Brasil acelera intralogística para ganhar eficiência, tecnologia e competitividade

Economia Negócios

O cenário da intralogística no Brasil vive um momento de transformação profunda impulsionado pelas demandas do comércio digital e pela necessidade de competitividade global. Segundo dados do Brazil Intralogistics Software Market, o mercado brasileiro em software para intralogística foi estimado em cerca de US$ 123,56 milhões em 2024, com projeção para alcançar US$ 270,35 milhões até 2030.

Esse movimento cria oportunidades relevantes para empresas que investem em automação, inteligência artificial, gestão de estoque e integração de sistemas. Eventos especializados como a Intermodal South America 2025 registraram um aumento de 20% no número de expositores voltados à intralogística, indicando que players nacionais e internacionais veem o Brasil como um terreno fértil para inovação em soluções de ponta e tecnologias de eficiência operacional.

Conforme Humberto Mello, diretor da Tria Empilhadeiras, marca de equipamentos para manuseio e transporte de cargas e baterias de lítio, “a intralogística não é mais um custo, é um vetor estratégico para tornar os centros de distribuição mais ágeis, resilientes e capazes de responder às expectativas cada vez maiores de clientes e mercados”.  

Apesar das perspectivas positivas, o setor ainda enfrenta desafios estruturais, entre eles a escassez de profissionais qualificados para operar e manter sistemas automatizados, algo que limita a adoção plena de tecnologias avançadas nos centros de distribuição e armazéns brasileiros. 

Para o diretor, capacitar talentos técnicos e gerenciais é essencial para transformar investimentos em automação em resultados reais de produtividade e competitividade. Além disso, os altos custos iniciais de implementação e a integração com sistemas legados ainda são barreiras significativas para muitas empresas brasileiras, exigindo soluções flexíveis de financiamento e parcerias estratégicas que possibilitem a transição tecnológica com menor risco financeiro.

Outro ponto de atenção no Brasil é o próprio desenho das operações logísticas internas. Embora a intralogística 4.0 tenha ganhado tração com o uso de IoT, big data e sistemas inteligentes para melhorar o fluxo de materiais, muitos operadores ainda dependem de processos semi-manuais que reduzem a eficiência e aumentam os custos operacionais em um ambiente altamente competitivo.

Com o país sediando eventos como o Fórum INTRA-LOG e feiras internacionais dedicadas ao tema, a troca de experiências e o networking entre especialistas têm estimulado a adoção de melhores práticas e acelerado a disseminação de tecnologias avançadas, um movimento que representa uma oportunidade real de crescimento e diferenciação competitiva para empresas brasileiras nos próximos anos.

“O avanço da intralogística no Brasil passa por decisões cada vez mais orientadas por dados, tecnologia e planejamento de longo prazo. As empresas que conseguirem equilibrar inovação, capacitação de pessoas e eficiência operacional estarão mais preparadas para crescer de forma sustentável e competitiva”, finaliza Humberto.