Modelo do JP Morgan chega aos FIDCs com R$ 1,2 bilhão via Multiplike

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Durante décadas, dividir capital foi a forma mais objetiva de dividir responsabilidade nas grandes instituições financeiras. O modelo de partnership, adotado por casas como JP Morgan, sempre funcionou como um mecanismo de governança, disciplina decisória e visão de longo prazo. No mercado de crédito estruturado, porém, essa lógica permaneceu praticamente ausente, mesmo com o crescimento acelerado dos FIDCs e o aumento da complexidade das operações. Esse desenho começa a mudar agora, com a chegada do 1º modelo de partnership institucional dentro do universo independente de FIDCs no Brasil.

É nesse contexto que a Multiplike formaliza sua estrutura societária e passa a integrar ao capital da companhia lideranças que já atuam diretamente na construção, no risco e na sustentabilidade do negócio. O desenho prevê a distribuição de 8% a 10% do capital da empresa ao longo de 10 anos, capital total que equivale hoje a cerca de R$ 1,2 bilhão em valor econômico, compartilhados entre pessoas que ocupam posições-chave na tomada de decisão e na condução estratégica da organização. A estrutura tem início com 6 sócios, mas não estabelece um limite fixo de participantes. “Não se trata de um programa de incentivo ou retenção, mas de uma mudança estrutural que redefine corresponsabilidade, governança e compromisso de longo prazo”, explica Volnei Eyng, CEO da Multiplike.

O anúncio ocorre em um momento em que a companhia entra em 2026 com R$ 20 bilhões disponíveis para concessão de crédito e projeta crescimento médio de 20% ao ano nos próximos 5 anos. A expansão é sustentada pela ampliação das operações, pela demanda crescente de empresas por crédito estruturado e pela consolidação de novas frentes de atuação, incluindo a SCFI aprovada em setembro do ano passado. Dentro desse cenário, a formalização do modelo societário funciona como um movimento de antecipação institucional, desenhado para sustentar o porte que a Multiplike projeta alcançar no médio e longo prazo.

Inspirada em estruturas adotadas por instituições como JP Morgan, BTG Pactual, Itaú BBA e XP Investimentos, a Multiplike leva para o mercado de crédito estruturado uma lógica comum em casas financeiras mais maduras: quem participa do capital passa a responder não apenas por resultados, mas também pela preservação da cultura, pela coerência técnica das decisões e pela longevidade da instituição. Em setores intensivos em risco, originação e alocação de recursos, esse alinhamento funciona como um dos principais mecanismos de proteção institucional ao longo dos ciclos econômicos.

De acordo com a Multiplike, o modelo, que foi estruturado pelos principais escritórios jurídicos e de governança corporativa do país, não cria cargos nem títulos, mas estabelece um patamar superior de comprometimento institucional. Os critérios para ingresso envolvem entrega consistente, visão de longo prazo, maturidade decisória, alinhamento cultural, ética, comportamento profissional e capacidade de formar pessoas e sustentar conhecimento dentro da organização.

A estrutura prevê ainda rituais executivos, comitês de acompanhamento, mecanismos de avaliação contínua e governança para manutenção ou eventual revisão do quadro societário, práticas alinhadas às adotadas por instituições financeiras de grande porte. Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, a decisão representa um marco na trajetória da empresa. “Quando você compartilha capital, compartilha também responsabilidade, risco e visão de longo prazo. Esse modelo eleva o nível de governança e garante que decisões críticas, especialmente em crédito, originação e expansão, sejam tomadas com o grau de maturidade que o novo ciclo exige”, afirma. 

Segundo ele, o avanço do crédito estruturado no Brasil torna indispensável a adoção de estruturas institucionais capazes de sustentar crescimento acelerado sem perda de rigor técnico. Com mais de duas décadas de atuação e mais de R$ 70 bilhões em crédito concedidos ao longo de sua história, a Multiplike reforça, com a adoção do modelo de partnership, seu posicionamento como um dos grupos mais estruturados do mercado de crédito privado brasileiro. Ao trazer a lógica societária para dentro dos FIDCs, a empresa sinaliza a investidores, reguladores, originadores e clientes corporativos que opera sob um desenho voltado à perenidade, à disciplina e à construção de valor sustentável, um movimento ainda raro entre players independentes do setor.