Agropecuária brasileira segue sendo o destaque do período
No primeiro trimestre de 2026, o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 1,1%, totalizando R$ 3,3 trilhões, com resultado positivo nos três setores – Agropecuária (2,0%), Indústria (1,0%), e Serviços (0,5%). O PIB demonstra o tamanho da economia de um país. Ele representa tudo o que foi produzido em determinado período.
De acordo com IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), comparado a igual período de 2025, o PIB teve crescimento de 1,8% no primeiro trimestre de 2026. O Valor Adicionado a preços básicos apresentou elevação de 1,8% e os Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios avançaram em 1,9%.
Confira abaixo os comentários de especialistas sobre o macroindicador:
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD
O PIB do primeiro trimestre veio um pouco acima do que o mercado esperava. A expectativa girava em torno de um crescimento próximo de 1%, e o IBGE confirmou uma alta de 1,1% na comparação com o quarto trimestre de 2025, mostrando uma economia brasileira ainda resiliente apesar dos juros elevados.
O grande destaque veio da agropecuária, que cresceu 2%, impulsionada pela safra recorde de soja. A indústria também surpreendeu positivamente, avançando 1%, puxada principalmente pela indústria extrativa, com alta de 3,6%, refletindo o aumento da produção de petróleo e gás. Construção civil também mostrou força, subindo 2,9%.
Já o setor de serviços, que representa cerca de 70% da economia, cresceu apenas 0,5%. Os destaques positivos ficaram com informação e comunicação, alta de 2,4%, atividades imobiliárias e comércio. Por outro lado, transporte e atividades financeiras perderam força.
Do lado do consumo, as famílias voltaram a acelerar, com crescimento de 1%, mostrando que mercado de trabalho ainda resiliente, renda forte e estímulos fiscais continuam sustentando a atividade econômica mesmo com juros elevados. O investimento também chamou atenção, com alta de 3,5% no trimestre.
O número mostra uma economia ainda aquecida no curto prazo, sustentada pelo agro, pelo consumo e pelos estímulos do governo. Mas o mercado continua preocupado com o segundo semestre, porque juros altos, inflação pressionada, cenário eleitoral e incertezas externas podem desacelerar a atividade mais à frente.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos
Após três trimestres consecutivos próximos à estabilidade, a economia voltou a acelerar no primeiro trimestre de 2026, registrando avanço de 1,1% na margem (T/T). Além da contribuição positiva das três grandes atividades (agropecuária, indústria e serviços), o desempenho sob a ótica da demanda também se mostrou robusto, impulsionado pelo maior consumo das famílias diante do incentivo via isenção do IR e reajuste do salário-mínimo.
Diante deste resultado, o Banco Central (BC) deverá revisar novamente suas estimativas para o hiato do produto. A projeção oficial mais recente, divulgada em março no RPM, indicava um crescimento de 1,6% para 2026. Essa estimativa passa a carregar um claro viés de alta, convergindo para um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária em seu balanço de riscos.
Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB
Boas notícias no front da economia real, ainda que em grande parte estimuladas ou impulsionadas por benesses governamentais, que eventualmente poderão cobrar seu preço nos próximos meses via juros futuros mais altos. Isso porque o aumento dos gastos públicos tende a impactar o risco fiscal e a percepção de solvência do governo pelos poupadores, que, diante de um quadro de maior incerteza, costumam exigir retornos mais elevados para financiar a dívida pública e as medidas de estímulo. Não obstante, por enquanto, o dado reforça um cenário de atividade ainda resiliente, com crescimento de 1,8% do PIB ano a ano e 1,1% trimestre a trimestre. A conta ficará para uma avaliação posterior.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos
O PIB do primeiro trimestre do ano registrou alta de 1,1% na comparação trimestral, em linha com nossa expectativa (1,1%). Em relação ao primeiro trimestre de 2025, a atividade econômica avançou 1,8%.
Na análise pelo lado da oferta, destaca-se a forte alta do setor agropecuário (2,0%) acelerando em relação ao registrado em 4T25 (0,1%). A indústria reverteu a queda no último trimestre do ano passado e avançou 1,0%, puxado principalmente pelo segmento de construção e indústrias extrativas. Serviços, por sua vez, registrou desaceleração subindo 0,5% (vs. 0,7% anterior). Destaque negativo para segmento de transporte e armazenagem, com serviços de informação e comunicação (2,4%) registrando a maior variação.
Já sob a ótica da demanda, o grande destaque de alta foi a formação bruta de capital fixo subindo 3,4% no trimestre, revertendo a queda de 3,4% no período anterior. O consumo das famílias acelerou para alta de 1,0%, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido. As importações voltaram a subir, registrando alta de 4,4% (vs. -1,1% anterior) também refletindo um mercado doméstico aquecido.
Apesar do forte desempenho do PIB no 1T26, esperamos que atividade desacelere ao longo dos próximos trimestres, refletindo o grau de contração monetária em vigor.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos
O PIB da economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, como esperado pelos analistas. O consumo das famílias aumentou 1,0% no trimestre, serviços 0,5%, agropecuária 2,0% e indústria 1,0% no trimestre.
A indústria de transformação praticamente ficou estável, com crescimento de 0,1% entre o primeiro trimestre de 2026 e quarto trimestre de 2025. A taxa de investimento foi de 16,5% e a taxa de poupança 15,5% no primeiro trimestre de 2026.
Os dados mostram uma economia acelerando, provavelmente devido aos programas aprovados pelo governo neste início de ano, como reação à desaceleração do último trimestre de 2025, o que poderá gerar preocupação para o Banco Central, que deverá manter cautela na política monetária. Nossas projeções são de desaceleração a partir deste trimestre, com crescimento de 0,5% por trimestre e 2,0% em 2026.