Trump sobe o tom sobre a Groenlândia | Análise por Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante
A terça-feira começa com um movimento global de aversão ao risco, com fortes quedas dos contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado. Em postagens na sua rede social, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que “não voltaria atrás” em seu objetivo de controlar a Groenlândia.
Ele não descartou a hipótese de tomar a ilha ártica pela força e criticou os aliados enquanto os líderes europeus lutavam para responder. A Groenlândia está ligada à Dinamarca, que é um dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar entre os Estados Unidos e países europeus que sustentou a segurança ocidental por décadas.
Para reforçar a mensagem, Trump postou uma imagem gerada por Inteligência Artificial de si mesmo na Groenlândia, segurando uma bandeira dos EUA. Outra imagem o mostrava discursando para líderes ao lado de um mapa que incluía o Canadá e a Groenlândia como parte dos Estados Unidos.
Além da ameaça militar, Trump pode reiniciar uma a guerra comercial com a Europa que abalou os mercados e as empresas por meses ao longo de 2025.
A União Europeia ameaçou retaliar com medidas comerciais. Uma opção é um pacote de tarifas sobre 109 bilhões de dólares em exportações americanas para o bloco. A medidas poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses.
Outra opção é o “Instrumento Anticoerção” (ACI), que nunca foi utilizado. Ele poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços, setor no qual os EUA têm superávit com a UEE, incluindo os lucrativos serviços digitais fornecidos por gigantes da tecnologia americanas.
E há uma possibilidade, embora seja tecnicamente difícil de executar, em que os investidores e países europeus reduzam sua exposição ao dólar vendendo os cerca de 8 trilhões de dólares em títulos do Tesouro americano que possuem.
A Europa é o maior credor dos Estados Unidos, possuindo a maior fatia dos “Treasuries” que não pertence a investidores dos EUA. Apesar de a maior parcela dessa fortuna pertencer a investidores privados, que não necessariamente venderiam esses ativos por uma orientação dos governos, a possibilidade de uma redução global ao dólar também provoca solavancos nos mercados.
A má notícia é que não há perspectivas de solução no curto prazo. As declarações de Trump podem ser mais uma das bravatas do presidente americano. Mesmo assim, elas têm o poder de influenciar negativamente a percepção e as expectativas dos investidores, provocando prejuízos no mercado.
Autor: Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante
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