BC reduz juros para 14,75% ao ano
Veja o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central após a decisão de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano.
O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.
O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Comunicado do Copom: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
BC reduz juros em 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano
Veja a repercussão da decisão do Copom:
Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors:
“O Copom iniciou o ciclo de flexibilização ao reduzir a Selic para 14,75%, refletindo a percepção de que a política monetária contracionista já produziu efeitos relevantes sobre a atividade econômica.
Apesar do corte, o comunicado mantém um tom firme. A inflação segue acima da meta, as expectativas permanecem desancoradas e o ambiente externo se tornou mais incerto, especialmente com as tensões no Oriente Médio — fatores que exigem cautela adicional.
A leitura é de que o Banco Central deu início a uma recalibração técnica dos juros, e não a um ciclo de afrouxamento acelerado. A ausência de forward guidance reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos dados.
Em resumo, o Copom começou a cortar juros, mas com uma estratégia claramente gradual e condicionada, indicando que a Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo.
Como a decisão veio amplamente em linha com o esperado, a reação inicial dos mercados tende a ser mais moderada.
Ainda assim, o início do ciclo de cortes é positivo na margem. A curva de juros pode apresentar leve fechamento, principalmente nos trechos mais curtos, enquanto a bolsa tende a manter um viés construtivo, beneficiando setores mais sensíveis a juros.
Por outro lado, o câmbio pode seguir mais pressionado, refletindo tanto a redução do diferencial de juros quanto o aumento da incerteza externa. O Copom reforça um cenário favorável para ativos domésticos, mas sem grande efeito surpresa — o que limita movimentos mais expressivos no curto prazo.”
Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos:
“O comunicado do Copom com o corte não traz surpresas, seguiu com o corte que havia sido indicado na última reunião, mantendo o padrão de consistência que o Copom tem demonstrado entre o que comunica e o que faz.
Como esperado, existe todo um destaque para o conflito no Oriente Médio e para a incerteza quanto à duração do conflito e à mensuração do impacto na inflação, mas, mesmo assim, a manutenção que o Copom havia feito de uma taxa Selic elevada, em patamares contracionistas, surtiu efeito e permitiu que ocorresse a primeira calibração da taxa Selic.
Existe espaço para alterações no ritmo dessa calibração, que dependem de novas informações para mitigar as incertezas. Com toda certeza, as próximas divulgações do IPCA-15 e do IPCA de março serão de suma importância para a definição da próxima reunião do Copom, podendo inclusive resultar em um corte de 0,5 ponto percentual, caso o comitê julgue que o processo de arrefecimento da economia e de desinflação permaneça em seu curso em direção à meta de inflação.
Para a economia, essa decisão é muito bem-vinda, porque começa a reduzir a pressão sobre o custo do crédito para as famílias e empresas, além de aliviar o custo da dívida pública, o que é importante para a saúde fiscal da economia brasileira e continuidade do crescimento sustentável.
Do ponto de vista dos investidores, esse corte produz pouco efeito no curto prazo. Os ativos de renda fixa seguem atrativos, a taxa de juros continua em um patamar elevado, e o peso da próxima reunião do Copom é maior, pois o Comitê deverá trazer mais definições a respeito dos próximos passos, conforme o cenário externo for se tornando mais claro.”
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research:
“O Banco Central realizou o corte de juros, como sinalizado em janeiro, abaixo das nossas projeções, que eram de 0,5 ponto percentual, com um corte efetivo de 0,25. Isso ocorreu, principalmente, por conta do conflito no Oriente Médio e das incertezas em relação ao patamar do preço do petróleo, além dos impactos sobre os combustíveis no mercado interno, como diesel e gasolina, e sobre toda a cadeia produtiva, via custos indiretos.
Ainda há uma incerteza muito grande no cenário, o que foi ressaltado tanto no balanço de riscos quanto no comunicado.
Há, no entanto, um ponto importante: o comitê realizou o corte porque enxerga um cenário relativamente propício. A taxa de juros foi elevada para 15% e mantida nesse patamar por um período prolongado, em um movimento considerado crível, com ganho de credibilidade. Isso já vem produzindo efeitos, como a desaceleração da atividade econômica, o arrefecimento dos preços e a melhora das expectativas de inflação nos últimos meses, apesar de uma leve deterioração recente, influenciada pelo conflito.
