Entre pixels e pincéis: a nova era da prótese dentária

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Há alguns anos, o mundo da prótese dentária parecia dividido entre dois caminhos: o domínio artesanal dos técnicos de laboratório e o avanço veloz das tecnologias digitais. Hoje, esses universos se entrelaçam em um ponto de equilíbrio que redefine o que é excelência estética em odontologia.

O especialista Guilherme Rabelo conhece esse processo por dentro. Ele viveu a fase em que tudo era moldado à mão, camada por camada, e agora atua no centro da transformação digital que promete precisão e previsibilidade inéditas. Para ele, o segredo não está em escolher um lado, mas em unir o melhor dos dois.

“O digital trouxe velocidade, segurança e padronização. Mas a naturalidade que buscamos no sorriso só acontece quando há sensibilidade e olhar artístico. O toque humano ainda faz toda a diferença”, afirma.

Hoje, softwares de planejamento e scanners intraorais permitem simulações detalhadas, aproximando o paciente do resultado final antes mesmo do início do tratamento. A tecnologia também aprimora a comunicação entre dentistas e laboratórios, reduzindo retrabalhos e facilitando a aprovação dos casos. Ainda assim, Guilherme vê o fluxo digital como uma ferramenta, não como um substituto da experiência prática.

Nesse processo, o planejamento dental ocupa papel central. Guilherme atua tanto com o planejamento digital, realizado em softwares de design e modelagem 3D, quanto com o planejamento manual, conhecido como wax-up, técnica feita com cera que permite visualizar e testar formas antes da execução final. “O planejamento é onde o sorriso começa a ganhar vida. O digital me ajuda a prever medidas e proporções, mas o manual me permite sentir o formato, a textura e o equilíbrio estético de cada dente”, explica.

Sua trajetória ajuda a entender essa visão equilibrada. Aos 16 anos, iniciou a carreira em um laboratório, onde aprendeu as bases da escultura dentária e os processos manuais de confecção de próteses. “Foi ali que compreendi que cada dente é uma pequena escultura. Trabalhar com cera, pincéis e cerâmica me ensinou a ver detalhes que a máquina não percebe”, lembra.

Desde então, passou por laboratórios reconhecidos pela exigência técnica e estética, atuando com materiais como zircônia, resina e cerâmica feldspática. Essa vivência moldou uma compreensão profunda da estrutura e do comportamento dos materiais, um aprendizado que hoje ele aplica no ambiente digital.

A transição tecnológica veio naturalmente. Guilherme foi um dos primeiros da sua região a dominar softwares de design e planejamento 3D, criando uma ponte entre a precisão das máquinas e o senso estético do trabalho manual. “O computador entrega simetria e medida. Mas quem conhece a prótese entende quando é hora de quebrar a simetria para alcançar naturalidade”, explica.

Atualmente, ele presta serviços de planejamento digital para dentistas e laboratórios dentro e fora do Brasil. Trabalha com facetas, coroas, implantes e protocolos, entregando arquivos prontos para impressão 3D ou fresagem. Seu diferencial, conta, está em prever ajustes e desafios antes que o caso chegue à clínica. “A prática de bancada me permite enxergar além da tela. Isso reduz erros e melhora o resultado estético.”

Com clientes em diferentes países, Guilherme também aprendeu a adaptar seu trabalho a preferências culturais. “O sorriso americano, o europeu e o brasileiro têm nuances diferentes. Cada lugar valoriza um tipo de harmonia. O digital permite essa personalização em escala global.”

Para o especialista, o futuro da prótese dentária será cada vez mais digital, mas jamais totalmente automatizado. “As máquinas continuarão evoluindo, mas a estética perfeita ainda depende da mão e do olhar do profissional. É na junção entre ciência e arte que o sorriso ganha vida.”