No Brasil, empreender ainda exige mais do que capital, exige capacidade de reorganizar rota antes que a operação perca tração. O país abriu mais de 1.600 milhão de empresas entre janeiro e março de 2026, mas 99 mil ou mais já haviam sido encerradas no mesmo recorte, uma taxa inicial de fechamento de 6,07% em apenas 3 meses. O dado mostra um mercado aquecido, com forte formalização e apetite empreendedor, mas também revela uma rotatividade precoce, especialmente em negócios de menor estrutura. A predominância dos MEIs, que somaram 1.148 milhão de empresas e representaram 75% das aberturas, reforça esse retrato, muitos negócios nascem enxutos, com baixa barreira de entrada e alta dependência da capacidade do fundador de organizar gestão, caixa, rotina e tomada de decisão desde o início.
A velocidade com que novos negócios surgem no Brasil também impõe uma cobrança maior sobre a capacidade de gestão dos fundadores. Em empresas que nascem com estrutura enxuta, o crescimento costuma depender menos de uma ideia inicial e mais da habilidade de organizar processos, formar pessoas, acompanhar caixa, delegar decisões e criar rotina antes que a operação se torne maior do que a capacidade de controle do empreendedor. É nesse ponto que a experiência de Victor Reis, presidente do Grupo Med+ e fundador do Instituto Reis, ajuda a ampliar a discussão. Ao reunir parte dessa trajetória no livro “Governe sua vida como um rei”, ele aborda um tema que atravessa empresas em diferentes estágios, a dificuldade de transformar pressão diária em método de liderança. “Eu não escrevi esse livro para romantizar a minha trajetória. O processo foi muito mais difícil do que contar resultados, porque me obrigou a olhar para as decisões que me formaram, inclusive as que vieram em momentos de pressão. Quando você empreende, percebe que não basta querer crescer. É preciso aprender a se conduzir antes de conduzir pessoas, equipes e negócios”, afirma Victor Reis.
Para empresas em expansão, a ausência de método costuma aparecer primeiro nos detalhes da operação, decisões concentradas no fundador, equipes sem autonomia, caixa pouco previsível, contratações feitas por urgência e dificuldade de manter cultura quando o negócio ganha escala. O desafio, portanto, não está apenas em abrir uma empresa, mas em criar condições para que ela sobreviva ao próprio crescimento. A atuação de Victor à frente do Grupo Med+ e no Instituto Reis entra nessa leitura como exemplo de uma transição cada vez mais necessária no mercado brasileiro, sair da lógica da execução individual para uma gestão apoiada em cultura, disciplina e formação de lideranças. “Escrever me fez entender que muita coisa que parece instinto, na verdade, precisa virar consciência. O empresário que não organiza a própria vida tende a reproduzir essa desordem dentro da empresa. O livro nasce dessa percepção, de que liderança começa na forma como você decide, reage, escuta, corrige rota e sustenta aquilo que construiu”, diz Victor.