Mesmo em um ambiente econômico marcado por cautela no consumo e maior atenção ao orçamento, as pequenas reformas residenciais seguem aquecidas no Brasil e continuam movimentando o setor da construção civil. O comportamento reflete uma mudança clara na forma como os brasileiros lidam com o imóvel, priorizando melhorias pontuais em vez de grandes obras ou mudanças de endereço.
Um estudo divulgado pela Juntos Somos Mais, joint venture formada por Votorantim, Gerdau e Tigre, mostra que as reformas de pequeno porte permanecem como prioridade entre consumidores brasileiros justamente por exigirem menor investimento inicial e apresentarem retorno rápido em conforto, funcionalidade e valorização do imóvel.
A preferência por intervenções menores também aparece em pesquisas de intenção de consumo. Um levantamento do Senac indica que reformas leves, como pintura, manutenção elétrica e hidráulica e troca de revestimentos, estão entre as principais demandas do público, especialmente em períodos de maior incerteza econômica, quando o consumidor evita compromissos financeiros de longo prazo.
Outro indicador relevante mostra que o interesse por obras permanece elevado no médio prazo. Pesquisa divulgada pelo LocadoresBR aponta que 53% dos brasileiros pretendem realizar alguma modificação ou obra em seus imóveis nos próximos dois anos, mesmo sem planejamento detalhado no momento da consulta, o que reforça a resiliência do segmento.
Para Diego Schiano, VP da Casa do Construtor, esse comportamento revela um consumidor mais estratégico. “Mesmo em cenários de cautela econômica, o brasileiro continua investindo no próprio imóvel. A diferença é que hoje ele prioriza reformas menores, bem planejadas e com impacto imediato na qualidade de vida”, afirma.
O envelhecimento do parque imobiliário brasileiro também contribui para esse movimento. Dados do IBGE mostram que grande parte dos imóveis do país tem mais de duas décadas de construção, o que aumenta a necessidade de manutenções periódicas e pequenas atualizações estruturais e estéticas.
Além disso, análises da CBIC indicam que, mesmo com oscilações no ritmo da economia, atividades ligadas a reformas e manutenção tendem a apresentar maior estabilidade do que grandes obras, justamente por estarem associadas a necessidades imediatas do dia a dia das famílias.
“As pequenas reformas se consolidaram como uma alternativa inteligente para quem deseja melhorar o imóvel sem comprometer o orçamento”, reforça Schiano. “São projetos que permitem flexibilidade de investimento e entregam resultados rápidos para o cliente.”
O acesso a linhas de crédito específicas para reformas e a possibilidade de parcelamento de serviços e equipamentos também ajudam a manter o segmento ativo, tornando viável a execução de melhorias mesmo em períodos de maior seletividade financeira.
A avaliação de Schiano é que, em 2026, as pequenas reformas devem seguir como um dos segmentos mais resilientes da construção civil, impulsionadas pela combinação de necessidade, planejamento financeiro e valorização do lar, independentemente dos ciclos econômicos.