O Brasil se consolida como uma das maiores potências globais da creator economy. Com mais de 3,8 milhões de influenciadores ativos em 2025, segundo o Influencer Marketing Benchmark Report, o país atravessa uma nova fase do mercado digital: menos amadorismo, mais estrutura e consolidação da atividade como carreira.
O crescimento expressivo do número de criadores vem acompanhado de uma transformação no perfil do setor. Se antes a produção de conteúdo era vista majoritariamente como hobby ou renda complementar, hoje cresce a busca por profissionalização, planejamento estratégico e modelos de monetização sustentáveis.
Dados do “Censo de Criadores de Conteúdo do Brasil 2025”, da Wake Creators, indicam que cerca de 9% dos influenciadores vivem exclusivamente da renda gerada nas redes sociais. Embora o percentual ainda seja restrito, especialistas apontam que o número reflete um mercado em amadurecimento, que sai da informalidade e caminha para estruturas empresariais mais consolidadas.
“O dado não indica fragilidade, mas sim uma fase de transição. Nunca houve tanta gente interessada em transformar a produção de conteúdo em negócio. O que mudou é que a profissionalização deixou de ser diferencial e passou a ser requisito”, afirma Fernando Werneck, CEO da Vibx, empresa de tecnologia especializada em automação, gestão e monetização de negócios digitais no Telegram.
Segundo ele, o avanço do setor é acompanhado por maior consciência sobre posicionamento, proposta de valor e previsibilidade de receita. “A creator economy está se estruturando. Hoje o criador precisa pensar como empresa: público bem definido, modelo de receita claro, retenção e relacionamento contínuo. Quem faz essa virada constrói carreira consistente.”
O amadurecimento do mercado também é impulsionado por mudanças nas plataformas digitais. Relatórios internacionais indicam que o alcance orgânico médio no Instagram gira em torno de 4% dos seguidores, enquanto estudos mostram queda progressiva nas interações ao longo dos últimos anos. O cenário tem levado criadores a buscar alternativas que ofereçam maior autonomia e previsibilidade.
Nesse contexto, cresce o interesse por canais próprios e comunidades fechadas, como no Telegram, onde é possível reduzir a dependência de algoritmos e estabelecer relacionamento direto com a audiência.
“A lógica mudou. Antes, o foco era volume e alcance. Agora, é profundidade e recorrência. Criadores estão entendendo que comunidade engajada vale mais do que audiência dispersa”, explica Werneck.
Segundo ele, plataformas que permitem assinaturas, grupos exclusivos e venda estruturada de conteúdo favorecem modelos de receita recorrente, tendência que deve se intensificar nos próximos anos. “Estamos vendo um movimento claro de migração para ambientes onde o criador tem controle sobre distribuição e monetização. Isso é profissionalização na prática”, complementa Werneck.
O avanço da creator economy também impacta no relacionamento com marcas, que passaram a exigir métricas mais consistentes, análise de dados e previsibilidade de retorno. Seguidores deixaram de ser o único indicador relevante.
“As empresas estão mais estratégicas. A conversa hoje envolve conversão, retenção e alinhamento de público. Isso exige organização, análise e visão de longo prazo por parte dos criadores”, avalia o CEO da Vibx.
Para ele, o Brasil tende a consolidar ainda mais sua posição de protagonismo global no setor digital. “O mercado não está saturado, está evoluindo. A influência digital deixou de ser um fenômeno pontual e se transformou em ecossistema econômico. A próxima etapa será marcada por negócios mais estruturados e criadores que atuam como verdadeiras empresas de mídia”, conclui.