O cooperativismo segue como uma das principais engrenagens do transporte rodoviário de cargas no Brasil, garantindo escala operacional, acesso a grandes contratos e maior poder de negociação. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o país reúne milhares de cooperativas de transporte distribuídas em diferentes regiões e segmentos da economia.
Apesar da relevância do modelo, muitas cooperativas enfrentam hoje um desafio silencioso. Crescem em volume de operações, número de cooperados e rotas atendidas, mas não conseguem sustentar controle, transparência e rentabilidade na mesma proporção do crescimento.
Para a Vilesoft, empresa brasileira especializada em software de gestão para cooperativas e transportadoras, o problema não está na demanda por frete, mas na ausência de governança operacional e financeira compatível com a complexidade atual do setor. “À medida que a cooperativa cresce, a operação fica mais complexa. Se a gestão não evolui junto, o ganho de escala rapidamente se transforma em perda de controle”, afirma Flávio Henrique, diretor de tecnologia da Vilesoft.
Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que o transporte rodoviário concentra mais de 65% da movimentação de cargas no país, com operações cada vez mais pressionadas por custos, exigências fiscais e prazos. Nesse cenário, falhas de gestão impactam diretamente a sustentabilidade do modelo cooperativista.
Nos últimos anos, muitas cooperativas ampliaram frotas, cooperados e regiões de atuação. Esse crescimento trouxe oportunidades, mas também elevou significativamente o volume de informações, obrigações legais e variáveis operacionais que precisam ser administradas diariamente.
Ainda assim, segundo Flávio Henrique, é comum encontrar cooperativas operando com softwares departamentais, adotados ao longo do tempo para resolver problemas pontuais. “O gestor acredita que a cooperativa está informatizada, mas na prática os dados estão espalhados em silos. Cada área funciona isoladamente, sem uma visão integrada da operação”, explica.
Esse cenário cria um falso senso de controle. Sistemas de financeiro, frota, manutenção e faturamento até existem, mas não se comunicam. Como resultado, informações estratégicas não se cruzam e decisões importantes passam a ser tomadas com base em percepção, e não em dados consolidados.
Na prática, muitas cooperativas não conseguem responder com precisão questões essenciais para a gestão, como quais cooperados são mais rentáveis, quais rotas geram margem ou prejuízo, onde estão os principais custos da operação ou qual é a produtividade real da frota.
“Quando os dados não se integram, a informação existe, mas não gera inteligência. A cooperativa perde a capacidade de analisar o negócio como um todo”, destaca o diretor de tecnologia da Vilesoft.
A fragmentação das informações também afeta diretamente a relação entre cooperativa e cooperados. Sem critérios claros e dados confiáveis sobre produção, custos e repasses, aumentam os questionamentos internos, os conflitos e o desgaste institucional.
Outro impacto relevante está na dificuldade de enxergar a rentabilidade real da operação. Custos como combustível, manutenção, encargos e despesas administrativas ficam diluídos em sistemas diferentes, mascarando prejuízos e impedindo ajustes rápidos, mesmo em cooperativas com alto volume de fretes.
Diante de um ambiente com exigências fiscais mais rigorosas, clientes mais orientados a indicadores de desempenho e margens pressionadas, a profissionalização da gestão deixou de ser opcional. “No cooperativismo, transparência não é apenas uma boa prática, é um pilar do modelo. Sem dados integrados, essa transparência se perde”, avalia Flávio Henrique.
Segundo a Vilesoft, a governança digital passa pela consolidação das informações operacionais, financeiras e produtivas em uma única visão, permitindo mais controle, previsibilidade e confiança na tomada de decisão. “Governança não é trocar sistemas, é conectar informações para sustentar decisões melhores”, reforça o executivo.