No Encontro Anual da S&P Dow Jones Indices, executivos discutiram o crescimento dos fundos de índices, a expansão da renda fixa, a diversificação internacional e o impacto de novas tecnologias sobre o mercado
O mercado brasileiro de ETFs (fundos negociados em bolsa) entra em uma nova etapa de desenvolvimento. O desafio já não é apenas ampliar a oferta de produtos, mas também expandir sua distribuição, aumentar sua presença nas carteiras e aproximar cada vez mais os investidores desse mercado. Essa foi uma das principais mensagens do Encontro Anual Sobre Índices e ETFs, realizado nesta quarta-feira (28), em São Paulo, pela S&P Dow Jones Indices.
“A próxima fase da adoção de ETFs dependerá menos de quantos produtos são lançados e mais de como eles são distribuídos e utilizados pelos investidores”, afirmou Gregory Vadala, diretor-gerente e responsável por vendas nas Américas da S&P Dow Jones Indices, na abertura do encontro.
O evento reuniu representantes de gestoras, instituições financeiras e provedores de índices para discutir as perspectivas do setor no Brasil e no exterior. A programação abordou temas que vão desde a expansão dos ETFs de renda fixa e as oportunidades de diversificação internacional até o uso de derivativos, inteligência artificial, tokenização de ativos e carteiras de investimento baseadas em modelos.
Mercado cresce, mas participação ainda é pequena
O potencial de expansão dos ETFs no Brasil foi um dos pontos destacados por Paulo Eduardo de Souza Sampaio, diretor sênior de vendas para o Cone Sul da América Latina da S&P Dow Jones Indices. Segundo os dados apresentados pelo executivo, os ETFs representam cerca de 1,3% dos cerca de US$ 2,3 trilhões sob gestão da indústria brasileira de fundos. “Esse percentual ainda é pequeno, mas era de 0,5% há cerca de dois anos. Portanto, estamos avançando”, disse o moderador.
Já Vadala ressaltou que o desenvolvimento do mercado brasileiro reflete mudanças na maneira como os investidores utilizam esses instrumentos. Entre os movimentos recentes, o executivo destacou o crescimento dos ETFs de renda fixa, a maior alocação internacional dos investidores brasileiros e a incorporação dos ativos digitais ao universo de investimentos.
A renda fixa, em particular, respondeu pela maior parte dos fluxos para ETFs no Brasil no primeiro semestre de 2026. O movimento indica que esses fundos podem ampliar sua participação nas carteiras também por meio de classes de ativos já consolidadas entre os investidores brasileiros, e não apenas pela renda variável. Neste contexto, ampliar oferta de produtos é apenas parte do caminho. Incorporar os ETFs às estratégias de investimento e ampliar seus canais de distribuição serão fatores importantes para que o mercado continue avançando.
Acesso e educação financeira
A ampliação do acesso aos investimentos esteve entre os temas centrais do painel de abertura, que reuniu Catherine Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices, e Renato Eid Tucci, sócio e responsável por Estratégias Indexadas e Integração ESG do Itaú Asset Management.
Clay destacou que, apesar das diferenças entre os mercados, os ETFs ainda enfrentam barreiras de adoção em diversos países. Para a executiva, a transparência e a simplicidade desses instrumentos podem contribuir para ampliar seu alcance e atrair novos públicos para o mercado de capitais.
A ampliação da base de investidores é um dos indicadores desse movimento no Brasil. Em setembro, o número de investidores em ETFs havia alcançado 945 mil, conforme o dado oficial mais recente citado no evento.
Eid avaliou que o mercado nacional já superou suas fases iniciais de desenvolvimento, após cerca de duas décadas de evolução, mas ainda tem espaço para ampliar a presença dos fundos de índice nas carteiras. “Somos naturalmente um país de renda fixa quando observamos nossas carteiras de investimentos. Por isso, é muito importante mostrar aos investidores e a todo o ecossistema os benefícios de incorporar ETFs de renda fixa aos portfólios”, afirmou. Parte desse avanço passa também por ampliar o conhecimento sobre esses instrumentos. Por serem negociados em bolsa, os ETFs ainda são frequentemente associados à renda variável, mesmo quando acompanham índices de renda fixa. Superar essa percepção pode ajudar os investidores a compreender melhor suas diferentes possibilidades de uso e seu papel na diversificação das carteiras.
Diversificação e novas estratégias
Além da expansão dos ETFs de renda fixa, o encontro discutiu o papel dos índices internacionais na diversificação dos investimentos. Um dos painéis foi dedicado ao S&P 500, e às possibilidades de utilização de estratégias indexadas para ampliar a exposição dos investidores brasileiros aos mercados internacionais.
A programação também explorou estratégias com derivativos e novas formas de utilização de índices em diferentes condições de mercado, além do impacto da inteligência artificial e a tokenização podem influenciar o desenvolvimento de produtos financeiros e ampliar as alternativas disponíveis aos investidores.
Outro tema foi o uso de carteiras-modelo, como ferramenta para apoiar assessores e investidores na construção e alocação de portfólios de acordo com diferentes objetivos. A discussão reforçou a importância de considerar não apenas os produtos disponíveis, mas também a maneira como eles são combinados e incorporados às estratégias de cada investidor. Ao reunir representantes de diferentes segmentos da indústria, o Encontro Anual Sobre Índices e ETFs no Brasil 2026 colocou em perspectiva os avanços e os desafios do mercado brasileiro de ETFs. O crescimento da oferta e da base de investidores mostra a evolução do setor, mas a próxima etapa dependerá cada vez mais da distribuição, educação dos investidores e da efetiva incorporação dos ETFs às carteiras.