IPCA de janeiro 2026 não trouxe revisão para a inflação deste ano. Esperamos inflação em 4,2%. – Análise por Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Rena.
Hoje (10/02) foi divulgada a leitura do IPCA de janeiro, em 0,33% na leitura mensal e 4,44% no acumulado dos últimos 12 meses. O número veio abaixo da expectativa da Warren Rena, que estava em 0,37%, e em linha com a mediana da Bloombeg, em 0,32%.
O maior desvio em relação à nossa expectativa ocorreu em Alimentação e Bebidas, que registrou +0,23% (frente à nossa projeção de +0,50%).
A surpresa ficou concentrada em poucos itens, com destaque para a batata-inglesa (+0,66%, contra projeção de +7,20%) e o leite longa vida (-5,59%, contra projeção de -2,00%).
Na margem, alimentação no domicílio se arrefeceu ligeiramente com altas mais amenas de carnes (+0,84%) e deflação de aves e ovos (-1,70%); conforme esperado, há ainda alguma pressão de alimentos in natura, que em fevereiro deverão começar a refletir as quedas no produtor, de acordo com a sazonalidade.
Os Transportes recuaram para +0,60% em janeiro. A pressão baixista partiu de passagem aérea (-8,90%) e transporte por aplicativo, que em dezembro teve forte alta de +13,79% e na leitura de hoje caiu para -17,23%; em contraponto, o reajuste do ICMS vigente a partir de 1º de janeiro pressionou para cima os preços da gasolina (+2,06%).
Vale lembrar que, para as leituras de fevereiro, deve haver algum alívio nos preços do combustível, tendo em vista a redução de 5,2% anunciada pela Petrobras a partir de 27/jan.
Ademais, ônibus urbano (+5,14%) subiu ao refletir reajustes tarifários e o fim das gratuidades de final de ano concedidas em algumas capitais. No sentido contrário, seguro de veículos (-0,64%) e emplacamento e licença (-0,17%) atuaram em sentido baixista.
Destacamos também os grupos afetados pela devolução dos descontos concedidos durante a Black Friday. Os efeitos das devoluções dos descontos tiveram maior efeito no IPCA-15 de janeiro, mas no fechamento do mês ainda houve algumas fontes de pressão.
Vimos aceleração de itens de higiene pessoal (+1,20%), ao passo que os Artigos de residência cederam para +0,20% e Vestuário teve queda, de -0,25%.
No grupo Habitação, que registrou -0,11%, energia elétrica voltou a cair (-2,73%), em vista da mudança da bandeira amarela em dezembro para verde em janeiro. Em sentido altista, houve reajustes da taxa de água e esgoto (+2,56%) em capitais importantes, bem como aumento de aluguel residencial (+0,76%).
Os núcleos não dessazonalizados registraram +0,45% na leitura mensal e +4,51% no acumulado em 12 meses, permanecendo em níveis elevados. Sua média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada também não deu sinais de alívio, ao avançar para 3,9%, após ceder por cinco meses seguidos.
Os serviços subjacentes se sustentaram em +0,56%, com o avanço de alimentação fora do domicílio (+0,60%) e recreação (+0,49%).
A mediana dessazonalizada dos itens de serviços subiu na margem, para patamar próximo de 6,5%, assim como a medida dessazonalizada de itens inerciais, que aumentou para 5,8%.
A média móvel de 3 meses dessazonalizada e anualizada de serviços subjacentes, entretanto, cedeu para 4,99% (frente a 5,10% em dezembro).
Iremos continuar com nosso call de que as medidas de serviços não mostrarão alívio ao longo do ano, dado seu patamar ainda elevado e o cenário aquecido do mercado de trabalho.
📌 Em síntese, o IPCA de janeiro veio em linha com a mediana, com núcleos em 0,45% MoM e 4,51% YoY. Serviços subjacentes e intensivos em mão de obra cederam levemente na ponta, mas seguem pressionados. Mantemos nossas projeções para o IPCA em 4,2% para 2026.
Números da projeção de curto prazo:
* IPCA de fevereiro 0,43% risco: 🔼 estamos considerando mensalidade escolar perto de 6% e desconto forte da semana do cinema; pode haver também repasse mais fraco da redução da gasolina.
* IPCA de março 0,24% risco: 🔽 semana do cinema e queda mais forte de alimentos in natura.
* IPCA de abril 0,35% risco: 🔼 alta mais forte de alimentos in natura.
Autora: Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren .
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