Especialista explica a diferença real entre ensino bilíngue, escola bilíngue e inglês diário

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À medida que a globalização e a competitividade por fluência em idiomas aumentam, cresce no Brasil o debate sobre o que realmente significa oferecer inglês nas escolas. Diferenciar ensino bilíngue, escola bilíngue e inglês todos os dias é essencial para gestores educacionais que buscam decisões estratégicas apoiadas em qualidade pedagógica e aderência ao currículo nacional.

Para entender essas diferenças, Vanessa Codecco, head pedagógica do Twice Bilingual, sistema de ensino bilíngue da Rhyzos Educação, explica cada modalidade:

Ensino bilíngue: “Ele caracteriza-se por integrar outro idioma, frequentemente o inglês, como meio de instrução em disciplinas curriculares, como matemática, ciências e história, além da língua portuguesa. Nesse modelo, o segundo idioma convive de forma significativa na rotina escolar e favorece o pensamento e a compreensão cultural em ambos os idiomas. A educação bilíngue busca promover fluência funcional e competência intercultural, aproximando-se do que se pratica em programas integrados de língua e conteúdo”, detalha Vanessa.

Escola bilíngue: Já a escola bilíngue é a instituição que adota integralmente uma proposta educacional em dois idiomas, vivendo o português e o inglês de forma intensa e cotidiana em todas as dimensões da rotina escolar. Nesse modelo, o inglês não apenas permeia disciplinas e projetos, mas estrutura a experiência educacional como um todo, o que exige que toda a equipe pedagógica — professores, coordenação e liderança acadêmica — seja fluente no idioma. Diferentemente das escolas que seguem estritamente a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), muitas escolas bilíngues operam com currículos próprios ou internacionais, nos quais o currículo nacional ocupa um papel secundário. Essa configuração está geralmente associada à preparação de estudantes para trajetórias acadêmicas no exterior e a uma carga horária elevada em língua inglesa, o que torna o modelo altamente especializado, segundo Codecco. 

Inglês todos os dias – “Em contraste, oferecer inglês todos os dias dentro de uma escola regular significa simplesmente incluir aulas diárias da disciplina de inglês no currículo. Embora isso represente um avanço em relação a aulas esporádicas, que ocorrem uma ou duas vezes por semana, o objetivo principal ainda é o ensino do idioma como matéria isolada, focado em vocabulário, gramática e comunicação básica, sem promover imersão nem integrar conteúdos de outras áreas do conhecimento. Desta forma, o aluno aprende inglês, mas não aprende por meio dele”, complementa a head pedagógica. 

Dados recentes da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) indicam que o Brasil conta com aproximadamente 1.350 escolas com ensino bilíngue, enquanto o número de escolas internacionais, que seguem currículos estrangeiros, é de cerca de 85 instituições, que podem ultrapassar os R$ 15 mil em mensalidade. Em comparação, as mais de 160 mil escolas de educação básica brasileiras oferecem principalmente inglês como disciplina curricular regular. 

Em termos pedagógicos, os gestores também devem observar a formação docente e os métodos adotados. A eficácia de uma proposta bilíngue depende tanto da proficiência em inglês dos professores quanto da integração curricular dos conteúdos, garantindo que o aprendizado linguístico ocorra de forma contextualizada e funcional.

“Distinguir esses modelos é uma escolha que impacta diretamente a coerência do projeto pedagógico e a aprendizagem dos alunos. Um currículo bilíngue exige planejamento e uma visão clara sobre os objetivos educacionais que se quer alcançar”, conclui Vanessa Codecco.