Real deve ganhar força em 2026 e exigirá resiliência das empresas | Artigo por Raissa Florence, economista e sócia da Oz Câmbio*
A dinâmica cambial em 2026 aponta para um movimento estrutural relevante: o real tende a entrar em um ciclo mais consistente de valorização, segundo Exchange Rates, impulsionado pela materialização dos cortes de juros nos Estados Unidos e pela recomposição do diferencial de taxas de juros, que volta a tornar o Brasil mais atrativo para investidores globais, especialmente por meio de operações de carry trade.
Esse movimento ocorre após um período de ajustes relevantes no fluxo de capitais, marcado pela antecipação da distribuição de dividendos ao longo de 2025, motivada pela aprovação do PL 1087/2025, que passou a tributar, a partir de janeiro de 2026, em 10% os lucros e dividendos pagos a pessoas físicas quando os valores superam R$ 50 mil mensais.
Com o encerramento dessa janela de antecipação, a pressão extraordinária de saída de capital tende a se dissipar em 2026, reduzindo um fator relevante de estresse sobre o câmbio.
O comportamento do câmbio segue respondendo ao risco percebido, à atratividade relativa dos juros e ao fluxo internacional de capitais.
Com a efetiva redução das taxas de juros norte-americanas ao longo de 2026, o Brasil volta a ganhar protagonismo como destino de capital financeiro, sobretudo para investimentos em renda fixa.
Essa leitura se sustenta nas sinalizações do Federal Reserve consolidadas ao longo de 2025, que indicaram um ciclo gradual de flexibilização monetária.
Em 2026, o mercado passa a operar menos expectativas e mais fatos, o que historicamente favorece economias emergentes com juros reais elevados, como o Brasil.
A pergunta central, portanto, em 2026, deixa de ser sobre oscilações pontuais do dólar e passa a ser como as empresas devem se posicionar diante de um ambiente que combina menor estresse externo com uma trajetória mais clara de valorização do real.
Embora o Brasil siga entre os países com maiores taxas reais de juros, de 9% ao ano, o foco do mercado em 2026 se desloca da política monetária doméstica para o cenário internacional, especialmente para a consolidação do novo patamar de juros globais.
Esse novo diferencial tende a favorecer uma entrada mais consistente de capital estrangeiro, criando um ambiente mais construtivo para o câmbio.
Em 2026, a valorização do real tende a ampliar assimetrias entre setores porque o câmbio afeta de forma diferente estruturas de custo e formação de preços.
Empresas dependentes de insumos importados, varejo de produtos estrangeiros, companhias aéreas e o turismo internacional se beneficiam diretamente, já que um real mais forte reduz despesas dolarizadas, como matérias-primas, equipamentos, combustíveis, serviços internacionais e contratos indexados ao dólar, ampliando margens ou permitindo maior competitividade nos preços ao consumidor.
Em sentido oposto, exportadoras, setores industriais voltados ao mercado externo e o agronegócio enfrentam um desafio estrutural.
Como suas receitas são majoritariamente dolarizadas e parte relevante dos custos ocorre em reais, a apreciação cambial reduz o valor recebido por dólar exportado, pressionando margens e competitividade frente a concorrentes internacionais, o que exige ganhos adicionais de produtividade, ajustes de preço ou reestruturação de custos para preservar a rentabilidade.
Nesse ambiente, a gestão cambial passa a ser um diferencial competitivo. A distância entre empresas que adotam estratégias ativas, como hedge, renegociação de contratos e diversificação de mercados e moedas, e aquelas expostas passivamente ao câmbio tende a se ampliar, tornando a capacidade de planejamento e antecipação um fator decisivo para o desempenho setorial ao longo de 2026.
Apesar do pano de fundo mais favorável, o câmbio em 2026 não deve seguir uma trajetória linear.
Oscilações nos preços das commodities, ajustes no comércio global, riscos geopolíticos e mudanças regulatórias pontuais continuam a gerar ruídos de curto prazo, uma vez que o mercado reage rapidamente a choques externos e variações de percepção de risco.
Assim, a volatilidade deve ser entendida menos como deterioração do cenário e mais como um movimento natural dentro de um ciclo de apreciação, exigindo das empresas leitura constante do ambiente externo e agilidade na tomada de decisão.
Autora: Raissa Florence é economista e sócia-diretora da Oz Câmbio, corretora de câmbio sediada no Brasil com forte atuação em operações internacionais e análise macroeconômica. Com ampla experiência no mercado de câmbio, fluxos internacionais, política monetária e seus efeitos sobre países emergentes, Raissa é reconhecida por sua abordagem pragmática e analítica das grandes teses macroglobais.
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