Inflação abaixo do esperado aquece debate sobre os juros | Análise por Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (09) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e o acumulado de 2025. A inflação no mês foi de 0,33 por cento, acima dos 0,18 por cento de novembro, mas levemente abaixo dos 0,35 por cento de mediana das expectativas.
No acumulado de 12 meses, a inflação foi de 4,26 por cento, uma queda de 0,57 ponto percentual em relação aos 4,83 por cento da inflação de 2024 e abaixo do teto da meta, que é de 4,50 por cento. Segundo o IBGE, o resultado foi o menor para um mês de dezembro desde os 0,15 por cento do último mês de 2018. O resultado anual também foi o menor desde os 3,75 por cento de 2018.
O maior impacto positivo veio do grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79% em 2025, principalmente devido ao aumento das tarifas de energia elétrica. O maior impacto negativo veio de Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice. Os preços desaceleraram dos 7,69 por cento de 2024 para 2,95 por cento em 2025, especialmente por conta da alimentação no domicílio, que passou de 8,23% para 1,43%.
A inflação de 2025 ficou abaixo da meta. E para 2026, a expectativa no mercado financeiro é de uma inflação de 4,06%, segundo a primeira edição deste ano do Relatório Focus, do Banco Central (BC). Apesar de estar dentro do limite de tolerância, a inflação segue consistentemente acima do teto da meta, o que deverá alimentar o debate sobre os juros.
O Banco Central (BC) vem praticando a política monetária mais apertada em quase 20 anos, mantendo as taxas no nível mais alto desde junho de 2006. Mesmo assim, a inflação segue consistentemente muito acima da meta, e passou quase todo o ano de 2025 acima do limite máximo.
Isso ocorre pela desancoragem das expectativas dos agentes econômicos e pelo desequilíbrio das contas públicas, devido aos gastos elevados do governo. Investidores avaliam que o Banco Central seguirá restritivo por mais tempo, diante da dificuldade de convergência do IPCA para a meta. A política monetária segue condicionada à trajetória das expectativas inflacionárias, que continuam desancoradas nos horizontes de 2026 e 2027.
O desequilíbrio fiscal é apontado como um dos principais vetores de risco. Os investidores observam com cautela a evolução das contas públicas e a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais anunciadas. A percepção é de que a expansão de gastos, sem contrapartidas claras de receita, pressiona os prêmios de risco e dificulta o trabalho do BC.
Autor: Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante.
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