Enquanto 95% dos trabalhadores brasileiros sofrem com preocupação financeira, somente 8% das empresas oferecem algum tipo de apoio, programa ou consultoria especializada
O estresse financeiro tem se consolidado como um dos principais desafios para o setor de RH. É o que aponta a 5ª edição da pesquisa Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, realizada pela fintech Onze em parceria com a Icatu Seguros. O levantamento revela que 95% dos trabalhadores possuem algum tipo de preocupação financeira, enquanto apenas 8% das empresas oferecem alguma iniciativa voltada para esse aspecto, como consultoria especializada, apoio e/ou programa de educação financeira.
Os dados mostram que a questão vai além da vida pessoal e impacta diretamente a relação com o trabalho: 45% dos profissionais acreditam que a preocupação excessiva com as finanças afeta sua produtividade, e 79% afirmam perder mais de uma hora por semana de trabalho devido ao estresse financeiro. Além disso, mais da metade dos respondentes (65%) relata ter desenvolvido ansiedade por esse motivo.
Realizado entre 26 de maio e 1º de junho, o estudo ouviu 8.391 pessoas em todo o país e mostra que 42% dos brasileiros consideram o dinheiro como sua principal preocupação atualmente, à frente de Saúde (22%), Família (15%), Violência (10%), Política (6%) e Trabalho (5%). O resultado mantém as finanças na liderança do ranking pelo quinto ano consecutivo.
Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, comenta que os números ajudam a evidenciar uma mudança importante de cenário para o RH. “A saúde financeira deixou de ser uma pauta individual e passou a fazer parte da estratégia de cuidado das empresas. Quando o colaborador chega ao trabalho preocupado com dívidas, falta de reserva ou dificuldade para fechar o mês, essa pressão pode impactar foco, bem-estar, produtividade e até a forma como ele enxerga o pacote de benefícios”.
Para se ter uma ideia, 70% dos respondentes considerariam trocar de emprego ou permaneceriam mais tempo na mesma companhia se houvesse algum benefício voltado ao bem-estar financeiro. Os profissionais revelaram que gostariam que as companhias abordassem mais temas como relação entre finanças e saúde mental (42%), orçamento e controle financeiro (38%), construção de reserva financeira (37%) e organização de dívidas (32%).
De acordo com Rocha, o tema também gera um custo relevante para as organizações. “O estresse financeiro pode ser observado por indicadores já conhecidos pelo RH, como o índice de turnover, número de pedidos de afastamento e queda da produtividade. Por isso, é preciso olhar para benefícios financeiros não apenas como diferencial de atração e retenção, mas como uma ferramenta concreta para apoiar seus colaboradores em um dos pontos que mais afetam sua rotina atualmente”, afirma o executivo.
Como forma de ajudar a dimensionar esse impacto nos negócios, a Onze desenvolveu a Calculadora do Estresse Financeiro. A ferramenta permite estimar o custo invisível que a preocupação financeira dos colaboradores pode gerar anualmente para a empresa, além de dar visibilidade à parcela do time que já compromete parte da renda com empréstimos e dívidas.
Responsabilidade financeira familiar
O peso da responsabilidade financeira familiar ajuda a explicar tamanha preocupação dos profissionais. Entre os entrevistados, 78% possuem ao menos um dependente total ou parcial de sua renda. E a ausência de mecanismos de proteção continua sendo um desafio relevante. Mais da metade dos respondentes (56%) afirma não possuir reserva de emergência, indicador que permanece no topo do levantamento pelo quarto ano consecutivo.
O estudo revela ainda que 63% não possuem qualquer tipo de proteção financeira para situações como morte ou invalidez e que 89% nunca buscaram consultoria ou orientação especializada para organizar as finanças ou sair das dívidas. O dado reforça a importância de soluções que combinem educação financeira, planejamento e amparo financeiro para as famílias em situações inesperadas, especialmente no ambiente corporativo, onde empresas podem ampliar o acesso dos colaboradores a benefícios capazes de apoiar suas famílias em momentos de maior vulnerabilidade.
A preocupação com o futuro também aparece nos dados relacionados à aposentadoria. Entre os entrevistados, 34% acreditam que continuarão trabalhando após se aposentar por necessidade financeira. Outros 28% afirmam que pretendem depender exclusivamente da renda do INSS.
“Quando uma pessoa não tem reserva de emergência e ainda convive com orçamento apertado ou dívidas, pensar no futuro pode parecer distante. Mas é justamente nesse cenário que proteção e planejamento ganham importância. A pesquisa mostra que muita gente está tentando equilibrar as necessidades do mês com a construção de alguma segurança para o futuro — seja para a aposentadoria, seja para enfrentar situações inesperadas que podem afetar a renda e a família. Esse é um desafio estrutural e não se resolve apenas com um produto. Ele passa por orientação, acesso e por soluções que ajudem as pessoas a se organizarem melhor ao longo da vida”, afirma Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros.
Segundo Diniz, é nesse contexto que a previdência privada ganha relevância. “A previdência ajuda a criar disciplina de longo prazo e a formar patrimônio com uma finalidade clara. Mas, dentro das empresas, essa conversa pode ir além. Quando o colaborador tem acesso à educação financeira, soluções de proteção, previdência e orientação especializada, ele passa a enxergar o planejamento financeiro como algo mais próximo da sua realidade. As empresas têm um papel importante nessa jornada, porque conseguem levar esse cuidado para dentro da rotina das pessoas e tornar a proteção financeira mais acessível”, completa.