Quando observamos as projeções no horizonte relevante do Banco Central, houve uma alta marginal, de 3,2% para 3,3%, ainda próxima da meta de 3%. Ou seja, existem elementos que justificam o corte realizado, embora o ambiente internacional siga bastante incerto, o que levou a autoridade monetária a adotar uma postura cautelosa.
O comunicado foi positivo, ao destacar essas incertezas. Em relação aos próximos passos, o Banco Central indicou a necessidade de incorporar novas informações para avaliar a profundidade e a duração do conflito, bem como seus efeitos diretos e indiretos sobre os níveis de preços.
No nosso cenário base, seguimos acreditando na continuidade do ciclo de cortes, mas isso dependerá diretamente da evolução do conflito. Nossa hipótese é de uma duração relativamente breve, considerando também fatores políticos nos Estados Unidos. A alta dos preços de combustíveis, como a gasolina, pode impactar a popularidade de Donald Trump, além de pressionar os preços de outros bens e dificultar o desempenho do Partido Republicano nas eleições de midterms.
Com a eventual dissipação do conflito, a tendência é de melhora do cenário, permitindo uma leitura mais clara dos novos níveis de preços.
Assim, ainda vemos espaço para cortes adicionais de juros, mas a extensão e os impactos do conflito seguem como os principais fatores de risco para o mercado neste momento.”
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD:
“A decisão do Copom traz um recado claro ao mercado: o Banco Central iniciou o ciclo de cortes, mas fez isso com extrema cautela, sem se comprometer com o ritmo daqui para frente.
A redução da Selic para 14,75% reconhece que a política monetária já está funcionando– a atividade começa a desacelerar e a inflação dá sinais de alívio–, mas o tom do comunicado mostra que o trabalho ainda não terminou.
O ambiente externo piorou de forma relevante. A escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou o preço das commodities, especialmente o petróleo, aumentando a incerteza global e pressionando as condições financeiras. Esse cenário exige ainda mais prudência de países emergentes. Ao mesmo tempo, no Brasil, a inflação segue acima da meta, as expectativas continuam desancoradas e a inflação de serviços ainda mostra resistência, mantendo o Banco Central em alerta.
Nesse contexto, o Banco Central do Brasil optou por dar início ao processo de flexibilização, mas preservando total flexibilidade para os próximos passos. É um BC que corta juros, mas mantém o pé no freio, acompanhando de perto tanto o cenário internacional quanto a dinâmica doméstica.
A decisão busca equilibrar a convergência da inflação para a meta com a suavização dos impactos sobre a atividade, em um momento de elevada incerteza.
O recado final é direto: o ciclo começou, mas o caminho será gradual e dependente dos dados. O Banco Central abriu a porta para a queda dos juros, mas deixou claro que ainda vai caminhar com cautela.”
Lucas Constantino – estrategista-chefe da GCB Investimentos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,75% a.a., em linha com o cenário-base da GCB Investimentos, em um contexto de mudanças relevantes nas expectativas desde a última reunião. A decisão marca o início do ciclo de cortes de juros, ainda que em ritmo mais moderado, refletindo o aumento recente das incertezas no ambiente macroeconômico e a necessidade de maior cautela por parte da autoridade monetária.
O comunicado preservou um tom prudente, reforçando que o ritmo e a magnitude dos próximos ajustes seguirão condicionados à evolução dos dados e ao grau de confiança na trajetória de convergência da inflação à meta de 3,0%. Ainda que o início do ciclo tenha sido confirmado, a comunicação do Comitê sugere menor espaço para movimentos mais intensos no curto prazo, diante de um balanço de riscos que se tornou menos favorável nas últimas semanas.
