Como montar uma carteira de investimentos do zero em 2026?

Educação Financeira Finanças

Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, ensina como investir com método, planejamento e disciplina, começando pela reserva de emergência e avançando para uma carteira diversificada entre renda fixa, renda variável e ativos globais.

Montar uma carteira de investimentos do zero em 2026 passa menos pela busca do ativo da vez e mais pela construção de uma estratégia coerente. Essa é a linha defendida por Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital. Segundo ela, a formação de patrimônio não começa com palpites sobre ações ou movimentos de curto prazo, mas com organização, planejamento e entendimento sobre o papel de cada classe de ativo dentro da carteira. “A verdade que ninguém te fala é que investir de verdade não é descobrir qual é a ação que vai disparar. Investir profissionalmente é montar uma estrutura e ter um mapa, um planejamento financeiro”, diz.

A avaliação parte de um incômodo comum entre muitos brasileiros: o de trabalhar, ganhar dinheiro e, ainda assim, terminar o mês sem a sensação de avanço real no patrimônio. Na leitura da especialista, isso acontece porque muita gente entra no mercado financeiro sem método e passa a tomar decisões guiadas por ruído, recomendação solta ou impulso. O resultado é uma carteira desorganizada, sem lógica interna e vulnerável a qualquer oscilação mais forte.

Por isso, antes mesmo de falar em percentuais ou em produtos específicos, ela coloca a reserva de emergência como a primeira etapa da jornada. Não se trata de um detalhe operacional, mas da base que sustenta o restante da estratégia. “O primeiro passo do seu mapa não é comprar nada, é montar a sua reserva de emergência. Eu sei que parece chato, mas a reserva é o que te dá o estômago para ser o investidor de verdade”, diz. Na prática, a orientação é simples: criar um colchão financeiro capaz de absorver imprevistos sem obrigar o investidor a vender ativos em um momento ruim apenas para pagar contas do dia a dia.

Na explicação de Andressa, essa reserva deve estar em um investimento com liquidez e segurança, como Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária de um banco sólido. O ponto central, de acordo com a especialista, não é perseguir rentabilidade máxima nessa fase, mas assegurar disponibilidade imediata: “A recomendação é acumular algo entre seis e 12 meses do custo de vida, justamente para que uma demissão, uma emergência ou qualquer gasto inesperado não comprometa a estratégia inteira logo na largada”.

Com essa etapa concluída, Andressa indica a renda fixa, que, em sua visão, segue tendo papel central no Brasil de 2026. Em um ambiente de juros elevados, ela vê essa classe como a base de sustentação da carteira, mas faz uma distinção importante entre os instrumentos. “O pós-fixado atrelado ao CDI serve melhor ao dinheiro que pode ser usado em prazo mais curto, enquanto o IPCA+ é peça-chave para quem quer preservar poder de compra e crescer patrimônio ao longo do tempo”, afirma.

Na visão de Andressa, essa base em renda fixa precisa ter peso relevante para quem está começando. Segundo ela, uma carteira equilibrada deve concentrar entre 40% e 60% nessa camada, funcionando como uma âncora capaz de dar previsibilidade e estabilidade ao portfólio. Só depois disso a renda variável entra como vetor de escala patrimonial. Ainda assim, a especialista não sugere apostas em empresas de promessa e narrativa, mas exposição a negócios lucrativos, com pouca dívida e atuação em setores perenes, além de fundos imobiliários e ETFs para diversificação mais ampla.

Outro ponto que Andressa considera indispensável é a exposição internacional. Para a especialista, deixar 100% do patrimônio concentrado no Brasil significa assumir um risco excessivo, especialmente por causa da volatilidade do real e da dependência do cenário doméstico. A recomendação, portanto, é manter uma parcela da carteira em ativos globais, inclusive como forma de amortecer perdas em momentos de crise local: “O ideal é ter pelo menos de 10 a 20% da sua carteira em ativos globais lá fora”.

No fim, o que Andressa propõe é um roteiro de construção patrimonial baseado em sequência lógica, disciplina e menos improviso. “Em vez de correr atrás de oportunidades isoladas, invista na reserva de emergência primeiro, a renda fixa vem depois garantindo proteção e estabilidade, a renda variável entra com critério e a parcela internacional reduz a dependência do Brasil. Investir bem não exige adivinhação, mas estrutura”, conclui.