Para economista-chefe da Forum Investimentos, decisão veio em linha com o esperado, mas comunicado do Banco Central trouxe tom mais cauteloso diante do cenário externo e da inflação interna
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira, 29 de abril. A decisão veio em linha com a expectativa de boa parte do mercado, mas o comunicado do Banco Central indicou maior cautela diante do ambiente externo e da trajetória da inflação no Brasil.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos, o corte já era esperado, mas o tom do comunicado chamou atenção pela leitura mais conservadora do cenário global.
“A decisão veio em linha do esperado, e foi unânime. Ficou claro que o comunicado trouxe um tom mais pessimista em relação ao cenário externo, pela persistência do conflito e seus desdobramentos sobre os preços de energia. Deram maior peso aos riscos do conflito, sem dúvidas”, afirmou.
Segundo Perri, o Banco Central reconheceu um ambiente mais desafiador, mas também abriu espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões.
“Na minha visão, veio em linha com o esperado, refletiu o cenário mais desafiador mas já sinalizou a possibilidade de cortes para a próxima reunião (o que não era uma certeza de que seria feito pelo mercado)”, disse.
O economista também destacou que o comunicado trouxe uma visão mais cautelosa sobre a inflação doméstica. Para ele, o BC reforçou que a inflação corrente vem se distanciando da meta, ao mesmo tempo em que apontou uma atividade econômica acima das expectativas no primeiro trimestre, embora ainda compatível com uma trajetória de desaceleração.
Na avaliação de Perri, a autoridade monetária sinaliza disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas com uma postura mais gradualista e comprometida com a continuidade do ajuste monetário.
Para a próxima reunião, o economista espera uma nova redução de 25 pontos-base, mas ressalta que a decisão seguirá dependente do comportamento das variáveis externas, especialmente o petróleo, além da taxa de câmbio, das novas leituras do IPCA e das expectativas de inflação.
“Espero novo corte de 25 pontos base, com bastante dependência das variáveis externas (petróleo), manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente da expectativas de inflação”, afirmou.
Sobre a reação dos mercados, Perri avalia que a bolsa pode ter desempenho positivo no pregão seguinte, ainda que a sinalização de corte tenha vindo de forma tímida.
“Amanhã acredito que a bolsa deve reagir bem pela sinalização de corte, embora tímida, mas que não era dada como certa (caso não haja vetor externo mais forte dominando o pregão). Juros devem fechar no curto um pouco e dólar pode valorizar amanhã”, concluiu.