A inflação de fevereiro, medida pelo IPCA, veio acima das expectativas e apresentou leve piora, com aceleração dos núcleos e da inflação de serviços. As expectativas de inflação também permanecem acima da meta no horizonte relevante. Adicionalmente, a escalada recente das tensões no Oriente Médio, com forte elevação dos preços do petróleo, adicionou um novo vetor de risco para a dinâmica inflacionária, cujos efeitos ainda não foram capturados pelos dados correntes. Esse choque tende a se transmitir para a economia brasileira, pressionando os índices de preços ao longo dos próximos meses, tornando o processo de desinflação mais desafiador.
Do lado da atividade, os indicadores seguem apontando para uma desaceleração gradual da economia, refletindo os efeitos defasados de uma política monetária mantida em patamar bastante restritivo por período prolongado. Segmentos mais sensíveis às condições financeiras continuam pressionados, enquanto o mercado de trabalho tem atenuado, no curto prazo, os impactos desse aperto monetário sobre a demanda.
Projeção GCB Investimentos: A decisão de iniciar o ciclo de cortes com um movimento mais moderado reforça a estratégia do Banco Central de calibrar a política monetária em um ambiente marcado, simultaneamente, pelo enfraquecimento da atividade, pelo elevado custo do serviço da dívida do governo, empresas e famílias e pelo aumento das incertezas, especialmente diante dos riscos inflacionários e cambiais associados à atual conjuntura.
A GCB Investimentos mantém a expectativa de continuidade do ciclo de flexibilização ao longo de 2026, porém em ritmo bem gradual, condicionado à evolução da inflação, das expectativas e dos desdobramentos do cenário global, em um processo que tende a ser mais cauteloso do que o inicialmente projetado.
Por fim, além da imprevisibilidade externa, o ambiente doméstico permanece desafiador, com o cenário fiscal e político ainda no radar dos agentes econômicos, às vésperas das eleições presidenciais. A evolução desses fatores será determinante para a trajetória das expectativas e para a condução da política monetária nos próximos trimestres.”
Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management:
“O corte de 25 bps veio em linha com nossas previsões. Essas já incorporavam os diversos desafios, tanto internos quanto externos, que o presente ciclo de queda da Selic enfrenta. O comunicado mostra um Banco Central conservador e atento aos movimentos dos preços do petróleo e ao seu impacto na economia brasileira e indica que a velocidade de cortes será inicialmente mais lenta do que o mercado esperava, mas deve se acelerar à medida que os riscos geopolíticos se reduzam.”
José Márcio Camargo – Economista-chefe da Genial Investimentos:
Como esperado, o Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 pontos de porcentagem, decisão tomada unanimemente por todos os diretores que participaram da decisão. No comunicado, os diretores do Banco Central chamaram a atenção para o fato de que com a guerra no Oriente Médio e o aumento dos preços de commodities, principalmente de petróleo, o risco de uma aceleração da taxa de inflação aumentou.
Segundo o comunicado, a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, de 15%, por um período prolongado, foi suficiente para promover uma desaceleração da economia, abrindo espaço para a redução da Selic em 0,25 ponto percentual, mesmo diante das incertezas geradas pela guerra. Ao mesmo tempo, persistem os problemas referentes às expectativas das influências de inflação, que continuam desancoradas. As projeções de inflação continuam bastante elevadas, e é necessário serenidade e cautela nas próximas decisões do Banco Central.
Desse ponto de vista, a decisão foi absolutamente esperada, sem nenhuma surpresa, e foi super importante para manter a credibilidade do Banco Central.”
Natalie Victal – Economista chefe da SulAmérica Investimentos:
O Banco Central entregou o esperado, com corte de 0,25 ponto. No comunicado, sinalizou um ciclo de calibração, mas deixou a porta aberta para ajustes no ritmo à frente.
Chamou atenção o peso maior dado ao cenário externo e, principalmente, a projeção de inflação em 3,3%, que nos parece um sinal dovish. O impacto do choque de petróleo recente nas projeções foi limitado, inclusive em administrados, o que surpreendeu.
Seguimos com nossa projeção de corte de 0,50 ponto em abril. Ainda vemos um cenário macro desafiador e espaço limitado para flexibilização, mas a comunicação de hoje foi mais suave e pode estimular o mercado a discutir uma aceleração do ciclo, se o ambiente externo melhorar. A ata deve trazer mais explicação quanto às premissas adotadas na projeção.
