Primeira RentalTech do Brasil aposta em tecnologia para profissionalizar o mercado de locação 

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Empresas e consumidores têm recorrido cada vez mais à locação de equipamentos como alternativa à compra definitiva. O mercado de locação, que já movimenta mais de US$ 140 bilhões globalmente, segundo dados da consultoria Global Market Insights, ganha tração em meio ao alto custo de aquisição de bens, pressão por eficiência e juros ainda elevados.

No Brasil, o avanço do setor reflete uma mudança de mentalidade do consumidor onde o acesso passa a valer mais que a posse. Itens como cadeiras de rodas, equipamentos hospitalares, ferramentas, notebooks e bicicletas ergométricas entram na onda da locação. A tendência atende empresas que buscam otimizar custos operacionais e consumidores que preferem soluções mais flexíveis e sob demanda.

Apesar do avanço do mercado, muitas empresas do setor ainda enfrentam obstáculos estruturais. Grande parte das locadoras opera com processos manuais, sistemas fragmentados e pouca digitalização – um cenário que compromete o controle de contratos, estoque, faturamento, manutenção e atendimento ao cliente. Esses gargalos dificultam a escalabilidade dos negócios, elevam os riscos operacionais e impactam negativamente a experiência de quem aluga.

Foi a partir dessas lacunas do mercado que surgiu a Eloca, empresa brasileira fundada em 2016 e considerada a primeira RentalTech do país. A companhia desenvolveu um ecossistema de software criado especificamente para atender às complexidades do setor de locação – que, diferente da venda tradicional, exige o gerenciamento contínuo do bem durante todo o ciclo de vida, incluindo uso, manutenção, renovações e devoluções. 

Desde então, a Eloca atende locadoras de diferentes portes e segmentos, como construção civil, hospitalar, tecnologia, mobilidade e serviços, em modelos B2B e B2C. Segundo a empresa, mais de 1.500 locadoras já utilizaram a plataforma, que soma mais de 10 mil usuários em todo o Brasil. “A locação tem uma arquitetura completamente diferente da venda de produtos. Existe recorrência, manutenção, controle patrimonial e responsabilidade durante todo o período de uso. Sem tecnologia adequada, é muito difícil crescer de forma organizada”, afirma Rafael Rosa, cofundador da Eloca.

A plataforma da empresa integra três frentes principais. Um ERP voltado à gestão do locador, responsável por contratos, faturamento, emissão de notas fiscais e controle de ativos. Um e-commerce que digitalizou a jornada de locação, permitindo que clientes contratem serviços de forma online. E um CRM omnichannel que centraliza atendimentos, oportunidades comerciais e interações por diferentes canais, incluindo o WhatsApp e outras redes sociais.

Além disso, a Eloca passou a oferecer soluções de mobilidade por meio de um aplicativo de serviços, que conecta locadoras, equipes técnicas e clientes finais. Pelo app, foi possível abrir chamados, acompanhar manutenções, agendar serviços e registrar ocorrências durante o período de locação, garantindo mais rastreabilidade e agilidade na operação.

Segundo Sérgio Bueno, CEO da Eloca, a proposta foi dar previsibilidade às operações e reduzir fricções. “Automatizar etapas como validação de clientes, contratos digitais, pagamentos e abertura de chamados de manutenção reduziu erros, mitigou riscos e acelerou a conversão, além de liberar o time para atividades mais estratégicas”, explica.

Automação e IA no processo 

Nos últimos anos, a Eloca passou a incorporar automações e ferramentas de inteligência artificial para otimizar processos de atendimento e pré-venda, sobretudo em operações com alto volume de solicitações pelos canais digitais. As soluções ajudam a organizar o funil comercial, automatizar respostas e acelerar a tomada de decisões, tornando o contato com o cliente mais ágil e eficiente.

Mais do que ganhos operacionais, a empresa se insere em uma transformação mais ampla no comportamento de consumo. A lógica do acesso ao bem – já naturalizada em setores como transporte, hospedagem e streaming – começa a se consolidar também no mercado de equipamentos. Nesse contexto, alugar deixou de ser apenas uma alternativa provisória e passou a ser uma estratégia de consumo inteligente, que prioriza eficiência, flexibilidade e menor custo. “Acreditamos que o acesso amplia oportunidades e torna o consumo mais eficiente. Quando esse modelo é sustentado por tecnologia, ele se torna mais seguro, escalável e sustentável”, afirma Rafael Rosa.

Com sede em Santo André, no ABC Paulista, a Eloca atua no modelo SaaS e acompanha de perto a evolução do mercado de locação. Ao se posicionar como a primeira RentalTech do Brasil, a empresa busca profissionalizar um setor historicamente fragmentado e ampliar seu protagonismo nas discussões sobre inovação, eficiência e novos modelos de negócio.