Brasileiro cria pulseira digital com IA para ajudar na memória e na rotina

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Esquecer horários de medicamentos, perder compromissos ou se confundir com a rotina diária é uma realidade para milhões de brasileiros. O problema afeta especialmente idosos, pessoas com doenças crônicas, indivíduos com deficiência visual e também profissionais submetidos a altos níveis de estresse, impactando diretamente a autonomia e a qualidade de vida.

Esse cenário se intensifica com o envelhecimento da população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já soma mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 15% da população. A tendência é de crescimento contínuo nas próximas décadas.

No campo da saúde, o esquecimento também tem efeitos práticos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que apenas cerca de metade dos pacientes com doenças crônicas seguem corretamente o tratamento medicamentoso, sendo a falha de memória um dos principais fatores associados à baixa adesão.

Foi a partir desse contexto que surgiu o R Conectes, projeto desenvolvido pelo empreendedor brasileiro Rodrigo Pedroza. A proposta é criar uma pulseira digital com inteligência artificial voltada especificamente ao apoio da memória e à organização da rotina diária.

Diferente dos smartwatches tradicionais, o dispositivo não utiliza tela como principal interface. A interação acontece por meio de comandos de voz e respostas em áudio, o que amplia o acesso para pessoas com dificuldades visuais ou pouca familiaridade com tecnologia.

“O mercado hoje oferece basicamente relógios inteligentes cheios de funções. Nós pensamos em algo mais simples e funcional: uma pulseira que conversa com o usuário e ajuda de verdade no dia a dia”, explica Pedroza.

Na prática, o R Conectes funciona como um assistente pessoal. Ele informa as horas, emite lembretes sonoros e auxilia na organização de compromissos como horários de medicamentos, consultas médicas, reuniões e tarefas cotidianas.

Além da pulseira, o projeto inclui um diferencial: uma caixa de medicamentos inteligente, conectada ao dispositivo e integrada ao mesmo sistema de inteligência artificial. Compacta e portátil, ela faz parte de um kit pensado para garantir mais segurança na administração dos remédios.

Dividida em compartimentos numerados, a caixa identifica por áudio qual medicamento deve ser ingerido e em qual espaço ele está armazenado. Ao receber o alerta da pulseira sobre o horário da medicação, o usuário pode confirmar verbalmente o nome do remédio. O sistema, então, orienta qual gaveta deve ser aberta.

Se houver engano, por exemplo, caso a pessoa selecione o compartimento incorreto ou mencione outro medicamento, a própria caixa emite um aviso sonoro informando o erro e reforçando qual é o remédio correto. Dessa forma, o dispositivo reduz riscos de trocas ou ingestão equivocada, algo comum especialmente entre pacientes que utilizam múltiplos medicamentos diariamente.

A inteligência artificial organiza os avisos ao longo do dia e atua de forma integrada entre pulseira e caixa portátil, criando uma espécie de educação assistida para o uso correto da medicação. O dispositivo foi pensado para uso contínuo, inclusive durante o sono, com formato leve e flexível.

“A ideia é apoiar pessoas que lidam com múltiplos remédios, agendas cheias ou alguma limitação sensorial. Não se trata de mais um gadget, mas de uma ferramenta prática de apoio à autonomia”, afirma o empreendedor.

Atualmente em fase de protótipo, o projeto busca investidores e parceiros estratégicos para viabilizar a produção em escala e a entrada no mercado.

“A proposta é criar uma nova categoria de dispositivo vestível, com foco real em acessibilidade e qualidade de vida. Tecnologia, aqui, é meio, não fim”, conclui Pedroza.