Agronegócio atrai investidores
Mais de 3 milhões de pessoas físicas investem no agronegócio por meio da B3
Integração cada vez maior do setor com o mercado de capitais é tema de destaque do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (10)
São Paulo, 10 de agosto de 2026 – Responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) e por movimentar R$ 3,2 trilhões em 2025, o agronegócio demanda volumes crescentes de recursos para financiar produção, expansão, inovação e ganhos de produtividade.
Nesse cenário, o mercado de capitais vem ampliando seu papel como fonte complementar de financiamento e como instrumento de gestão de riscos para produtores e empresas de diferentes elos da cadeia.
O tema está entre os destaques do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3. Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, participa da cerimônia de abertura do evento, e Fabiana Perobelli, Superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, dialoga com lideranças do mercado sobre desafios e soluções para investimento e financiamento em tempos voláteis.
“O agronegócio brasileiro alcançou uma dimensão que exige fontes de recursos cada vez mais diversificadas, recorrentes e adequadas aos diferentes projetos e momentos da cadeia. Programas de crédito direcionado, como o Plano Safra, seguem cumprindo função uma fundamental e o mercado de capitais se soma a eles ao aproximar o setor produtivo dos investidores, ampliar as alternativas de financiamento e oferecer instrumentos para administrar riscos. O papel da B3 é criar as condições para que essa conexão aconteça em um ambiente seguro, transparente e eficiente”, afirma Luiz Masagão, Vice-presidente de Produtos e Clientes da B3.
O movimento ocorre em um momento de forte atividade do mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as ofertas alcançaram R$ 361,8 bilhões, o maior volume já registrado para o período. A renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões desse total, enquanto as emissões de Fiagros chegaram a R$ 8,3 bilhões, com crescimento expressivo na comparação anual.
Instrumentos do agronegócio ganham escala
Os volumes registrados na infraestrutura da B3 mostram o espaço que os instrumentos privados de financiamento já conquistaram.
Em junho de 2026, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) superou R$ 474 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somaram R$ 563 bilhões; os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), R$ 174 bilhões; e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs), mais de R$ 30 bilhões.
A evolução é significativa quando comparada ao ano anterior. Em junho de 2025, por exemplo, o estoque de CPRs registrado na B3 estava acima de R$ 418 bilhões, enquanto CRAs somavam R$ 160 bilhões.
Os Fiagros são outro exemplo dessa aproximação. Hoje, cerca de 57 fundos estão disponíveis na bolsa e a classe reúnem mais de 600 mil investidores pessoas físicas. Criados para direcionar recursos para diferentes atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais, eles ampliam as possibilidades de participação do investidor no financiamento do setor. A expansão desses instrumentos ajuda a conectar diretamente a necessidade de capital do campo à poupança dos investidores.
“Quanto maior o número de investidores interessados no agro e maior a variedade de instrumentos disponíveis, mais possibilidades o setor produtivo tem para encontrar estruturas compatíveis com suas necessidades. Esse desenvolvimento contribui para um mercado mais profundo e capaz de acompanhar os ciclos de investimento de uma cadeia que é estratégica para o Brasil”, diz Masagão.
Proteção também é parte do financiamento
Para além da captação de recursos, a capacidade de administrar riscos é um componente importante da sustentabilidade financeira dos negócios do campo. Contratos Futuros e Opções negociados na B3 permitem que produtores, cooperativas, entre outras diversas empresas ligadas à cadeia produtiva do agro se protejam de oscilações de preços e reduzam incertezas que podem afetar margens e planejamento. A procura por esses instrumentos vem crescendo. No Contrato Futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado passou de cerca de R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026. No futuro de milho, o número de contratos em aberto cresceu 55%.
Esse avanço da liquidez aumenta a possibilidade de produtores e empresas estruturarem estratégias de proteção e planejamento financeiro. Com preços transparentes e referências formadas em mercado, os derivativos podem ser usados para reduzir a exposição a movimentos adversos e trazer maior previsibilidade para decisões de produção, comercialização e investimento.
Mais empresas podem acessar o mercado
Outra frente para ampliar o financiamento privado é facilitar a entrada de empresas de menor porte no mercado de capitais. Com a vigência do Regime FÁCIL, criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), companhias com receita bruta anual de até R$ 500 milhões passaram a contar com regras simplificadas para acessar instrumentos de dívida corporativa e de equity.
Desde março, cerca de R$ 150 milhões já foram captados por meio de emissões de debêntures e notas comerciais realizadas na B3 dentro do novo regime.
Para empresas ligadas ao agronegócio, a ampliação das portas de entrada no mercado pode contribuir para financiar expansão, novas unidades, tecnologia, infraestrutura e outras iniciativas necessárias ao ganho de escala e produtividade.
Sobre a B3
A B3 S.A. (B3SA3) é muito mais do que a bolsa do Brasil. É uma das principais infraestruturas de mercado financeiro do mundo, que potencializa o crescimento de seus clientes, da sociedade e do Brasil, conectando empresas, investidores, instituições financeiras e órgãos do mercado.
A B3 oferece a robustez e a experiência de uma empresa de mais de 130 anos, com a modernidade e a vanguarda em soluções para ambientes de bolsa, balcão, dados e tecnologia, contribuindo de forma vasta e ampla para o sistema financeiro sustentável da economia brasileira.
Conteúdo: B3 – Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3 – Foto: Gerardo Lazzari
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