O turismo na Rocinha vive um momento de expansão acelerada.
Com o crescimento de 37% no último ano, a maior favela do país transforma suas lajes e vielas em palco de experiências autênticas que movimentam a economia local e atraem visitantes do mundo inteiro.
Crescimento do turismo na Rocinha em 2026
O turismo na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, apresentou um aumento de 37% no número de visitantes em janeiro de 2026 em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Observatório do Turismo Carioca.
A comunidade recebeu cerca de 41 mil visitantes no último ano, consolidando-se como um dos destinos mais procurados do turismo comunitário no Brasil.
A alta é explicada pela popularização de passeios de mototour, visitas às lajes com vista panorâmica da cidade e pelo uso crescente de redes sociais e aplicativos na divulgação dos roteiros.
Mototour e lajes transformam experiência de visita
Entre as principais atrações estão os passeios de mototour, que oferecem agilidade e segurança na locomoção, e as visitas às lajes, de onde os turistas têm uma das vistas mais amplas do Rio.
“Hoje, o visitante vem buscar uma vivência real da cidade. Ele quer conhecer as pessoas, entender o cotidiano e ver o quanto a comunidade produz cultura e inovação”, explica Carlos Henrique de Souza, guia local e fundador da agência Favela Experience Tours, que atua há seis anos na Rocinha.
A experiência é complementada por apresentações culturais, feiras de artesanato e pontos gastronômicos administrados por moradores, o que reforça o caráter autêntico e inclusivo da atividade.
Tecnologia e redes sociais impulsionam o turismo comunitário
O uso de drones, vídeos nas redes sociais e aplicativos de reservas tem sido decisivo para ampliar a visibilidade turística da Rocinha.
O crescimento do setor está fortemente ligado ao sucesso do aplicativo Na Favela Turismo, criado por Renan Monteiro, que permite o cadastro de visitantes e o acompanhamento de suas rotas em tempo real.
Em janeiro de 2026, a plataforma registrou 40 mil check-ins, número cinco vezes maior que os 7,5 mil do mesmo período de 2025, quando o app foi lançado.
Além de monitorar a movimentação dos turistas, o aplicativo mapeia pontos de apoio, banheiros e áreas de abrigo em caso de chuva ou incidentes, e integra o trabalho de 3 mil guias cadastrados, sendo 280 especializados em passeios a pé e 482 em mototours.
O avanço tecnológico também tem moldado a forma como moradores e visitantes interagem com o território.
Além do Na Favela Turismo, outras plataformas, como o LiveScore, ilustram como os aplicativos conectam pessoas às suas paixões cotidianas, seja acompanhando o movimento turístico nas favelas ou os resultados do futebol em tempo real.
Impacto econômico e geração de renda local
De acordo com a Associação de Guias de Turismo da Rocinha (Aguitur-RJ), o número de profissionais formalizados cresceu 45% entre 2022 e 2025.
O aumento da visitação tem beneficiado não apenas os guias, mas também pequenos empreendedores locais.
“É um ciclo positivo: quanto mais visitantes, mais oportunidades de trabalho surgem”, afirma Valéria Nascimento, presidente da Aguitur-RJ.
Para a professora Marina Campos, do Laboratório de Turismo e Desenvolvimento Local da UFRJ, a Rocinha é hoje um exemplo de transformação social através do turismo.
“A comunidade mostra que é possível crescer com responsabilidade, valorizando a cultura local e distribuindo os benefícios econômicos.”
Desafios e perspectivas para 2026
Com a popularização das experiências de laje e o crescimento dos mototours, surgem também desafios.
Guias e associações comunitárias apontam a necessidade de melhorar a infraestrutura, planejar o fluxo de turistas e fortalecer ações de turismo sustentável.
A Prefeitura do Rio estuda parcerias com o setor privado para qualificar guias, ampliar pontos de apoio e investir em comunicação digital voltada à segurança do visitante.
A expectativa é de que, em 2026, o número de visitantes continue subindo, impulsionado por eventos culturais, novos roteiros e iniciativas de inovação social.
A Rocinha deixa de ser apenas um ponto de observação e se consolida como um destino que une cultura, tecnologia e inclusão econômica.