Do Pix tradicional à biometria: a evolução que transformou os pagamentos no Brasil

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O Pix revolucionou o sistema de pagamentos no Brasil desde seu lançamento pelo Banco Central, em novembro de 2020, consolidando-se como o método de transferência instantânea mais popular do país e sustentando o crescimento exponencial das transações digitais.

Dados oficiais do Banco Central do Brasil mostram que o Pix já ultrapassa 7 bilhões de transações mensais, movimentando cerca de R$ 3 trilhões por mês. Em um único dia, o sistema já registrou mais de 313 milhões de operações, consolidando-se como a principal infraestrutura de pagamentos do país. Desde sua criação, o Pix superou instrumentos tradicionais como TED e DOC e, em volume de transações, já ultrapassa o uso de cartões em diversas situações do dia a dia.

Em poucos anos, o sistema evoluiu além das transferências instantâneas e passou a incorporar novas funcionalidades que ampliam sua aplicação no cotidiano financeiro. Entre elas está o “Pix Recorrente”, que permite ao usuário programar pagamentos periódicos com valores fixos como mensalidades, aluguéis ou serviços continuados, mantendo o controle manual sobre cada autorização agendada.

Para Lorival Guerreiro, diretor executivo da Pushin Pay, empresa especializada em soluções inteligentes de pagamento e gestão financeira, a modalidade transformou a forma como as pessoas trabalham com dinheiro no dia a dia. “O Pix mudou a forma como as pessoas lidam com dinheiro no Brasil. Ele reduziu custos, aumentou a inclusão financeira e impulsionou a competitividade no sistema de pagamentos”, afirma.

Com o amadurecimento do ecossistema digital e a expansão dos modelos por assinatura, o Banco Central também implantou oficialmente, em junho de 2025, o “Pix Automático”. Diferentemente do recorrente, essa modalidade permite que o usuário conceda uma autorização única para débitos periódicos, sem necessidade de validação manual a cada cobrança, aproximando o Pix de um modelo similar ao débito automático tradicional, porém com liquidação instantânea.

“O Pix Automático representa um salto em termos de conveniência e previsibilidade financeira para empresas e consumidores. Ele torna o fluxo de assinaturas e pagamentos periódicos mais simples, transparente e acessível, especialmente para quem não possui cartão de crédito”, destaca Guerreiro.

Para empresas, a funcionalidade significa maior previsibilidade de receita, redução de custos operacionais e potencial diminuição da inadimplência. Para consumidores, amplia o acesso a serviços digitais, educação, academias e utilidades essenciais, fortalecendo a inclusão financeira.

Mais recentemente, o mercado avança na integração de autenticação biométrica às jornadas de pagamento. O chamado “Pix por biometria” permite que usuários autorizem transações com reconhecimento facial ou impressão digital, reduzindo etapas no processo e tornando a experiência mais fluida. A tecnologia integra mecanismos de segurança já utilizados nos aplicativos bancários diretamente à experiência de pagamento, elevando o nível de proteção contra fraudes.

“O Pix Biométrico não é apenas uma evolução tecnológica, ele redefine como os consumidores interagem com o dinheiro no ambiente digital. Ao reduzir etapas e fortalecer a autenticação, ele combina conveniência e segurança em um único fluxo”, complementa o diretor.

O Banco Central mantém uma agenda evolutiva para o Pix, que inclui iniciativas como pagamentos por aproximação (NFC), Pix Parcelado e integração com crédito, ampliando o escopo da infraestrutura de pagamentos no país. A combinação entre pagamentos instantâneos, recorrência automatizada e autenticação biométrica reforça o papel do sistema como uma plataforma cada vez mais abrangente de transações digitais.

“A inovação em pagamentos não é mais apenas sobre velocidade. Hoje, ela envolve integração, experiência do usuário e inclusão. O Brasil está na vanguarda dessa transformação e o Pix se tornou um caso global de infraestrutura financeira digital”, conclui Guerreiro.

À medida que novas funcionalidades são incorporadas ao ecossistema, consumidores e empresas testemunham a consolidação de um sistema cada vez mais integrado, seguro e adaptado às demandas do comércio moderno, reforçando o Pix não apenas como o método de pagamento predominante no Brasil, mas como referência internacional em inovação financeira.