Como se posicionar depois da queda forte das ações na bolsa de valores brasileira (B3)?
Veja trechos do relatório Raio XP de novembro de 2026 assinado por Fernando Ferreira (CFA, estrategista-chefe e head de research), Raphael Figueredo (estrategista de ações), Caio Souza (estrategista de ações) e Antonio Mello (estrategista-quantitativo).
Como se posicionar depois da forte queda do Ibovespa?
Seguimos preferindo empresas de alta qualidade, boas pagadoras de dividendos e exportadoras, e evitaríamos empresas muito alavancadas (endividadas) e balanços sólidos, diante da piora dos fundamentos macro.
O prêmio de risco do Ibovespa melhorou para 4,5%, mas segue abaixo da média histórica. O P/L caiu mais do que os juros reais subiram, o que ampliou o prêmio em todos os segmentos, exceto Commodities.
A 4,5%, o prêmio de risco do Ibovespa (earnings yield 12 meses projetado menos o juro real de 5 anos) está 0,5 desvio-padrão abaixo da média de 10 anos, de 5,3% (Gráfico 30), acima dos 3,7% após o primeiro turno.
O juro real subiu 95 bps, para 7,8%, e compensou cerca de metade da queda do múltiplo.
O Financeiro foi o que mais ganhou (de 3,4% para 5,4%, ainda −0,9 desvio-padrão), e os Cíclicos (de 0,9% para 2,0%) seguem como o único segmento acima do histórico (+1,5 desvio-padrão); os Defensivos quase não se mexeram (0,5%, −1,3 desvio-padrão).
Commodities são a exceção: como as exportadoras resistiram, o P/L ficou estável e o prêmio caiu de 8,7% para 7,7%.
Quanto menor o prêmio de risco, mais cara a Bolsa em relação aos juros reais longos (NTN-B).
Na carteira XP Top Ações, estamos adicionando JBSS32 com peso de 7,5%. O mercado segue focado em um 3T mais fraco, enquanto os próximos trimestres devem refletir margens melhores em US Beef, a retomada das exportações das operações brasileira e australiana para China e EUA e o suporte do câmbio mais depreciado.
Estamos aumentando RDOR3 de 5% para 7,5%, uma escolha defensiva diante da maior incerteza macro.
A SulAmérica segue como principal motor dos lucros, e suas elevadas reservas técnicas funcionam como hedge natural contra juros mais altos; as recompras e as compras de ações pelo controlador reforçam a tese, com a ação a ~13x P/L 2027.
Estamos adicionando WEGE3 (5%), exportadora com hedge cambial natural e exposição a drivers globais, que deve proteger a carteira em um ambiente doméstico mais difícil.
Estamos adicionando CXSE3 (5%), nome defensivo, mais resiliente aos juros altos, com dividend yield de cerca de 7%.
Estamos reduzindo IGTI11 de 10% para 5%, já que os juros longos mais altos pressionam os múltiplos dos shoppings. Estamos zerando BPAC11 (10%) e ROXO34 (5%) para reduzir o beta doméstico, já que um cenário macro mais difícil pode adiar a retomada do mercado de capitais e pesar sobre a rentabilidade do Nubank no curto prazo.
Autores: Relatório Raio XP assinado por Fernando Ferreira (CFA, estrategista-chefe e head de research), Raphael Figueredo (estrategista de ações), Caio Souza (estrategista de ações) e Antonio Mello (estrategista-quantitativo).
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