Cristiano Oliveira – Diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine:
Copom inicia flexibilização em meio à incerteza geopolítica
O Copom iniciou um ciclo de afrouxamento monetário mesmo diante de um choque geopolítico relevante — e essa é, por si só, a principal notícia. O Comitê reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p., para 14,75% a.a., em decisão unânime, em linha com a precificação da curva de juros e com a expectativa de parte relevante dos analistas.
O início do ciclo ocorre em um ambiente externo significativamente mais desafiador, marcado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio e pela elevação das incertezas globais. Em nossa avaliação, a decisão merece destaque, pois sinaliza uma economia doméstica mais resiliente a choques externos e reforça a credibilidade conquistada pelo Banco Central na condução da política monetária.
No cenário internacional, o Comunicado aponta que a intensificação das tensões geopolíticas tem pressionado as condições financeiras e os preços de commodities, elevando a incerteza quanto à trajetória da inflação global. Esse ambiente tende a exigir maior cautela por parte das autoridades monetárias, especialmente em economias emergentes.
No cenário doméstico, os indicadores seguem apontando moderação da atividade econômica, refletindo a defasagem dos efeitos da política monetária contracionista, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. A inflação corrente e suas medidas subjacentes apresentam sinais de arrefecimento, embora ainda acima da meta, ao passo que as expectativas seguem desancoradas, inclusive no horizonte relevante.
O Comunicado do Copom apresentou tom relativamente dovish, ainda que condicional, ao enfatizar a dependência dos próximos passos à evolução do cenário. Em particular, o Comitê destacou a relevância dos desdobramentos geopolíticos e de seus efeitos sobre a dinâmica inflacionária e as expectativas.
Nossa avaliação preliminar é de que o ciclo de flexibilização deve prosseguir de forma gradual, com cortes de 0,25 p.p. nas próximas reuniões, refletindo o elevado grau de incerteza. Um cenário alternativo, de maior dissipação das tensões geopolíticas e melhora do ambiente externo, poderia permitir a aceleração do ritmo de cortes, para 0,50 p.p., condicionada à evolução favorável das expectativas de inflação.”
Fabio Louzada, CEO da B7 Business School:
“A decisão do Copom em reduzir os juros sinaliza uma mudança relevante no ciclo econômico, com a política monetária começando a estimular mais a atividade e o mercado financeiro entrando em uma nova fase de reequilíbrio. Esse movimento tende a ampliar o acesso ao crédito, incentivar o consumo e gerar mais dinamismo na economia, o que também impacta diretamente a demanda por profissionais mais preparados. Em momentos como esse, cresce a necessidade de formação prática, voltada para tomada de decisão em cenários mais complexos. Ao mesmo tempo, o ambiente ainda exige cautela. A alta do petróleo e as tensões no Oriente Médio podem pressionar a inflação e influenciar os próximos passos de Copom e Fed, o que reforça a importância de capacitação alinhada à realidade do mercado”.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos:
“Para o mercado de crédito estruturado, a queda dos juros indica o início de uma mudança importante de regime, com tendência de melhora gradual nas condições de funding, compressão de spreads mais à frente e ambiente potencialmente mais favorável para originação. Isso pode fortalecer o crédito, estimular consumo e reaquecer a atividade, sobretudo em segmentos que dependem mais de capital de giro e financiamento. Ainda assim, o movimento não deve ser lido como relaxamento amplo. O choque no petróleo provocado pela tensão no Oriente Médio adiciona um componente de risco inflacionário que pode limitar a velocidade dos próximos cortes, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Para FIDCs, isso significa oportunidade, boa estrutura de garantias e atenção redobrada à qualidade dos recebíveis”.
Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike
“O corte indica que o Copom iniciou a flexibilização monetária, mas de forma cautelosa, diante da inflação ainda sensível a choques externos. A decisão reconhece sinais de desaceleração da atividade, sem perder de vista os riscos vindos da alta do petróleo e do cenário geopolítico. Para o ciclo econômico, o recado é de transição gradual, sem estímulos fortes no curto prazo. O impacto sobre crédito, consumo e atividade tende a ser lento e incremental. A escalada do conflito no Oriente Médio pode limitar o ritmo dos próximos cortes, tanto no Brasil quanto nos EUA, reforçando uma postura mais dependente dos dados”.
