O avanço da inteligência artificial no varejo digital começa a alterar a lógica tradicional do e-commerce, baseada em cliques, páginas e checkouts longos. Um dos movimentos mais relevantes desse processo é o agentic commerce, modelo no qual agentes inteligentes passam a intermediar decisões de compra, reduzir etapas da jornada e executar transações de forma autônoma.
Na prática, o consumidor deixa de navegar por múltiplos filtros e páginas. Em vez disso, descreve sua necessidade em linguagem natural, enquanto o agente analisa opções, aplica regras de negócio, considera preferências anteriores, verifica estoque e conclui a compra com o mínimo de fricção possível.
Segundo a TEC4U, empresa de tecnologia especializada em dados, inteligência artificial e performance digital, esse modelo muda profundamente onde e como ocorre a conversão no ambiente online. “O clique deixa de ser o principal gatilho de venda. A conversão passa a acontecer dentro de uma conversa, mediada por agentes que entendem contexto, intenção e restrições do consumidor”, afirma Rodrigo Soares, CFO da empresa.
O crescimento desse modelo está diretamente ligado ao avanço de padrões tecnológicos que permitem a comunicação entre plataformas, sistemas de pagamento e varejistas. Protocolos de interoperabilidade tornam possível que agentes realizem compras completas, da escolha do produto à finalização do pagamento, sem depender das interfaces tradicionais do e-commerce.
Para Melissa Pio, fundadora e CEO da TEC4U, o impacto do agentic commerce vai além da experiência do usuário e atinge a estratégia de mídia, dados e atribuição. “Quando a compra passa a ser mediada por um agente, muda a lógica de conversão, de relacionamento e até de visibilidade da marca. As empresas precisam estar preparadas para dialogar com sistemas inteligentes, não apenas com consumidores finais”, explica.
Estudos recentes sobre conversão digital mostram que modelos conversacionais já atingem taxas entre 14% e 18%, enquanto fluxos tradicionais de e-commerce costumam variar entre 6% e 10%. A diferença está associada à redução de fricção, ao uso de dados em tempo real e à eliminação de etapas desnecessárias na jornada de compra.
Apesar do potencial, especialistas alertam que o agentic commerce só gera resultados concretos quando sustentado por dados estruturados e integrados. Informações confiáveis sobre estoque, preço, histórico do cliente e regras de negócio são essenciais para que agentes consigam operar de forma eficiente e segura.
“O maior erro das empresas é tratar o agente como uma solução mágica. Sem dados organizados, integração entre sistemas e governança, a inteligência artificial apenas automatiza ineficiências que já existiam”, reforça Rodrigo Soares.
Para a TEC4U, o avanço do agentic commerce representa uma mudança estrutural no varejo digital. O foco deixa de estar apenas na interface e passa para a infraestrutura de dados, inteligência operacional e capacidade de tomada de decisão automatizada. Um movimento que começa nos bastidores, mas redefine a conversão e o futuro do comércio online.