Análise XP julho/2026: Saída de fluxo estrangeiro segue pesando sobre Bolsa brasileira
Veja trechos do relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo):
Junho foi um mês mais fraco para as ações globais (MSCI ACWI, -1,5%), à medida que observamos uma rotação para fora de ações ligadas ao tema de IA durante a segunda metade do mês. As ações brasileiras também registraram um mês negativo, pressionadas por saídas de capital estrangeiro e pela queda dos preços do petróleo, que pesou sobre as ações do setor de Óleo & Gás.
Conflito entre EUA e Irã: caminhando para uma resolução?
O conflito entre EUA e Irã seguiu como um dos principais vetores dos mercados globais. Os dois lados concordaram com um memorando de entendimento de 14 pontos, permitindo temporariamente a reabertura do Estreito de Ormuz, com o tráfego de embarcações comerciais atingindo em junho o maior nível desde o início do conflito.
A trégua, porém, durou pouco, após ataques a embarcações comerciais e uma nova troca de ataques militares. Mais recentemente, ambos os lados concordaram em recuar “por ora” enquanto as negociações continuam.
Embora o cessar-fogo permaneça oficialmente em vigor, ele segue frágil. Nesse ambiente, o preço do Brent caiu 20,8% na comparação mensal, para US$73/barril.
O trade de IA perde força
Após vários meses de desempenho muito forte, as hyperscalers e os nomes de infraestrutura de IA corrigiram em junho, em meio ao aumento das preocupações com preços elevados, planos agressivos de capex, dúvidas sobre a geração de caixa no longo prazo e o acirramento da concorrência chinesa, apesar de resultados sólidos divulgados por empresas como a Micron.
Como resultado, observamos uma rotação dos nomes ligados à IA para setores mais defensivos e mais voltados ao mercado doméstico.
Nos EUA, Saúde (+6,7%), Financeiro (+4,2%) e Industriais (+6,9%) estiveram entre os setores de melhor desempenho do S&P 500 no mês. No cenário doméstico, o Brasil permaneceu pressionado durante a maior parte de junho (…)
Vemos três fatores principais por trás da continuidade do desempenho fraco.
Primeiro, as saídas de capital estrangeiro seguiram como o principal vento contrário, com mais R$8,8 bi deixando o mercado à vista ao longo do mês.
Segundo, embora o Copom tenha entregue o corte de 25 bps amplamente esperado, levando a Selic para 14,00%, o comunicado pós-reunião indicou que precisou estender o horizonte relevante de política monetária em um trimestre para justificar um afrouxamento adicional. Como resultado, vimos uma inclinação de alta da curva de juros, com os juros longos subindo. Embora parte desse movimento tenha sido revertido mais para o fim do mês, ele pesou significativamente sobre as ações brasileiras.
Por fim, a forte queda do preço do petróleo pressionou as ações ligadas ao setor, que têm peso relevante no Ibovespa. …mas houve recuperação no fim do mês (…)
As ações brasileiras se recuperaram nas últimas sessões de negociação de junho, em linha com a correção global das ações de tecnologia e ligadas à IA. Como temos argumentado nos últimos meses, o trade de IA tem sido o principal vetor por trás da recente onda de saídas de capital estrangeiro das ações brasileiras. Assim, uma rotação para fora das ações ligadas à IA tende a beneficiar o Brasil, uma tese mais associada a valor e commodities.
Nesse cenário, o Ibovespa encerrou junho com queda de 1,01% em reais e de 3,2% em dólares, fechando aos 172.024 pontos.
Conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo).
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