Restrição de crédito pode incentivar busca de capital na B3

Mercado de Capitais

A restrição de crédito corporativo no atual ambiente de elevação da inadimplência de pessoas jurídicas (PJ) pode incentivar a busca de recursos via emissões de renda variável (IPOs e Follow-ons) na bolsa de valores (B3).

Em outras palavras, quando a tomada de crédito não é um caminho viável por causa dos juros altos e dos riscos, uma possível solução para as companhias abertas é buscar o capital de novos sócios dispostos a fortalecer o negócio.

Ao participar hoje (25/08), do 27° Encontro Internacional de Relações com Investidores & Mercado de Capitais, o CEO da MZ Group, Rodolpho Zabisky (o PH) lembrou que 48 empresas fecharam o capital nos últimos 3 anos, mas que esse ambiente está mudando.

“Eu sou um otimista. Há gente se preparando e olhando outras verticais. O IPO (abertura pública de ações) é uma vertical. A reestruturação de dívida também é uma vertical, além da atração de novos investidores. Hoje temos umas 5 preparações de OPA (ofertas de fechamento de capital), mas por outro lado, temos 10 preparações de IPOs”, afirmou PH, em entrevista exclusiva ao Associated News, após participar de painel no evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri).

PH contou que as empresas estão se preparando para captar recursos na B3. “É uma jornada, e estar preparado é o melhor plano. Assim quando abrir uma janela de oportunidade, vai sair com a bandeira certa”, afirmou.

O CEO da MZ argumenta que o pior momento do mercado de capitais ficou no passado. “O pior já passou. A taxa de juros começou a cair, e teremos a entrada de capital estrangeiro, o principal para destravar os IPOs”, concluiu PH Zabisky.

Presente em painel sobre os Novos Desafios do Mercado de Capitais, o presidente do Itaú, Milton Maluhy, disse que as empresas devem dar segurança e previsibilidade aos investidores. O executivo contou que o maior volume em ações do Itaú é movimentado por investidores estrangeiros, quando comparado com os investidores locais.

“O investidor quer previsibilidade, não quer surpresa. Quando é para dar notícia ruim, tem de ser transparente. Se puder dar bons resultados, melhor ainda, mas o investidor quer previsibilidade, sem ser surpreendido”.

Conteúdo: 27° Encontro Internacional de Relações com Investidores & Mercado de Capitais

Autor do texto: Ernani Fagundes (jornalista)

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