Compliance deixa de ser custo e passa a gerar valor estratégico para os negócios

Negócios

A crescente pressão por eficiência operacional, transparência e boas práticas de governança tem levado empresas a revisarem a forma como encaram compliance e auditoria interna, áreas que por muito tempo foram percebidas apenas como centros de custo.

Casos recentes de falhas de governança e prejuízos financeiros associados a controles frágeis reforçaram a percepção de que a ausência de estruturas sólidas de compliance pode gerar impactos significativos, tanto em perdas diretas quanto em danos reputacionais.

Estudos globais indicam que organizações com programas maduros de compliance e auditoria interna tendem a apresentar melhor desempenho financeiro e maior resiliência em momentos de crise. Pesquisa da Deloitte aponta que empresas com governança robusta registram maior previsibilidade de resultados e menor exposição a riscos operacionais.

Nesse contexto, a auditoria interna deixa de ter uma atuação meramente reativa e passa a assumir um papel estratégico, apoiando a alta administração na identificação de riscos, na melhoria contínua de processos e na otimização do uso de recursos.

Além de mitigar riscos regulatórios e operacionais, estruturas bem auditadas contribuem para ganhos de eficiência ao eliminar redundâncias, corrigir falhas e fortalecer controles internos que impactam diretamente o desempenho do negócio.

Para o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil), a maturidade da auditoria interna está diretamente ligada à capacidade das organizações de gerar valor sustentável no longo prazo, especialmente em ambientes de alta complexidade e crescente pressão por resultados.

“Compliance não deve ser visto como custo, mas como investimento estratégico. Quando bem estruturada, a auditoria interna protege ativos, apoia decisões mais assertivas e contribui diretamente para a eficiência e a geração de valor ao negócio”, afirma Monique Sausmikat, Diretora Financeira do IIA Brasil.

Segundo a executiva, a integração entre auditoria interna, gestão de riscos e estratégia corporativa permite que as empresas antecipem problemas e evitem perdas relevantes. “Investir em controles internos robustos é investir em previsibilidade, confiança e sustentabilidade financeira”, destaca.

Dados do relatório Report to the Nations, da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), mostram que organizações com controles internos eficazes conseguem reduzir significativamente a incidência e a duração de fraudes, minimizando impactos financeiros e operacionais.

Além da prevenção de perdas, a auditoria interna também exerce papel relevante no fortalecimento da governança corporativa, ao aprimorar a relação entre gestão, conselhos de administração e comitês de auditoria.

Outro fator cada vez mais relevante é a expectativa de investidores e demais stakeholders por práticas sólidas de governança e compliance. Empresas que demonstram maturidade nessas áreas tendem a acessar capital com mais facilidade e a manter relações mais estáveis com o mercado.

Nesse cenário, a auditoria interna atua como aliada da eficiência ao apoiar a revisão contínua de processos, a adoção de tecnologias e o monitoramento de indicadores que embasam a tomada de decisão baseada em dados.

Para Monique Sausmikat, a mudança de mentalidade é essencial para que as organizações avancem. “Quando a auditoria interna participa das discussões estratégicas, ela deixa de ser vista como uma área de controle isolada e passa a ser reconhecida como parceira do negócio”, afirma.

A executiva ressalta ainda que o uso de automação, análise de dados e ferramentas digitais tem ampliado o alcance da auditoria interna, tornando o trabalho mais ágil, preciso e alinhado às necessidades das organizações.

Em um ambiente de negócios marcado por margens pressionadas, maior regulação e cobrança por resultados sustentáveis, o investimento em compliance e auditoria interna se consolida como um diferencial competitivo.