Prazo médio em operações com duplicatas cai para 46,5 dias em julho e atinge menor nível da série 

FIDCs

Indicador recuou 3,4 dias em relação a junho e ficou abaixo do piso anterior, registrado em fevereiro; deságio permaneceu estável em 2,88% ao mês e volume por cliente voltou a crescer 

O prazo médio das operações de antecipação de duplicatas caiu para 46,50 dias em julho, ante 49,90 dias em junho, atingindo o menor nível da série histórica acompanhada pela Quick Soft desde setembro de 2025. Até então, o piso havia sido registrado em fevereiro deste ano, quando o indicador chegou a 47,91 dias. Os dados são da Quick Soft, empresa de tecnologia especializada no mercado de antecipação de recebíveis, com atuação voltada a FIDCs, securitizadoras, factorings e demais agentes da cadeia de crédito estruturado. 

A redução observada em julho chama atenção por romper o intervalo relativamente estreito no qual o prazo médio vinha oscilando nos dez meses anteriores. Entre setembro de 2025 e junho de 2026, o indicador havia permanecido entre 47,91 e 51,05 dias. Em julho, ficou 3,4 dias abaixo dos 49,90 dias registrados no mês anterior. 

“O prazo das operações vinha mostrando bastante estabilidade ao longo da série. A queda de julho é, portanto, um movimento que merece acompanhamento nos próximos meses. Ela pode refletir tanto uma mudança no perfil dos recebíveis disponíveis no mercado quanto uma maior preferência dos financiadores por exposições mais curtas”, afirma Rodrigo Eddine, co-CEO da Quick Soft. 

Deságio interrompe sequência de altas 

A taxa média de desconto praticada nas operações permaneceu em 2,88% ao mês em julho, mesmo patamar de junho. A estabilidade interrompe uma sequência de duas altas consecutivas: o indicador havia passado de 2,75% em abril para 2,77% em maio e, posteriormente, para 2,88% em junho. 

O comportamento de julho sugere uma acomodação após a reprecificação observada nos dois meses anteriores. Desde o início de 2026, o deságio permanece abaixo dos níveis registrados no último trimestre de 2025, quando chegou a atingir 3,14% ao mês em novembro. 

A estabilização ocorreu em um mês de sinais mais favoráveis no ambiente de inflação e crédito. O IPCA-15 avançou 0,06%, enquanto as projeções de mercado indicaram redução das expectativas para a inflação e para a taxa Selic ao final de 2026.  

“Depois das altas de maio e junho, julho mostra que não houve continuidade imediata do movimento de elevação do deságio. Ainda é cedo para determinar um novo patamar para as taxas, mas a estabilidade indica um maior equilíbrio entre percepção de risco, custo do dinheiro e demanda por crédito”, avalia Eddine. 

Volume por cliente volta a crescer 

O levantamento da Quick Soft mostra ainda que o volume de operações processadas por cliente apresentou alta de 0,9% em julho, revertendo parcialmente a queda de 4,6% registrada em junho. A recuperação ocorre após a primeira retração relevante do indicador desde dezembro de 2025. Entre fevereiro e maio, o volume por cliente havia apresentado quatro meses consecutivos de expansão. 

O movimento ocorre em um contexto de crescimento do crédito livre para empresas. Segundo o Banco Central, o saldo dessa carteira avançou 1,9% em junho, com parte relevante desse crescimento atribuída às operações de desconto de recebíveis. O avanço de 0,9% no volume por cliente em julho é coerente com esse cenário de uso sustentado da antecipação de recebíveis.  

“Os próximos meses serão importantes para entender se essa retomada do volume representa uma reversão da queda observada em junho ou apenas uma estabilização das operações”, analisa Eddine. 

Prazo médio será indicador de atenção nos próximos meses 

Com o deságio estabilizado e o volume por cliente novamente positivo, a queda do prazo médio se destaca como o principal movimento de julho. A manutenção do indicador abaixo da faixa observada até junho poderá sinalizar uma mudança mais persistente no perfil dos recebíveis ou nas condições de concessão de crédito. Uma recuperação nos próximos meses, por outro lado, reforçaria a leitura de que o recuo foi pontual. 

Desde o início do acompanhamento da Quick Soft, em setembro de 2025, o prazo médio das operações havia permanecido entre 47,91 e 51,05 dias. Julho foi o primeiro mês a romper esse intervalo, ao registrar 46,50 dias.  

Sobre a Quick Soft 

A Quick Soft é uma empresa brasileira de tecnologia especializada no mercado de antecipação de recebíveis e crédito estruturado, com atuação voltada a FIDCs, securitizadoras, factorings e demais agentes da cadeia de crédito. Com mais de 30 anos de operação, a companhia desenvolve soluções para gestão, formalização, registro e escrituração de operações, em um portfólio que inclui produtos como o Qprof, sistema de gestão para operações de recebíveis, o Qcertifica, plataforma de assinatura digital, o Qregistro, voltado ao registro de duplicatas, e o Qescritural, solução ligada ao novo ambiente regulado de duplicata escritural. Após as aquisições da Finanblue e da RGBtec, as plataformas combinadas do grupo passam a atender mais de 1.200 clientes e superam R$ 400 bilhões em volume transacionado por ano.