André Matos, CEO da MA7 Negócios:
“Com o Copom iniciando o ciclo de queda da Selic e o Fed mantendo os juros, a leitura é de um descolamento de ritmo entre Brasil e Estados Unidos. Aqui, a autoridade monetária sinaliza que a desaceleração e a dinâmica doméstica já permitem começar a reduzir o grau de restrição, enquanto lá fora a prioridade segue sendo cautela com inflação e incerteza. O impacto tende a ser gradual: primeiro melhora o custo de rolagem e o crédito para empresas com melhor perfil, depois vai se espalhando para crédito ao consumo e, com defasagem, para atividade. O ponto de atenção é que a escalada do conflito no Oriente Médio e o petróleo mais alto podem contaminar expectativas de inflação via combustíveis, frete e câmbio, o que limita o espaço para cortes mais rápidos adiante e mantém a curva longa mais sensível”.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos:
“A queda na taxa de juros mostra que a autoridade monetária passou a enxergar espaço para iniciar uma calibragem menos restritiva da política, o que sugere uma economia ainda fraca o bastante para pedir estímulo, mas com inflação em trajetória mais administrável. Na prática, isso tende a aliviar parte da curva, favorecer crédito, consumo e setores mais sensíveis a juros, como varejo e construção, além de melhorar a leitura para bolsa. Só que o mercado não vai olhar apenas para a decisão de hoje. A alta do petróleo e o agravamento do conflito no Oriente Médio podem contaminar expectativas de inflação e mexer com câmbio, combustíveis e juros futuros. Por isso, mesmo com o corte, o mais provável é que o Copom adote uma comunicação dura e mantenha os próximos passos em aberto, já no Fed eles estão atentos a isso e podem fazer ajustes de juros a qualquer momento caso piore a economia, dependendo da evolução da energia e dos indicadores de preços”.
Pedro Ros, CEO da Referência Capital:
“Essa queda da Selic indica uma virada importante no ciclo econômico, com a política monetária começando a favorecer mais a atividade do que conter riscos. Isso tende a destravar decisões de investimento, especialmente em ativos reais, como o mercado imobiliário, que se beneficia diretamente da melhora no crédito e na previsibilidade financeira. O impacto sobre consumo e atividade deve aparecer de forma gradual, à medida que o custo do dinheiro diminui e aumenta a confiança dos agentes. Ainda assim, o cenário exige atenção. A alta do petróleo e as tensões no Oriente Médio podem influenciar expectativas inflacionárias e tornar os próximos movimentos mais calibrados. Mesmo assim, o Brasil entra em um momento mais construtivo, com oportunidades relevantes para quem busca estruturar patrimônio com visão de longo prazo”.
Gustavo Assis, CEO da Asset Bank
“A redução dos juros sinaliza o início de um ambiente mais favorável para o crédito estruturado, com tendência de melhora nas condições de captação e expansão da oferta de capital para empresas. Isso pode estimular o crédito, apoiar o consumo e contribuir para uma retomada mais consistente da atividade econômica. Para os FIDCs, o movimento abre espaço para maior originação e diversificação, ao mesmo tempo em que exige rigor na análise de risco e na estruturação das operações. No entanto, o cenário externo segue no radar. A valorização do petróleo e a instabilidade geopolítica podem impactar a inflação global e, consequentemente, limitar o ritmo de flexibilização de Copom e Fed. O mercado entra em uma fase mais dinâmica, mas ainda dependente de disciplina e seletividade”.
Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest:
“A redução na taxa de juros melhora o ambiente para inovação e empreendedorismo ao reduzir o custo de capital e aumentar o apetite por risco, o que tende a reaquecer o ecossistema de startups. Em ciclos anteriores, esse movimento foi determinante para ampliar investimentos e destravar novas rodadas, e a expectativa é de uma retomada gradual nesse sentido. Além disso, juros menores favorecem consumo e atividade, criando um ambiente mais propício para crescimento de novos negócios. Por outro lado, o cenário global segue como variável-chave. A alta do petróleo e os conflitos no Oriente Médio podem pressionar a inflação e influenciar a postura do Fed, o que acaba impactando diretamente a liquidez global. Ou seja, o ciclo melhora, mas ainda exige leitura cuidadosa e estratégia bem definida”.
Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue:
“A redução da taxa de juros indica uma inflexão no ciclo econômico e abre espaço para um ambiente mais favorável ao crédito estruturado, com impacto direto sobre a capacidade das empresas de acessar capital e expandir suas operações. Esse movimento tende a estimular o consumo e a atividade econômica, ao mesmo tempo em que fortalece alternativas ao crédito bancário tradicional, como os FIDCs, que ganham relevância em momentos de reacomodação da política monetária. Ainda assim, o cenário global segue como variável crítica. A alta do petróleo e a escalada das tensões no Oriente Médio podem influenciar a inflação e tornar os próximos passos de Copom e Fed mais cautelosos. O avanço do crédito deve acontecer, mas com disciplina, tecnologia e governança como pilares centrais”.
Fábio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação:
“O corte de juros reforça a leitura de que o ciclo econômico começa a migrar para um ambiente mais favorável ao risco e ao investimento de longo prazo. Isso tende a beneficiar o mercado de capitais como um todo, ampliando o interesse por produtos como ETFs e incentivando a diversificação das carteiras. Além disso, a queda dos juros reduz a atratividade de aplicações mais conservadoras e empurra o investidor para ativos com maior potencial de retorno, o que também contribui para dinamizar o consumo e a atividade. Por outro lado, o cenário externo segue no radar. A alta do petróleo e os conflitos no Oriente Médio podem pressionar a inflação global e impactar as decisões do Fed, o que influencia diretamente o fluxo para mercados emergentes como o Brasil”.
João Kepler, CEO da Equity Group
“O corte de juros sinaliza que o ciclo econômico entrou em uma fase menos defensiva e mais voltada a destravar investimento, expansão e tomada de risco produtivo. Para empresas e startups, isso tende a melhorar o custo de capital, reabrir conversas de captação e dar algum fôlego para consumo e atividade, embora o efeito não seja imediato nem linear. O ponto central é que a decisão mostra confiança maior na descompressão inflacionária, mas não encerra o debate. A escalada do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo recolocam pressão sobre preços globais e podem, sim, tornar os próximos passos de Copom e Fed mais cautelosos. Em outras palavras, o corte na Selic ajuda a economia a respirar, mas o ambiente segue sensível e exige disciplina de gestão, caixa e alocação”.
Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos:
“Copom reduziu a taxa Selic em 25 bps, para 14,75% a.a., iniciando o ciclo de cortes da taxa de juros conforme sinalizado na reunião anterior. O comunicado trouxe um tom de cautela em relação as perspectivas a frente e não ofereceu sinalização direta sobre os próximos passos, adotando uma postura data-dependent em função dos conflitos no Oriente Médio e seus respectivas desdobramentos. O Comitê destacou que os riscos inflacionários “se intensificaram” com o conflito. O impacto nos preços de energia elevou as projeções do BC para o IPCA no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante para a política monetária, para 3,3%, aspecto talvez mais dovish do comunicado, uma vez que o mercado estimava inflação em 3,5%. O Copom reafirmou cautela e indicou que os passos futuros dependerão de novas informações sobre a profundidade e extensão dos conflitos e seus efeitos sobre preços.”
Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP:
“O COPOM decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 p.p., conforme esperado por parte do mercado. Por conta da mudança no cenário que ocorreu desde a última reunião, com o avanço do conflito no Oriente Médio e indicadores de inflação e atividade econômica no Brasil mais pressionados, as apostas estavam divididas para essa reunião.
A justificativa para o corte foi pautada na desaceleração da atividade econômica, que foi vista, principalmente, nos indicadores do final de 2025. Vale ressaltar, que os últimos dados divulgados mostram um repique da atividade durante o primeiro trimestre de 2026, em decorrência da expansão na concessão de crédito e na renda disponível. Além disso, o conflito no Oriente Médio aumenta as incertezas do cenário.
