Pesquisa WeWork mostra que 53% do trabalhadores preferem ir ao escritório três dias por semana ou menos

Economia

As empresas estão reorganizando suas estruturas corporativas para 2026 com base em modelos de trabalho híbridos que combinam sedes centrais, trabalho remoto e o uso de escritórios satélites e espaços flexíveis distribuídos geograficamente. Estudos recentes da WeWork indicam que essa mudança busca maior proximidade com clientes, presença regional estratégica e mais eficiência na gestão imobiliária, ao mesmo tempo em que atende às novas preferências dos profissionais sobre onde e como trabalhar.

Uma pesquisa global conduzida pela WeWork em parceria com a empresa independente Workplace Intelligence, intitulada  The future of work is hybrid, analisou como o modelo híbrido impacta benefícios, produtividade e a estratégia imobiliária das empresas no período pós-pandemia. O estudo foi realizado com uma amostra cega de 2.000 profissionais nos Estados Unidos, sendo 1.000 executivos de nível C-suite e 1.000 funcionários sem cargos de chefia, todos atuando em regime de trabalho integral.
 

Mais flexibilidade como tendência

Os dados mostram que a flexibilidade se tornou um elemento central na reorganização das estruturas corporativas. De acordo com o levantamento, 95% dos funcionários desejam ter algum nível de controle sobre como, quando e onde trabalham, enquanto 96% dos executivos afirmam estar dispostos a oferecer esse controle. Na prática, 53% dos trabalhadores preferem ir ao escritório três dias por semana ou menos, e 50% afirmam que, quando comparecem presencialmente, o ideal é permanecer no local por menos de cinco horas por dia.

A forma como o tempo de trabalho é distribuído reforça a consolidação de estruturas descentralizadas. Os profissionais indicam preferência por dividir sua jornada entre diferentes ambientes: 36% do tempo na sede da empresa, 30% em casa e 34% em outros locais, como escritórios satélites, espaços de coworking ou ambientes alternativos. Esse cenário sustenta a adoção de redes de espaços flexíveis como suporte a operações regionais e como forma de aproximar equipes de mercados e clientes estratégicos.
 

Segundo Claudio Hidalgo, presidente da WeWork para América Latina, , o modelo híbrido permite que as empresas redesenhem suas estruturas com mais agilidade, utilizando escritórios satélites e espaços flexíveis para apoiar equipes locais.  “Essa prática reduz deslocamentos e mantém a conexão entre pessoas, clientes e negócios.  A empresa que adota esse formato também contribui para decisões imobiliárias mais eficientes, ao substituir contratos tradicionais de longo prazo por soluções adaptáveis à dinâmica do negócio”, afirma.
 

O estudo aponta ainda que a flexibilidade tem alto valor percebido pelos profissionais. Cerca de 75% dos funcionários afirmam que estariam dispostos a abrir mão de pelo menos um benefício, como bônus em dinheiro, plano de saúde ou dias de folga remunerados, em troca da liberdade de escolher seu ambiente de trabalho. Além disso, 64% dizem que pagariam do próprio bolso pelo acesso a um espaço de escritório caso a empresa não oferecesse essa opção, o que reforça a relevância do espaço físico como apoio à produtividade, ao foco e à colaboração.
 

Do ponto de vista das empresas, 79% dos executivos planejam permitir que os funcionários dividam seu tempo entre escritórios corporativos e trabalho remoto, enquanto 76% consideram provável oferecer auxílios financeiros para apoiar o trabalho em casa ou em espaços de coworking. Os dados também indicam que o modelo híbrido está associado a maior produtividade, engajamento e lealdade, especialmente entre profissionais mais satisfeitos, que tendem a passar até duas vezes mais tempo em locais fora de casa ou da sede da empresa.
 

A preferência pelo trabalho híbrido é mais comum em empresas de grande porte, localizadas em centros urbanos e nos setores financeiro e de tecnologia. Entre os funcionários, o modelo é especialmente valorizado por profissionais mais jovens, com maior nível de escolaridade e níveis salariais mais elevados, o que reforça seu papel estratégico na atração e retenção de talentos.
 

Com presença global e atuação focada em soluções de espaços de trabalho flexíveis, a WeWork avalia que a combinação entre sedes centrais e escritórios satélites continuará a ganhar relevância em 2026, apoiando estratégias corporativas mais descentralizadas e conectadas às demandas regionais. Segundo a empresa, esse movimento reflete uma mudança estrutural na forma como o trabalho é organizado e como os espaços físicos passam a integrar a estratégia de negócios no longo prazo.