Mês do Consumidor exige estratégia para não virar nova fonte de dívidas, alerta especialista

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Com mais de 81,3 milhões de inadimplentes no país, planejamento e atenção a golpes são fundamentais para aproveitar descontos sem comprometer o orçamento. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos, lista cuidados na hora das compras.

Com o custo de vida pressionando o orçamento das famílias brasileiras, o Mês do Consumidor surge como uma oportunidade, mas também como um risco de endividamento. A inflação acumulada de 4,44% segue impactando itens básicos, enquanto o Brasil registrou, em janeiro de 2026, 81,3 milhões de pessoas inadimplentes, segundo dados do Serasa.

Para o planejador financeiro CFP® e especialista em investimentos Jeff Patzlaff, o momento exige cautela. “Com o custo de vida atual, é inteligente buscar formas de economizar. Cada real economizado no Mês do Consumidor precisa ser estratégico para recompor o orçamento doméstico, e não para criar novas dívidas”, diz.

Ele ressalta que datas promocionais funcionam como uma faca de dois gumes: “O Mês do Consumidor é um evento de duas faces. Se você já precisava de um item e monitorou o preço, a data ajuda a economizar. Mas, para a maioria, o marketing pesado funciona como um imã para o consumo por impulso”.

Segundo o especialista, um dos maiores erros está na lógica invertida da compra. “O erro mais comum é comprar o desconto e não o produto. A pessoa vê algo pela metade do preço (e às vezes pode nem ser a metade do preço) e esquece de perguntar se aquilo realmente tem utilidade”, comenta. Além disso, ignorar o valor do frete e não conferir se a loja é confiável também podem custar caro.

Planejamento é a chave

Jeff explica que o segredo para aproveitar de forma consciente está no planejamento antecipado. “Para aproveitar de verdade, o segredo é o planejamento antecipado, as lojas usam termos como últimas unidades ou cronômetros na tela para criar urgência. Isso trava o seu lado racional, o importante é esperar. Se no dia seguinte o desejo continuar e o orçamento permitir, aí sim você avança

Antes de finalizar qualquer compra, ele orienta uma reflexão prática: “Antes de fechar o carrinho, pergunte a si mesmo se realmente precisa disso agora. Posso pagar sem me endividar? O preço está realmente abaixo da média histórica?”

O especialista também recomenda ferramentas de comparação. “Não acredite no selo de ‘50% OFF’, use sites de monitoramento de preços como Buscapé, Zoom, para ver o gráfico dos últimos 6 meses. Sem dúvidas, é a única forma de não cair na metade do dobro”, recomenda.

Além das compras, muitos brasileiros utilizam o período para renegociar pendências. Dados do Serasa indicam que 75% dos consumidores pretendem aproveitar a data para buscar descontos em dívidas.

À vista ou parcelado?

Na hora de pagar, a decisão também pode impactar o bolso. Jeff destaca que o pagamento à vista pode representar economia real. “Se for pagar no Pix, essa é a hora de você colocar em prática a negociação. É a melhor opção para conseguir bons descontos, pois o lojista elimina as taxas de intercâmbio das maquininhas (MDR) e o fluxo de caixa é imediato. Nenhum investimento seguro rende o suficiente em poucos meses para bater um desconto de 10%, por exemplo”, diz.

Ele pondera, no entanto, que o parcelamento pode ser vantajoso em situações específicas: “Por outro lado, se o preço à vista for igual ao parcelado, parcelar pode fazer sentido, desde que a mensalidade caiba no seu orçamento sem sufoco”.

O cartão de crédito também exige responsabilidade redobrada. “Segundo dados recentes do Banco Central, os juros do rotativo do cartão de crédito ainda têm taxas anuais exorbitantes, superiores a 400% a.a. em muitas instituições, o que pode duplicar sua dívida rapidamente se não houver pagamento integral da fatura. Cair no rotativo do cartão não é apenas um erro, é uma tragédia financeira”, explica.

Jeff ainda ressalta: “Se você não tiver condições de pagar à vista, você não deveria parcelar. Ou seja, não use o dinheiro para pagar parcelas e sim para comprar coisas que deseja”.  

Atenção aos golpes

Em um ambiente digital cada vez mais sofisticado, os riscos de fraude aumentam durante grandes eventos promocionais. Jeff faz um alerta direto: “Desconfie de ofertas enviadas por links diretos no WhatsApp ou redes sociais com preços irreais”.

Ele também orienta que o consumidor confira atentamente o endereço eletrônico das lojas e consulte listas de sites suspeitos divulgadas por órgãos de defesa do consumidor: “Se o desconto parece milagroso, a chance de ser um golpe de phishing é alta”.

Caso o consumidor seja vítima de fraude via Pix, a recomendação é agir rapidamente diretamente pelo aplicativo do próprio banco em que tem conta para solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central do Brasil para esses casos.

Definir limites é fundamental

Para evitar arrependimentos no mês seguinte, Jeff reforça a importância de estabelecer um teto de gastos: “Defina um teto de gastos, um valor máximo que você pode gastar no Mês do Consumidor sem comprometer o orçamento. O melhor desconto do mundo ainda é não comprar o que você não precisa.”

Jeff conclui com um conselho que vai além das promoções: “O seu eu do futuro vai agradecer por não ter furado o seu orçamento do ano e começado abril no vermelho”.