Para as próximas reuniões, o comitê manteve o cenário em aberto, dependente da profundidade e extensão do conflito no Oriente Médio e seus efeitos ao longo do tempo. Por conta do avanço no preço das commodities energéticas, especialmente do Brent, houve aumento nas expectativas de inflação no horizonte relevante (3º tri 2027) de 3,2% para 3,3%.
O comunicado pode ser interpretado como dovish pelo mercado, especialmente considerando que parte dos analistas esperava a manutenção da taxa de juros. Além disso, diante do repique da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026, a justificativa para o corte não ficou totalmente explícita, devendo ser detalhada de forma mais aprofundada na ata a ser divulgada na próxima terça-feira.”
Nota da Abrainc
A ABRAINC considera positiva a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mas avalia que é fundamental garantir uma trajetória contínua e mais consistente de queda dos juros no país.
A entidade compreende que o cenário internacional, marcado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, adiciona incerteza à economia global e pressiona a inflação, especialmente por meio dos preços de commodities como petróleo, porém ressalta que o Brasil, mesmo antes do início do conflito, já convivia com um dos maiores juros reais do mundo, ocupando a 2ª posição global, com taxa de aproximadamente 9,51%, atrás apenas da Turquia.
Esse patamar elevado restringe o crédito, encarece o custo de capital e limita o crescimento do país.
Além disso, cada redução de 1 ponto percentual na Selic poderia gerar uma economia anual entre R$ 55 bilhões e R$ 60 bilhões no pagamento de juros da dívida pública, recursos que poderiam ser direcionados a investimentos e à geração de empregos.
Os efeitos já são percebidos no mercado de trabalho. Em 2025, o Brasil criou 1,28 milhão de vagas formais, resultado 23% inferior ao de 2024 e o pior desde 2020. Em janeiro de 2026, foram 112,3 mil vagas, queda de 27% na comparação anual.
Para o presidente da ABRAINC, Luiz França, o ciclo de queda precisa ganhar intensidade. “A redução é positiva, mas o país ainda opera com um custo de capital muito elevado, que restringe o crédito e desacelera a atividade econômica”, afirma.
A ABRAINC reforça que a continuidade e o aprofundamento da redução dos juros são essenciais para estimular investimentos, geração de empregos, ampliar o acesso ao financiamento imobiliário e garantir um crescimento econômico sustentável.
Nota da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE):
A Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante de 35 instituições que fazem parte do Sistema Nacional de Fomento (SNF) avalia como positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de iniciar o ciclo de redução da taxa Selic, ainda que de forma mais moderada, com corte de 0,25 ponto percentual. A medida sinaliza o início de uma flexibilização monetária necessária para a redução do custo de capital e o estímulo à atividade produtiva no país.
Até o final de fevereiro, consolidava-se no mercado a expectativa de um corte inicial de 0,50 ponto percentual, sustentado pela desaceleração da atividade econômica e pela convergência das expectativas de inflação para horizontes mais longos. No entanto, a intensificação das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — com possíveis impactos sobre os preços do petróleo e combustíveis — elevou o grau de incerteza e levou a autoridade monetária a adotar uma postura mais cautelosa neste primeiro movimento.
Para a ABDE, mesmo uma redução mais gradual já representa um avanço relevante. “A queda da taxa de juros, seja de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual, é fundamental para reduzir o custo de capital e fomentar o investimento produtivo. O Sistema Nacional de Fomento já atua de forma estruturante na oferta de crédito de longo prazo, inclusive em regiões e setores onde o sistema financeiro tradicional tem menor presença”, destaca o diretor executivo da ABDE, André Godoy.
A Associação ressalta, contudo, que os impactos mais significativos da redução da Selic devem ser percebidos apenas ao longo do segundo semestre, com maior intensidade no último trimestre do ano e início de 2027.
André Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi:
Na avaliação do cenário internacional, o comitê destacou que o cenário tornou-se ainda mais incerto por conta do conflito no Oriente Médio.
O comitê destaca que avalia os efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Isso indica que não tende a reagir aos movimentos no preço do petróleo, mas aos seus impactos na inflação. Essa mensagem é importante para trazer tenacidade para a política monetária.
