Durante anos, o imóvel corporativo foi tratado pelas empresas como uma despesa inevitável. Aluguel, manutenção e infraestrutura apareciam apenas como linhas de custo no orçamento. No entanto, esse olhar vem mudando rapidamente. Hoje, cada vez mais organizações entendem que o escritório pode ser um investimento estratégico, capaz de impactar diretamente produtividade, engajamento e resultados financeiros.
Segundo levantamento da JLL (Jones Lang LaSalle), 72% das empresas globais afirmam que o espaço físico passou a ter papel central na estratégia de negócios após a consolidação do trabalho híbrido. Já a consultoria CBRE aponta que companhias que alinham seus ambientes à estratégia corporativa conseguem reduzir custos operacionais em até 15% no médio prazo, principalmente por meio da otimização de áreas e contratos mais flexíveis.
Para Nikolas Matarangas, CEO da Be In, a mudança começa pela forma como o imóvel é planejado. “O escritório não pode ser tratado como uma despesa passiva. Ele precisa trabalhar a favor do negócio, apoiando crescimento, cultura e eficiência. Quando isso acontece, o espaço deixa de ser custo e passa a ser um ativo estratégico”, afirma.
A seguir, cinco dicas práticas para transformar a despesa com imóvel em investimento estratégico:
1. Conectar o espaço à estratégia da empresa
Antes de pensar em layout ou metragem, é preciso entender qual é o objetivo do negócio. Empresas em expansão precisam de ambientes escaláveis. Organizações focadas em inovação precisam de espaços colaborativos. Já estruturas mais operacionais exigem eficiência e funcionalidade. O imóvel deve refletir o momento da empresa e seus planos de crescimento.
“Não existe projeto padrão. O espaço precisa traduzir a estratégia e a cultura da companhia. Quando isso não acontece, o escritório vira apenas um endereço caro”, explica Matarangas.
2. Investir em flexibilidade para reduzir riscos financeiros
Ambientes modulares e contratos mais flexíveis permitem ajustes rápidos conforme o tamanho da equipe e o cenário econômico. Um estudo da CBRE mostra que a adoção de modelos flexíveis cresceu mais de 20% nos últimos dois anos, impulsionada por empresas que buscam diminuir exposição a custos fixos elevados.
Essa flexibilidade evita reformas constantes e permite que o mesmo espaço tenha múltiplos usos ao longo do tempo.
3. Usar o escritório como ferramenta de engajamento e retenção
De acordo com a consultoria Gallup, equipes engajadas são até 21% mais produtivas. O ambiente físico influencia diretamente esse indicador. Espaços confortáveis, bem iluminados e pensados para diferentes estilos de trabalho contribuem para a satisfação dos colaboradores e fortalecem o senso de pertencimento.
“O escritório precisa ser um lugar que faça sentido para as pessoas estarem. Quando ele entrega experiência, ele vira parte da estratégia de retenção de talentos”, diz o CEO da Be In.
4. Centralizar a gestão para ganhar eficiência operacional
Outro ponto fundamental é tratar o imóvel como um sistema integrado. Gestão de limpeza, manutenção, tecnologia e serviços precisa ser centralizada para reduzir desperdícios e aumentar o controle de custos. Dados da JLL indicam que empresas com gestão imobiliária estruturada conseguem economizar entre 10% e 15% ao ano em despesas operacionais.
Isso transforma o espaço físico em um elemento previsível dentro do planejamento financeiro.
5. Medir resultados e não apenas ocupação
Mais do que saber quantas pessoas usam o escritório, as empresas devem avaliar se o ambiente está gerando valor. Indicadores como produtividade, satisfação dos colaboradores e apoio aos processos internos ajudam a entender se o imóvel está cumprindo seu papel estratégico.
“O erro é olhar apenas para metros quadrados. O que importa é o impacto do espaço no desempenho da empresa. Quando isso é mensurado, o imóvel deixa de ser despesa e vira investimento”, conclui Matarangas.
Com um cenário econômico cada vez mais dinâmico, repensar o papel do espaço corporativo tornou-se parte essencial da gestão empresarial. O escritório, quando bem planejado, deixa de ser apenas um custo fixo e passa a ser um instrumento ativo de crescimento, eficiência e competitividade.