Empreender fora dos grandes centros urbanos vem se consolidando como uma estratégia de negócios no Brasil. De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a expansão de redes para municípios do interior ganhou força nos últimos anos, especialmente em cidades de médio porte, que passaram a concentrar parte relevante das novas operações do setor.
Esse movimento acompanha mudanças demográficas e econômicas observadas fora das capitais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), municípios do interior registraram crescimento populacional e aumento da atividade econômica em regiões que vêm recebendo investimentos em infraestrutura, habitação e serviços.
No franchising, a interiorização está diretamente relacionada à estrutura de custos. De acordo com a ABF, despesas como aluguel comercial, folha de pagamento e custos operacionais tendem a ser mais baixos fora dos grandes centros, o que impacta positivamente o fluxo de caixa e reduz a pressão financeira nos primeiros anos de operação.
Outro fator determinante é a concorrência. Dados do Sebrae indicam que mercados menos saturados oferecem maior espaço para novos empreendimentos estruturados, principalmente em cidades onde ainda há carência de serviços especializados e modelos de negócio profissionalizados.
A construção civil tem papel central nesse cenário. Conforme a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), obras residenciais, comerciais e projetos de infraestrutura vêm sustentando a demanda em municípios fora das capitais, impulsionando cadeias produtivas locais e o setor de serviços.
Esse avanço cria oportunidades diretas para negócios ligados à locação de equipamentos, manutenção e apoio às obras. A busca por soluções que reduzam custos e aumentem a eficiência tem ampliado a demanda por modelos baseados no uso, e não na compra, de máquinas e ferramentas.
Para a Casa do Construtor, a expansão no interior acompanha a dinâmica do próprio mercado. “O crescimento no interior reflete a própria dinâmica do setor, com cidades que apresentam demanda consistente e um ambiente mais favorável para a operação das franquias”, afirma Diego Schiano, VP de Operações da Casa do Construtor.
Segundo Schiano, atuar fora das capitais permite uma leitura mais precisa da demanda local e maior proximidade com clientes e profissionais da construção.
Ainda de acordo com a ABF, franquias instaladas em cidades do interior tendem a apresentar maior equilíbrio operacional, reflexo da combinação entre custos mais baixos e demanda recorrente, especialmente em setores ligados a serviços essenciais.
O relacionamento com o consumidor também se mostra um diferencial competitivo. O Sebrae destaca que, em mercados regionais, a confiança e a reputação local exercem influência direta na decisão de compra, favorecendo empresas que investem em atendimento e presença comunitária.
Com a continuidade da interiorização econômica e a manutenção da atividade da construção civil, o interior brasileiro deve seguir como um dos principais vetores de crescimento para novos negócios em 2026. Para o empreendedor, os dados indicam que atuar fora das capitais deixou de ser uma alternativa e passou a representar uma oportunidade concreta, baseada em demanda real e estrutura de custos mais favorável.