Na avaliação do cenário doméstico, o comitê manteve a percepção de que a atividade segue em trajetória de moderação, conforme esperado, destacando implicitamente a leitura do PIB do 4º tri./2025. No entanto, manteve também a leitura de que o mercado de trabalho segue resiliente, o que se mantém como um risco altista para a inflação de serviços, que está em patamar relativamente desconfortável.
A projeção de inflação para o horizonte-alvo da política monetária, atualmente o 3º trimestre de 2027, subiu de 3,2% para 3,3%. A elevação relativamente pequena (de +0,1 p.p.) nos chamou atenção, tendo em vista que esperávamos uma revisão maior, para 3,4%, bem como o consenso de mercado. Isso é um ponto de destaque do comunicado, uma vez que não foi feita menção a mudanças na forma de incorporação do preço do petróleo no modelo de projeção do Comitê. Podemos ver maiores detalhes sobre este ponto na Ata da próxima terça-feira (24/03) ou no Relatório de Política Monetária na quinta-feira (26/03).
O comitê reconheceu a elevação de sua projeção para o horizonte relevante, mas ressaltou que a incerteza em torno de suas projeções se elevou consideravelmente, diante da falta de clareza sobre a duração dos conflitos. No entanto, ainda assim, decidiu dar início ao ciclo de cortes pois o longo período de juros elevados já se evidenciou sobre a atividade econômica, que mostra desaceleração. Ou seja, apesar dos ruídos trazidos pela guerra, os fundamentos (atividade, inflação, câmbio…) seguem favoráveis para que o Copom comece a reduzir, gradualmente, o grau de aperto monetário atual.
Diante da ponderação entre o forte aumento da incerteza e condições econômicas favoráveis à redução dos juros, o Copom quis reafirmar sua postura de serenidade e cautela, condicionando os passos futuros às “(…)novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”
Em meio à falta de clareza sobre a duração dos conflitos, entendemos a condução mais prudente nesse início de ciclo. Por outro lado, os fundamentos (atividade, inflação, câmbio…) seguem favoráveis para que o Copom continue, gradualmente, a diminuir a taxa de juros. A duração do conflito e o patamar do preço do petróleo e derivados vai determinar se o ritmo de cortes na próxima reunião será mantido em 0,25 p.p. ou se haverá espaço para acelerar para 0,50 p.p..
Como de praxe, mantemos o nosso cenário de corte 0,50 p.p. para a próxima reunião e esperaremos a ata da reunião para eventualmente rever o cenário, mas entendemos que a taxa Selic para o final do ano tente a ficar ligeiramente mais elevada do que a nossa projeção de 12,0% a.a..
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital:
No comunicado, o Comitê ressaltou a elevação da incerteza devido ao acirramento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seu impacto na volatilidade de preços de ativos e commodities – notadamente o petróleo e seus derivados.
Do lado doméstico, destacou a percepção de que os dados referentes ao final de 2025 mostraram real desaceleração na atividade econômica.
O choque do petróleo fez as projeções de inflação se afastarem da meta no horizonte relevante, ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos meses, e a questão agora fica sobre a duração do conflito e seus efeitos de médio prazo.
Mesmo assim o Comitê decidiu iniciar um ciclo de calibração dos juros, justificando que os juros altos proporcionaram evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. E aqui segue o que, em nossa visão, é o principal ponto do comunicado: a avaliação de que foram criadas condições para que ajustes no ritmo dessa calibração possam ocorrer para assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
Isso significa que, caso o conflito seja duradouro e os preços das commodities se mantenham nos níveis atuais por um período prolongado, parar os cortes é uma possibilidade cabível. Mas caso os preços voltem na direção daqueles visto no fim de 2025, a possibilidade de aceleração do ritmo é bastante real. Tudo isso partindo do princípio de que não haverá outros choques que mudem a trajetória dos dados domésticos.
Ao reafirmar serenidade e cautela na condução da política monetária, o Comitê procura ganhar tempo para avaliar o que fazer a cada decisão, sem se comprometer com uma trajetória pré-definida, podendo considerar todas as novas informações presentes neste contexto de alta volatilidade.
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