Dólar começa 2026 mais fraco no mundo e reposiciona Brasil no ranking global
Levantamento da Elos Ayta mostra que o real tem a segunda maior valorização entre 28 moedas globais em janeiro, em um início de ano estatisticamente incomum para o câmbio brasileiro.
O real brasileiro começou 2026 ocupando uma posição incomum no ranking global de moedas. Levantamento da Elos Ayta, que acompanha o comportamento do dólar americano em 28 economias, mostra que a moeda brasileira é a segunda mais valorizada do mundo em janeiro, até o dia 29, atrás apenas do peso chileno.
No período, o real acumula alta de 5,9% frente ao dólar Ptax, a taxa de referência calculada pelo Banco Central. O desempenho fica ligeiramente abaixo apenas do peso chileno, que registra valorização de 6,2%. Na sequência aparecem moedas de economias desenvolvidas e emergentes relevantes, como a coroa norueguesa (5,77%), o dólar australiano (5,63%) e o rand sul-africano (5,34%).
O dado chama atenção porque ocorre em um ambiente de enfraquecimento amplo do dólar. Segundo o levantamento, em 22 das 28 economias monitoradas a moeda americana se desvaloriza em janeiro. Em apenas cinco países o dólar registra valorização e, em um caso, estabilidade. Ou seja, trata-se de um movimento global, mas com intensidades distintas, e o Brasil aparece entre os principais destaques positivos.
A valorização do real ganha ainda mais relevância quando observada sob uma perspectiva histórica. O avanço registrado em janeiro é o maior desde janeiro de 2025, quando a moeda brasileira subiu 6,21%, e figura como a quarta maior valorização para meses de janeiro desde 2020. Em termos estatísticos, trata-se de um início de ano raro para o câmbio brasileiro.
O contraste com períodos de estresse ajuda a dimensionar a mudança de cenário. Desde 2020, a maior desvalorização mensal do real ocorreu em março daquele ano (-13,46%), no auge da aversão global a risco provocada pela pandemia. O segundo pior episódio veio em junho de 2022 (-9,72%), em meio ao aperto monetário global. Já em junho e outubro de 2024, a moeda voltou a sofrer, com quedas de -5,71%, em um ambiente de incertezas fiscais domésticas. Frente a esse histórico, o desempenho de janeiro de 2026 sinaliza uma inflexão relevante no humor do mercado.
No recorte internacional, o estudo também mostra que o enfraquecimento do dólar não é homogêneo. As maiores desvalorizações cambiais em janeiro concentram-se em economias específicas. A rúpia indiana lidera as perdas, com queda de 1,96%, seguida pela lira turca (-0,99%) e pela rupia indonésia (-0,56%). O dado reforça que fatores domésticos seguem determinantes para o desempenho relativo das moedas, mesmo em um ambiente global mais favorável a ativos fora dos Estados Unidos.
Para a Elos Ayta, o comportamento do câmbio neste início de ano sintetiza um cenário atípico: dólar mais fraco de forma disseminada, moedas emergentes selecionadas se destacando e o real figurando entre as principais valorizações globais, algo pouco frequente na história recente.
Conteúdo: Elos Ayta
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