Taxa de fraude chega a 1,37% em agosto; número de ocorrências sobe 5,7%, enquanto ticket médio recua
As tentativas de fraude no comércio eletrônico brasileiro cresceram pelo segundo mês consecutivo em agosto, reforçando uma mudança de tendência no início do segundo semestre. Segundo o Índice de Fraude da Equifax BoaVista, a taxa de operações identificadas com indícios de fraude passou de 1,21% em julho para 1,37% em agosto, alta de 13,2% na comparação mensal.
O movimento ocorre após seis meses consecutivos de queda no indicador durante o primeiro semestre. Em julho, a taxa já havia avançado de 1,08% para 1,21%, sinalizando uma retomada da atividade dos fraudadores em um período que antecede algumas das principais datas comerciais do ano.
Em agosto, foram registradas 285,3 mil tentativas de fraude, ante 269,9 mil no mês anterior, crescimento de 5,7%. A alta ocorreu mesmo com redução de 6,3% no volume de transações analisadas por suspeita, que passou de 22,3 milhões para 20,9 milhões.
Fraudes ficam mais pulverizadas
Apesar do aumento no número de ocorrências, o valor financeiro associado às tentativas de fraude recuou 3,4%, de R$ 277,6 milhões para R$ 268,2 milhões.
Com isso, o ticket médio das operações fraudulentas caiu 8,6%, passando de R$ 1.028,82 em julho para R$ 940,07 em agosto. O comportamento pode indicar uma estratégia mais pulverizada, com maior número de tentativas de menor valor.
Segundo a Equifax BoaVista, esse tipo de movimentação exige atenção porque os fraudadores podem alterar rapidamente suas estratégias na tentativa de reduzir a exposição aos sistemas de prevenção.
Black Friday entra no radar
Para a companhia, a retomada observada em julho e agosto está relacionada à sazonalidade do segundo semestre. Nesse período, varejistas começam a se preparar para datas de maior movimentação, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, enquanto fraudadores também intensificam suas ações.
Parte dessa preparação pode ocorrer com antecedência, por meio da criação de contas, utilização de informações obtidas em vazamentos de dados e reprodução de comportamentos semelhantes aos de consumidores legítimos.
“Depois de um primeiro semestre de queda, o segundo semestre começa a mostrar uma retomada das tentativas de fraude. O desafio não está apenas no aumento das ocorrências, mas também na capacidade dos fraudadores de adaptar rapidamente seus padrões de comportamento”, afirma Juliano Manrique, superintendente de Produtos de ID & Fraud da Equifax BoaVista.
Tecnologia ganha peso na prevenção
Com o aumento da sofisticação dos ataques, a recomendação aos varejistas é reforçar as camadas de prevenção antes das principais datas promocionais do ano.
O uso combinado de dados, inteligência artificial e modelos de análise comportamental permite identificar inconsistências e sinais de risco em tempo real, ajudando a diferenciar operações legítimas de potenciais fraudes sem aumentar desnecessariamente o atrito para consumidores.
O Índice de Fraude da Equifax BoaVista acompanha o comportamento das tentativas de fraude no comércio eletrônico nacional e monitora tendências relacionadas a risco digital, comportamento de consumo e movimentação dos fraudadores.