Embalagens para bebidas em lata – como cervejas, água, refrigerantes e energéticos – lideram o consumo de alumínio no país, segundo ABAL
Às vésperas do Carnaval de 2026, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) destaca a reciclagem de latas de alumínio como um dos exemplos mais bem-sucedidos de economia circular no país. Presente em blocos de rua, desfiles e grandes eventos, a lata de alumínio se consolida como símbolo da festa e, ao mesmo tempo, de um sistema de reciclagem eficiente, inclusivo e estratégico.
Em 2025, iniciativas realizadas durante o Carnaval reforçaram esse protagonismo. A Novelis, indústria de laminação e reciclagem de alumínio, adquiriu cerca de 160 toneladas de latinhas nos carnavais de Recife, Olinda, Salvador e São Paulo, em parceria com cooperativas de catadores locais. Após a coleta e separação, o material foi encaminhado à fábrica de chapas de Pindamonhangaba (SP), considerada o maior Complexo Integrado de Laminação e Reciclagem de Alumínio do mundo.
No Rio de Janeiro, a estimativa é de que aproximadamente 10 toneladas de latinhas sejam recolhidas durante os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). O potencial do evento já foi comprovado em edições anteriores: em 2023, o Carnaval carioca entrou para o Guinness, o livro dos recordes, pela quantidade de latas coletadas, consolidando a festa como vitrine para práticas sustentáveis em larga escala.
De acordo com levantamento da ABAL, o segmento de embalagens é atualmente o maior consumidor de produtos transformados de alumínio no Brasil, respondendo por 32% do volume total consumido no país entre janeiro e setembro de 2025. No período, foram destinadas 451,5 mil toneladas de alumínio para esse segmento, um crescimento de 0,9% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado principalmente pelo desempenho da produção de latas para bebidas. Em 2024, o Brasil reciclou 97,3% das latas de alumínio para bebidas comercializadas, o equivalente a 33,9 bilhões de unidades.
A reciclagem é um pilar estratégico da cadeia do alumínio no Brasil: cerca de 60% do alumínio consumido no país tem origem reciclada, o dobro da média mundial. Para Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, o Carnaval ajuda a dar visibilidade a um sistema que funciona o ano inteiro. “As latas chamam a atenção durante a festa, mas a reciclagem do alumínio no Brasil vai muito além do Carnaval. O alumínio reciclado é um pilar para a transição energética, para a reindustrialização verde e para economia circular. Esse modelo coloca o Brasil como referência internacional e mostra como o alumínio pode ser um aliado estratégico na transição para uma economia de baixo carbono”, afirma.