Levantamento analisado pelo Sindilojas SP mostra que o consumidor da capital paulista terminou 2025 com o maior nível de endividamento dos últimos três anos, considerando os resultados dos meses de dezembro. Os dados indicam que 69% dos consumidores apresentavam algum tipo de dívida no último mês do ano passado, percentual superior ao observado em dezembro de 2024 (68,2%) e de 2023 (68,7%), de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da FecomercioSP.
A análise do Sindilojas SP também aponta avanço da inadimplência entre os paulistanos. Em dezembro de 2025, 20% dos consumidores tinham dívidas em atraso, alta de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento, o índice ficou abaixo do registrado em dezembro de 2023, quando atingiu 22,7%.

Fonte: FecomercioSP | Elaboração gráfica: Sindilojas SP
Mesmo com a desaceleração observada no segundo semestre, após o pico de endividamento em setembro de 2025, quando o indicador chegou a 72,7%, o fechamento do ano em patamar elevado reforça o cenário de cautela para o varejo da capital. Na comparação anual, o Sindilojas SP estima um aumento de aproximadamente 53,7 mil famílias endividadas na cidade entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Já o número de famílias inadimplentes cresceu cerca de 26,7 mil no mesmo intervalo.
“O consumidor chega a 2026 com parte significativa da renda comprometida, o que reduz a margem para novas compras e exige do varejo uma leitura mais realista do mercado. Planejamento, prudência e gestão eficiente passam a ser ainda mais determinantes”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas SP.
A entidade destaca que o impacto do endividamento é mais intenso entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, que encerraram 2025 com taxa de endividamento de 73,2% e inadimplência de 24,%. Entre os consumidores com renda acima desse patamar, os índices foram menores, com 57% de endividamento e 8,8% de inadimplência.
Na composição das dívidas, o cartão de crédito segue como principal modalidade entre os paulistanos, presente em 77,7% dos casos, seguido por financiamento da casa (26,7%), financiamento de veículos (13,7%) e empréstimos pessoais (13,4%).
Para o Sindilojas SP, o cenário impõe ajustes estratégicos ao varejo em 2026, especialmente nos segmentos de consumo adiável. “Com o orçamento mais apertado, o consumidor tende a ser mais racional, sensível a preços, promoções, datas especiais e condições de parcelamento. Isso impacta diretamente decisões sobre estoques, precificação e ações de marketing”, completa Macri.