se de uma solução desenhada sob medida para demandas de altíssima criticidade, onde o tempo é o fator determinante. Combinamos transporte aéreo prioritário, rotas rodoviárias dedicadas e atendimento 24 horas por dia com rastreabilidade em tempo real. É a modalidade acionada para movimentar itens vitais como peças de reposição urgentes, insumos industriais ou componentes de alto valor com máxima prioridade e garantia de prazo. Vale destacar que ultraexpresso não significa apenas avião. Trata-se de escolher a melhor rota e modalidade para cada urgência: em muitos locais, como o interior do país, uma operação rodoviária dedicada com acompanhamento em tempo real pode ser mais rápida e eficiente do que a malha aérea convencional.

Pergunta: De que forma essa agilidade do ultraexpresso se traduz em proteção direta contra perdas financeiras?

Marcelo Zeferino: Nenhuma decisão operacional é tomada sem considerar prazo, previsibilidade e a visibilidade de ponta a ponta da carga. O cliente se acostumou com essa experiência como consumidor (B2C) e passou a exigir o mesmo nível de agilidade, rastreabilidade e confiabilidade nas operações entre empresas (B2B). O modelo ultraexpresso atua reduzindo drasticamente o downtime (tempo de inatividade) e mitigando riscos sistêmicos para indústrias. Quando surge uma falha eventual ou uma oscilação na cadeia, a logística ultraexpressa entra como um plano de contingência para evitar que um contratempo isolado afete toda a operação, evitando paralisações, multas contratuais e perdas de receita.