Análise XP agosto/2026: Por que investir em ações com títulos pagando IPCA + 8%?
Veja trechos do relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo).
Análise XP agosto/2026
Após a recente alta dos juros reais longos no Brasil, uma pergunta comum dos investidores é se a bolsa brasileira segue atrativa nesse cenário.
Acreditamos que sim, pois um ambiente de juros mais altos por mais tempo parece estar em boa parte precificado, já que o prêmio de risco do Ibovespa melhorou recentemente, com os preços das ações caindo mais do que a alta das taxas dos títulos NTN-B;
Acreditamos que a dinâmica de oferta e demanda para a bolsa brasileira segue favorável, oferecendo um pano de fundo potencialmente construtivo no curto prazo.
O prêmio de risco da bolsa brasileira subiu após a correção recente.
Após uma forte compressão do prêmio de risco desde 2025, a correção recente do mercado levou a uma recuperação parcial do indicador, que atualmente está em 4,0%, à medida que as ações caíram mais do que os juros reais de longo prazo subiram.
Lembrando que o prêmio mede quanto de retorno esperado a Bolsa têm em relação ao juro real (quanto maior o percentual, melhor) especialmente para as cíclicas domésticas.
É relevante destacar que a maior parte dessa melhor no prêmio de risco veio dos setores cíclicos, enquanto Financeiro e Defensivas seguem negociando a prêmios relativamente menos atrativos.
Olhando apenas para o P/L, o quadro é relativamente similar. O Ibovespa negocia atualmente a 8,4x P/L, próximo da média de 5 anos (~8,2x) e abaixo da média de 15 anos (~10,5x).
As cíclicas domésticas apresentam padrão semelhante ao da análise de prêmio de risco, com múltiplos ainda cerca de um desvio-padrão abaixo da média de 5 anos.
Defensivas e Financeiro seguem em linha com suas médias históricas, enquanto Commodities se destacam como o segmento mais esticado, com o P/L próximo de um desvio-padrão acima da média de 5 anos.
O fluxo e a dinâmica de oferta e demanda seguem favoráveis à bolsa. Além do valuation, acreditamos que a dinâmica de oferta e demanda segue oferecendo um pano de fundo relativamente favorável à bolsa brasileira, sobretudo na comparação com os títulos públicos indexados à inflação, por dois motivos principais:
1. Os investidores locais seguem sub-alocados em ações. A exposição do investidor local a ações segue historicamente baixa, nos menores níveis dos últimos oito anos. Ao mesmo tempo, os investidores domésticos seguem fortemente concentrados em renda fixa, como mostram os dados dos fundos de pensão.
2. As ações estão mais bem posicionadas para se beneficiar do fluxo estrangeiro. Os investidores estrangeiros normalmente não alocam em NTN-Bs, respondendo por ~3% do estoque em circulação. Em contrapartida, os estrangeiros representam ~60% do giro da bolsa brasileira. Como resultado, em períodos de demanda estrangeira mais forte por ativos brasileiros, as ações tendem a ser as mais beneficiadas, como se viu no rali mais recente.
Conteúdo: Relatório Raio XP elaborado por Fernando Ferreira (Estrategista-chefe e Head de Research), Raphael Figueiredo (Estrategista de Ações), Caio Souza (Estrategista de Ações) e Antonio Mello (Estrategista Quantitativo).
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