Bossa Invest aposta em infraestrutura financeira e investida supera R$ 3 bilhões em operações

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O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 283 bilhões em ofertas entre janeiro e maio de 2026, crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foram 1.156 operações concluídas, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios captaram R$ 41,7 bilhões, alta de 36,5%, e responderam por 406 emissões no período. O avanço mostra que empresas brasileiras passaram a buscar com mais frequência alternativas ao financiamento bancário tradicional, recorrendo a fundos, debêntures, notas comerciais e outras estruturas de crédito privado. Essa expansão, no entanto, também aumentou a complexidade do mercado: originadores, gestores, investidores e prestadores de serviços precisam analisar documentos, registrar ativos, acompanhar pagamentos e distribuir informações em operações que envolvem diferentes sistemas e participantes. O crescimento desse volume abriu uma nova frente para o capital de risco, que passou a olhar não apenas para as fintechs que oferecem produtos financeiros ao consumidor, mas também para empresas responsáveis pela infraestrutura utilizada nos bastidores do mercado de capitais.

A expansão do crédito privado também mudou o radar dos investidores de venture capital, que passaram a observar empresas responsáveis pela tecnologia e pelos processos que sustentam essas operações. Entre essas apostas está a AmFi, investida da Bossa Invest especializada em crédito estruturado. A escolha acompanha uma mudança no próprio setor, que deixou de concentrar atenção apenas em fintechs voltadas ao consumidor e passou a olhar também para negócios que fornecem infraestrutura a bancos, fundos e gestoras. Nesse segmento, a escala não depende necessariamente de conquistar milhões de usuários, mas da capacidade de processar volumes crescentes com segurança, padronização e integração entre diferentes instituições. “Durante muito tempo, o mercado olhou principalmente para fintechs que apareciam na ponta, oferecendo contas, cartões ou meios de pagamento. A infraestrutura ficou em segundo plano, embora seja ela que sustente boa parte das operações. O investimento na AmFi partiu da leitura de que o crescimento do crédito privado exigiria empresas especializadas nessa camada”, afirma Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest.

A AmFi superou R$ 3 bilhões em operações estruturadas e registrou crescimento de 700% em 2025. A empresa conecta originadores de crédito, gestores e investidores institucionais, sem funcionar como banco ou conceder empréstimos diretamente com recursos próprios. Para a Bossa, o desempenho da investida funciona menos como uma confirmação isolada de acerto e mais como um sinal de que o mercado de infraestrutura financeira ganhou espaço entre os investidores de risco. A tese, no entanto, depende de fatores que vão além da tecnologia, como regulação, governança, qualidade dos ativos e capacidade de integrar participantes com interesses distintos. “Ultrapassar R$ 3 bilhões em operações mostra que existe demanda por esse tipo de infraestrutura, mas também aumenta a responsabilidade da empresa. Quanto maior o volume, maior precisa ser o controle sobre processos, risco e informação. Para o investidor, essa evolução é relevante porque mostra se a startup consegue transformar uma solução técnica em uma operação consistente”, completa Tomazela.