IPCA-15 de junho 2026 sobe 0,41% | Análise por Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos .
Hoje foi divulgada a leitura do IPCA-15 de junho, que teve alta de +0,41%, frente à nossa projeção de +0,46% no mês.
A inflação acumulada em 12 meses subiu para +4,80%, uma aceleração de 16 pontos-base frente ao resultado de maio (+4,64%).
Entre os grupos de maior atenção, destaca-se o arrefecimento de Alimentação e bebidas (+0,74%), graças à alta mais moderada das carnes (+0,11%) e dos leites e derivados (+0,31%), ao passo que as frutas decresceram para -0,96%.
Habitação (+0,72%) acompanhou o movimento baixista, propiciado pela redução do gás de botijão (-0,48%) e desaceleração de energia elétrica (+2,04%).
Em Saúde e cuidados pessoais (+0,47%) destacamos a estabilização dos preços dos produtos farmacêuticos (-0,06%), após o reajuste concedido pela CMED em abril; higiene pessoal nos surpreendeu para baixo, ao registrar +1,03%.
Os Transportes (-0,03%), por sua vez, tiveram contribuição negativa mais suave do que no mês anterior, com aumento de passagem aérea (+7,24%) e enfraquecimento da queda de gasolina (-0,73%), enquanto o etanol (-5,30%) intensificou sua deflação.
Assim, os itens administrados se arrefeceram com ajuda de energia elétrica, gás de botijão e produtos farmacêuticos.
Os serviços subjacentes (+0,28%) vieram abaixo do esperado, com surpresa baixista em seguro voluntário de veículo (-3,40%), bem como menor pressão de alimentação fora do domicílio (+0,40%), condomínio (+0,17%) e serviços pessoais (+0,42%).
A taxa acumulada em doze meses dos serviços subjacentes atingiu +5,27%, sustentando patamar elevado; os núcleos não dessazonalizados, registraram alta de +0,38% na margem e +4,48% no acumulado em doze meses.
No que diz respeito aos itens mais sensíveis aos efeitos da guerra — que representam cerca de 15% da cesta do IPCA, conforme nosso estudo —, houve surpresa positiva: o agrupamento permaneceu praticamente estável (+0,02%), em contraste à nossa projeção de reaceleração para +0,21%.
Já o grupo de média sensibilidade, que representa cerca de 2,5% do índice, registrou queda pela primeira vez desde o início dos efeitos do conflito no Oriente Médio, com variação de -0,10%. Esses movimentos dão suporte à leitura de que os piores efeitos da guerra já ficaram para trás.
📌 Em síntese, o IPCA-15 de junho teve composição qualitativamente mais benigna. A principal surpresa baixista veio dos serviços subjacentes, especialmente condomínio e seguro de automóvel, movimento também refletido nas medidas dessazonalizadas do grupo.
Ainda assim, os serviços intensivos em mão de obra seguem como principal ponto de atenção, dada a elevada resiliência.
Bens industriais também surpreenderam favoravelmente, um resultado relevante diante dos sinais prévios de pressão vindos do atacado e do câmbio.
Com isso, mantemos a projeção de 5% para o IPCA deste ano. O balanço de riscos segue altista em razão do El niño, caso confirme efeitos climáticos mais severos.
Para 2027 a mesma visão permanece: com um super El niño e o petróleo próximo a 80 dólares por barril vemos IPCA acima de 5%; caso contrário, este patamar é teto para o IPCA do ano.
Autora: Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos
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